Mostrar mensagens com a etiqueta livros 2010. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta livros 2010. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Jardim de Alfazema


Ao saber que havia saído um novo livro de Jude Deveraux pensei que iria ler mais uma das suas histórias fantásticas. O mistério por resolver, a conturbada história de amor, a pequena vila onde toda a gente se conhece, está tudo lá menos a emoção que senti quando li Alguém para Amar. As palavras não têm a força do primeiro, os diálogos são monótonos e não sentimos a cada página a curiosidade em desvendar os ditos segredos.
Mas vamos à história.
A autora começa por apresentar-nos Jocelyne Minton. Uma criança deslocada no seio de uma família muito peculiar e que não sente como sua. Por um feliz acaso ou não, conhece Edilean Harcourt e com ela tudo muda. Inseparáveis, uma passa a ser o mundo da outra.
Quando Miss Edi morre, deixa a Joce todos os seus bens, incluindo a sua histórica mansão do século XVIII e uma carta onde lhe revela que encontrou o homem perfeito para ela. Joce fica chocada ao saber que herdou uma mansão em Edilean. Partilhava tudo com Miss Edi, pelo que pensava que esta não tinha segredos para ela. Contudo, decidida a dar um novo rumo à sua vida, Joce muda-se para a pequena cidade.
Em Edilean, já todos conhecem a história da jovem e já delinearam o seu futuro, incluindo o homem com quem se deverá casar. Mas Joce parece ter outras intenções. Decidida a escrever a biografia de Edilean Harcourt, começa a investigar a partir das informações que possui. A história ganha FINALMENTE alguma emoção com as suas descobertas e as (des)aventuras de Miss Edi durante a II Guerra Mundial.
Um dos segredos é revelado e aqui Jude Deveraux leva-nos à lágrima (pelo menos a mim!). A vida de Joce fica definitivamente preenchida, de uma forma que ela nunca achou possível.

domingo, 8 de agosto de 2010

Filhos da Fortuna

Não há muito a dizer sobre o livro além daquilo com que o autor nos brinda na contra-capa deste. Resume em algumas linhas 400 páginas que nos relatam uma história simplesmente genial.

"Finais dos anos 40, Connecticut. Dois irmãos gémeos são separados pouco depois do nascimento. Nat vai para a casa dos pais, uma professora de liceu e um vendedor de seguros, enquanto o irmão começa os seus dias como Fletcher Andrew Davenport, o filho único de um casal de milionários."

Archer conta-nos o percurso de um e outro com uma mestria, que mantem ao longo de cada capítulo, quase temos vontade de dizer-lhe que se apresse em contar-nos tudo, mas ele apenas levanta a ponta do véu e ficamos, assim, a salivar por mais desenvolvimentos. Entrelaça a história de um e outro como se fosse uma só e, chegamos de facto ao fim e vemos que a história de um é a história do outro.
-
Ambos constróiem uma vida de sucesso, ambos ao lado da mulher que sempre amaram. Nat serve no Vietname, com apenas 19 anos, de onde regressa coberto de glória, sendo condecorado com uma Medalha de Honra. Termina o curso em Harvard com distinção e casa com a "sua pequena flor", a única mulher que lhe roubou verdadeiramente o coração. Torna-se um banqueiro de sucesso. Fletcher, por seu lado, forma-se em Yale e distingue-se como um dos melhores advogados de direito penal, antes de ser eleito senador.
-
Os seus caminhos acabam por cruzar-se a certa altura (não sem antes Archer dar-nos conta de vários indícios que juntamos e a estranha ligação que Fletcher parece sentir em relação a Cartwright quando descobre que nasceram ambos no mesmo dia, ano e hospital) quando Fletcher tem de defender Nat de uma acusação de homicídio. Fá-lo com mestria, apesar das circunstâncias, criando um laço que acabará por salvar-lhe a própria vida.
-
Por fim deixo-vos uma passagem do livro que, embora Flecher a tenha levado mais à letra, também Nat fez dela mote para a sua vida (e vão com certeza descobrir também o único ponto que este livro tem de mau):

"Não desperdicem um único momento do vosso tempo enquanto estiverem em Yale, caso contrário arrepender-se-ão o resto da vida de não terem aproveitado tudo o que esta universidade tem para oferecer. Um tolo sai de Yale com apenas um curso, um homem sábio sai com conhecimentos suficientes para enfrentar tudo o que a vida lhe colocar pela frente. Agarrem todas as oportunidades que vos forem oferecidas. Não tenham medo de nada. Desafiem todas as ordens e não permitem que se diga que percorreram um caminho mas não deixaram uma marca."
-
Já descobriram? Não..."permitem"?
Não sei quem