W. H. Auden
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
W. H. Auden
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
A Cortesã Francesa
A sinopse é perfeita e convidativa:"Uma história de amor entre um cobarde corajoso e uma cortesã francesa é a trama central do primeiro e comovente romance do actor Gene Wilder.
1918. Paul Peachy, um jovem e acanhado empregado ferroviário de Milwaukee, actor nas horas vagas, descobre que a esposa já não o ama. Alista-se no exército americano e embarca para lutar em França encontrando consolo temporário nas amizades surgidas entre os horrores da guerra.
Peachy acaba por ser capturado e a sua única hipótese de sobrevivência é fazer-se passar por um dos mais famosos espiões inimigos. Na pele do cortês e dotado espião Harry Stroller, Peachy é recebido como um herói pelas altas esferas alemãs e consegue acesso a uma vida sumptuosa que nunca antes imaginara. Mas, as suspeitas dos alemães obrigam Peachy a ser escandalosamente falso para encobrir o seu disfarce revelando uma coragem e um engenho que ele nem sonhava possuir.
Num perigoso mundo de enganos e desilusões Peachy apaixona-se por Annie, uma bela cortesã francesa que parece conseguir ver através do seu disfarce astucioso…"
Escrito pelo actor Gene Wilder - quem não se lembra dele em "A Mulher de Vermelho"? - é uma história que nos prende como um filme. Quase vemos as cenas a passar a cada linha, e ficamos com o "bichinho" de saber o que virá a seguir, ou como conseguirá Peachy ludibriar aqueles que parecem estar quase a desarmá-lo. Mas ele, à beira do precipício, vai conseguindo saltar e fugir ao seu destino...
Carregado de suspense, aventura e humor, lê-se de um fôlego.
Mais não posso dizer... Leiam!
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
As muitas e curiosas capas de “O Estranho Caso de Benjamin Button”
Quantos já compraram um livro depois de ficarem absolutamente fascinados pelo filme?
Quantos já leram um livro com medo de ficarem desiludidos com o filme?
Com a produção de um filme, reedita-se a obra a partir da qual este foi adaptado, o autor da mesma passa a ser conhecido, se até então não o era, e deixamos de ter dificuldade em encontrar o livro. Percorremos as estantes das livrarias com o olhar, até encontrar aquele que tem o cartaz do filme impresso na capa. Fácil.
Não podemos contudo avaliar a qualidade do conteúdo do livro apenas pelo grafismo da capa, mas é curioso observar como a apresentação da mesma pode influenciar o todo.
Vejamos o caso da obra de Scott Fitzgerald “O Estranho Caso de Benjamin Button”.
O conto é a história de um homem que começa ao contrário, nasce velho e vai rejuvenescendo. O livro é uma farsa humorística e irónica, o filme um drama romântico.
Um pouco por todo o lado foram publicadas várias edições da obra, umas mais atractivas que outras, todas tentando traduzir a expressão do livro.
Vejamos alguns exemplos que o site The Book Design Review fez questão de reunir:

E nós por cá:

Eu tinha ou não tinha razão?
Se fosse um livro, qual seria?
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
O gato que encontrou Deus
Não se evita o sorriso ao ler o título deste livro de Robert Fisher e Beth Kelly.Marmelade tem uma vizinha gata – a Fluffy – com a qual desabafa as loucuras de Ellen “aos olhos dos gatos, todos os seres humanos são um pouco ridículos”, e onde vai roubar comida, para escapar à dieta vegetariana.
Pequeno aparte: é absolutamente delicioso ir acompanhando os pensamentos de Marmelade sobre as atitudes de Ellen. Ainda mais se tivermos em conta que esta consegue saber o que ele está a pensar.
Voltando à história…
Ellen entende que para a mudança ser real tem de mudar tudo na sua vida. Vai daí, muda também o seu nome para Ambika, que significa Mãe Divina. Desta maneira, ela julga mudar características de que queria desfazer-se tais como ser “crítica, gordinha… um pouco gordinha, e também um pouco ciumenta, mandona e, às vezes dominante”. Assim, passa a pensar em si mesma “como carinhosa, amável, maternal, leal e paciente”.
No capítulo seguinte, chega-nos esta novidade:
– "E foi assim que me transformei em Ramsés II – anunciou Marmelade a Fluffy”
A gargalhada sai espontânea.
Na sua quotidiana procura espiritual, Ellen decide deixar de usar relógios… E acaba sendo despedida.
Para fazer face às despesas, ainda tenta alugar um quarto a alguém. A pessoa encontrada mal pousa as malas. Não houve compatibilidade entre as mascotes…
Ellen decide então viajar e ir à procura de Deus. Para isso, Marmelade ficaria com os donos de Fluffy. Mas estes também vão viajar e não podem ficar com os gatos. Estes, aventureiros, decidem então pôr mãos à obra e ir à procura de Deus. Vão parar à Índia…
Pormenor: Marmelade, entretanto, converte-se também à procura espiritual da dona…
Em Bombaim, são aconselhados a visitar um sábio gato himalaio que vivia num mosteiro. Este gato era... o Grande ELE.
A conversa de Marmelade e Fluffy com o Grande ELE é, simultaneamente, descontraída e profunda. Às tantas, o Grande ELE diz-lhes:
- "Lembrem-se, Deus dá-nos coragem, e a coragem dá-nos Deus”
No regresso são sugados por um OVNI. E encontram o Ser, um gato de três metros de altura. Este, surpreendentemente, pede-lhes ajuda para “ensinar às pessoas da Terra a amarem-se umas às outras”…. E são devolvidos às suas donas.
As peripécias no regresso sucedem-se e acabam sendo convidados para um programa televisivo especializado em histórias insólitas e impossíveis. Nesse programa, o Ser entra em directo para todo o mundo a anunciar a sua mensagem:
- “(…) que em cada dia ameis outro ser humano como amais o vosso gato”.
No fim, a inquietante procura leva a uma certeza:
sábado, 24 de janeiro de 2009
O Velho e o Mar
Um velho pescador não pescava nada há 84 dias.Neste pequeno romance, feito de solidão, há uma linha que o atravessa: um profundo respeito entre os seres. Cada um faz o que deve – um teste de sobrevivência – envolto numa prova mútua de persistência e resistência. Ao longo de três intermináveis dias, homem e peixe jogam um com o outro, tentando vencer-se mutuamente. Às tantas, o velho pensa no que será a vida do peixe, nas semelhanças entre ele e o peixe que tem na ponta da linha, preso à isca.
Depois de apanhar o peixe, maior que a sua pequena embarcação, o velho, desgastado pelo longo esforço da pesca, vê o seu trabalho perdido. Enquanto arrasta o peixe para o porto de Havana, este vai sendo devorado por tubarões, com os quais ainda se bate. Este episódio é uma notável alegoria para situações que a vida nos apresenta. Tal como todo o romance pode ser lido a essa luz.
“O Velho e o Mar” é um romance despido das tramas habituais. É antes de mais um hino à simplicidade, à luta entre iguais, com todas as forças e todas as fragilidades naturais.
Algumas frases:
- “Um homem pode ser destruído, mas não derrotado”.
- “A sorte é uma coisa que vem de muitas formas. Quem sabe reconhecê-la?”
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
O Cego de Sevilha

Depois de uma tentativa falhada de conhecer o génio de Wilson através do " Último Acto em Lisboa" (talvez agora lhe dê outra oportunidade), eis que surge “O Cego de Sevilha”, sem dúvida um dos mais evocativos, absorventes e inteligentes thrillers psicológicos de sempre.
Celebra-se a cidade e o povo. É semana santa em Sevilha. Um empresário de renome é encontrado atado, amordaçado e morto em frente da sua televisão. As feridas auto-infligidas deixam perceber a luta que travou para evitar o horror das imagens que foi forçado a ver. Quando confrontado com esta macabra cena, o habitualmente desapaixonado detective de homicídios Javier Falcón sente um medo inexplicável. O que é que podia ser tão terrível?
A investigação arrasta o protagonista através da sua própria vida, fá-lo perder-se num turbilhão de emoções que estão à flor da pele e que este não controla acabando por consumir-se nelas.
O seu passado assoma a cada avanço da investigação. A intriga, o mistério e a crueldade atingem o leitor como um soco no estômago, mal Javier Falcón começa a ler os diários secretos do seu falecido pai.
A tensão avoluma-se a umas quantas páginas do fim num regresso forçado a traumas antigos enraizados em recordações dolorosas, que antecedem um desfecho que já não consegue perturbar-nos depois de tudo a que assistimos.
Javier Falcón abandona desta forma a meia existência em que vinha vivendo ao ser confrontado com a última “Lição de ver”.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Biblioteca SÁBADO
- Mar Morto, de Jorge Amado
- 22 Janeiro
- Samarcanda, de Amin Maalouf
- 29 Janeiro
- Os Filhos da Meia Noite, de Salman Rushdie
- 5 Fevereiro
- As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino
- 12 Fevereiro
- Lolita, de Vladimir Nabokov
- 19 Fevereiro
- Vasto Mar de Sargaços, de Jean Rhys
- 26 Fevereito
- O Quarto Protocolo, de Frederick Forsyth
- 5 Março
Boas leituras.
domingo, 11 de janeiro de 2009
O velho do mar
Ernest Hemingway, in "O Velho e o Mar"
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Slam - a vida como ela é

Inesperadamente este Natal trouxe-me o livro “SLAM - a vida como ela é”, de Nick Hornby. A capa diz ser um bestseller internacional... fiquei a saber.
Na contracapa, e segundo o Observer, “Hornby pega nas ironias cruas da vida e raspa-as docemente para revelar jóias de verdade amarga e doce"... Fiquei curioso.
Este romance (quase diria uma série juvenil) acompanha a vida de um adolescente de 15 anos, em Londres, durante alguns meses. Trata-se de um jovem skater, como todos os jovens e como nós já fomos um dia: descontraído, sem cadeias, irresponsável, “estúpido” como ele mesmo não se cansa de repetir, sem nada que o preocupe na vida. Ele tem no quarto um poster de Tony Hawk, um skater famoso que ele admira e com cujo poster conversa (não apenas fala).
O Sam tem pensamentos e respostas típicas de adolescentes: parvos, sem dramas de maior, egocêntrico, irreverente, idiota, por vezes manipulador. Mas simultaneamente inocente e ternurento.
Um certo dia, ele acompanha a jovem mãe (de 32 anos) a uma festa de uma colega desta e conhece Alicia. Filha da aniversariante, e tão miúda como ele. Apaixonam-se. E o “inesperado” acontece: ela engravida.
A forma como encara este facto é absolutamente mirabolante, com uma sucessão de episódios alucinantes: ele consegue ser transportado para o futuro e ver o que o espera (ainda mais cómico na medida em que todas as outras personagens estão plenamente integradas nesse futuro, menos ele, que não sabe nomes ou factos que os outros já sabem); e chega até a fugir para uma cidade próxima de Londres, onde tinha passado um verão.
Em cada linha é evidente que este adolescente não compreende completamente o mundo que o rodeia. Baralhado, não sabe como reagir aos factos, não os sabendo interpretar de todo. Basta ver o tipo de respostas ou comentários que só ele consegue ter…
Sam é ao mesmo tempo personagem e narrador, o que dá à história uma roupagem muito interessante. Como ele próprio diz a certa altura, o que dá interesse às histórias são os sentimentos que os ligam, são o que os factos nos fizeram sentir. Porque a história pode ser contada em poucas linhas e ficar sem qualquer tipo de interesse. A diferença está nas sensações que nos provocou. E é isso que nos agarra neste romance, pois é como se estivéssemos dentro da cabeça do Sam, a ler-lhe todos aqueles desconcertantes pensamentos. Certeiros, divertidos, parvos.
Por exemplo, quando o filho nasce, no hospital, a mãe dele procura o neto. Pensamento do jovem pai: “os seus olhos varriam o quarto em busca de uma trouxa que pudesse ser um bebé. Acabou por encontrar essa trouxa ao meu colo, e arrancou-ma das mãos”. Isto é divinal!
Abordando a gravidez adolescente em Inglaterra (às tantas, sobre um relatório do primeiro ministro acerca disso, ele tem uma série de tiradas genialmente bem-humoradas), este romance traça um retrato divertido dessa situação, pegando nesta família e dissecando o que cada personagem representa (os jovens inconscientes, a mãe que passou por um caso semelhante, os pais que sonham com um grande futuro para a filha, a filha que quer um futuro normal, o pai “gajo” irresponsável, os jovens skaters…).
Há muito que não lia um livro assim "de enfiada". Pouco mais de uma semana para devorar a mirabolante história de Sam, por ele mesmo. Não será uma obra-prima, mas é divertido. E aborda esta problemática de uma perspectiva interessante.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Alguém para amar
"Ao folhear um dos antigos romances de Stacy, Jace descobre uma fotografia de uma casa com uma mensagem codificada. «Nossa, mais uma vez. Juntos para sempre. Até lá». O bilhete datava do dia anterior à morte dela. Obcecado pela necessidade de entender o suicídio de Stacy, Jace parte para Inglaterra determinado em descobrir finalmente a verdade. Não demora a perceber que a casa está assombrada por um obstinado fantasma, Ann Stuart, com quem se vê obrigado a lidar para resolver o mistério. Através das suas investigações e com a ajuda de uma bela jornalista, Jace vê-se forçado a estabelecer a conciliação entre a vida e a morte da noiva. Alguém para amar é uma bela descoberta sobre o tempo e o amor da autoria de uma das romancistas mais acarinhadas pelos leitores de todo o mundo. "
Escolhi este livro para fugir um pouco do género que vinha lendo, desconhecendo por completo a autora do mesmo. Nunca fui muito de romances lamechas, mas achei a história hilariante e completamente fora do vulgar. Parecia possuída pelos fantasmas retratados uma vez que não conseguia parar de ler, e nem tanto pela história!
Uma autora que vou definitivamente manter debaixo de olho!
Mais impressões aqui
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Ser demais
“O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade... sei lá de quê!”
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Não me importo com as rimas. Raras vezes
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra,
Penso e escrevo como as flores têm cor
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.
Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se vento…
Alberto Caeiro - O Guardador de Rebanhos
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Ser surpreendido

Etgar Keret é um romancista israelia, autor de BD e realizador.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
A Cura de Schopenhauer
Inicialmente, temos a trágica notícia para Julius: tem um melanoma, em fase terminal. Confrontado assim com o fim próximo, ele, psicoterapeuta, decide procurar um antigo paciente com o qual não teve sucesso. Philip, que agora também é psicoterapeuta, numa troca de favores, aceita participar no grupo que Julius está a acompanhar, como paciente.Aqui a questão que surge é sobretudo a solidão, o isolamento social, o que se esconde naquilo que se parece mostrar aos outros. Philip, inteligentíssimo e distante, especialista e fã de Schopenhauer, passa o tempo a citar as suas frases anti-sociais. De notar que Philip, anteriormente, foi um viciado em sexo, que todas as noites tinha de ter uma nova conquista e aventura.
O atravessamento da ponte, da barreira até ao mais íntimo de cada um, só acontece pela fragilização individual, pelo choque, pelo dar um passo
Philip, Pam, Tony, Bonnie, Rebecca, Gill, Stuart... e Julius. Problemas de isolamento, de relacionamento, de afecto, de alcoolismo, sexuais... que vão sendo esmiuçados em conjunto, tentando novas abordagens. As relações que se vão estabelecendo entre eles, as tensões, os gritos, vão permitir que cada um deles olhe para dentro de si e encontre a peça chave que desarmadilha o edifício em que estão prisioneiros. E quando começam a descer as barreiras, a ficar mais dóceis interiormente, dá-se o click.
Ambos são livros profundamente psicológicos e que fazem viagens profundas ao interior de cada um.
Como ponto comum aos dois livros, essa procura no mais profundo de cada um, extraindo as forças para continuar a andar, para olhar o futuro.
Por outro lado, enquanto “Quando Nietzsche Chorou” é mais positivo, foca muito a amizade, este “A Cura de Schopenhauer” centra-se nas disfunções relacionais, nas incapacidades para fugir ao isolamento e relacionar-se.
Inicialmente a leitura de “A Cura de Schopenhauer” deixou-me de pé atrás. Mas, a partir de certa altura, fui sugado pelo enredo e li convulsivamente para saber a “solução”. E muitas interrogações ficaram na minha cabeça, para mim. Foi como olhar ao espelho, sem filtros, sem maquilhagens. O abalo com epicentro interior é forte!
E fica um desafio para mim daqui a algum tempo: ler as duas obras sequencialmente. Se calhar será um abalo muito forte. Mas igualmente um desafio gigantesco numa perspectiva individual.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Notável página na História
A eleição de Barack Obama como presidente dos EUA fica como uma importantíssima página na História.O inspirador discurso deste afro-americano levou-o à Casa Branca.
Um discurso positivo, afirmativo, mobilizador, carregado de esperança. Para além dos paradigmas estabelecidos em Washington.
Possam as próximas páginas ser tão notáveis e históricas como as escritas até agora.
Do seu notável discurso de vitória, em Chicago, destaco estas passagens:
"E a todos aqueles que se interrogavam sobre se o farol da América ainda brilha com a mesma intensidade: esta noite provámos novamente que a verdadeira força da nossa nação não provém do poder das nossas armas ou da escala da nossa riqueza, mas da força duradoura dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e uma esperança inabalável."
"Este é o nosso tempo para pôr o nosso povo de novo a trabalhar e abrir portas de oportunidade para as nossas crianças; para restaurar a prosperidade e promover a causa da paz; para recuperar o sonho americano e reafirmar aquela verdade fundamental de que somos um só feito de muitos e que, enquanto respirarmos, temos esperança. E quando nos confrontarmos com cinismo e dúvidas e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com o credo intemporal que condensa o espírito de um povo: Sim, podemos."
(discurso completo aqui)
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Dewey“Que influência pode um animal ter? E quantas vidas pode um animal tocar? Conheça a maravilhosa história do gato que comoveu o mundo!”
Eu fiquei comovida logo nas primeiras páginas...mas também no que toca a gatos, como é possível não ficar?
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Ensaio sobre a Cegueira
“Ensaio sobre a Cegueira”, essa obra maior de José Saramago cujo filme estreia em breve, é um romance desconcertante, inquietante, violento, duro, de uma dureza crua. Com múltiplas leituras, todas elas chocantes e dramáticas.O romance, em termos gerais, trata de uma cegueira branca que começa a alastrar vinda ninguém sabe de onde. E a vida mergulhada nessa cegueira leitosa. Uma trágica vida feita de caos. Sem olhos, não há ordem social que resista.
Apenas uma mulher escapa à cegueira. E, embora parecendo algo bom, é doloroso, pois só ela consegue ver até que ponto o Homem pode chegar. E vendo, tem de calar, não pode partilhar aquilo que os seus olhos levam ao seu entendimento. Só ela absorve completamente a tragédia em que o mundo – o seu, o dos outros, o de todos – está mergulhado.
Sem olhos, cada um é sem as balizas dos olhares dos outros. Degrada-se, cola-se à marginalidade, torna-se anti-homem. Ao mesmo tempo, o Homem obriga-se a ser transparente, pois fica despido do fato que a sociedade lhe impõe. Não consegue vislumbrar como vai esconder-se.
Ao nível da individualidade, as fragilidades são exacerbadas, pois cada um só é de facto visto pelo seu interior. Não precisa vestir uma carapaça que mostra perante os outros. E esta nudez do exterior conduz a dois comportamentos contrários: por um lado, a bondade, o melhor de cada um; por outro, o mais vil de cada homem vem à tona. O vandalismo social torna-se a regra.
Paralelamente a este olhar interior, podemos sentir a capacidade de viver sem julgar o outro. Porque cada um tem a sua própria cegueira. Ou, em versão proverbial, todos têm telhados de vidro.
Diz-se que os olhos são o espelho da alma. Mas… e se não houver olhos – para ver e para ser visto? Como é que cada um se relaciona com o outro? Como olha e como é olhado?
Sem estas janelas da alma disponíveis, o Homem condena-se à sua condição animal, ou menos que isso. Cada um só pode ser reconhecido pelo ruído das suas almas, pelos ecos que produz sob a forma de voz (“os cegos não precisam de nome, eu sou esta voz que tenho, o resto não é importante”). Como alguém diz a certa altura, “dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”. E o que somos? Em que nos transformámos?
Toda a vivência no manicómio, enquanto dura a quarentena, é uma lição, uma montra e uma amostra daquilo que o ser humano é capaz de fazer, para o bem e para o mal, até onde vai a degradação. Este manicómio é uma tela sobre a qual saltam os mais diversos aspectos da vida, desde o maior altruísmo, até ao máximo de egoísmo e irresponsabilidade. É chocante ler algumas passagens. E, ao mesmo tempo, põe-nos a olhar para o nosso mundo. Em que estádio estamos – quer individualmente, quer enquanto sociedade global? E para onde vamos?
“Ensaio sobre a Cegueira”, lido agora pela segunda vez, abalou-me da mesma forma que o fez há dez anos. Porque é duro, porque nos transporta para uma realidade que abala todos os alicerces sobre os quais estamos assentes. E questiona, linha a linha, página após página, como vivemos, quais os valores que nos servem de referência. E o que define o Homem enquanto tal.
sábado, 11 de outubro de 2008
Jorge Luís Borges (1899-1986)

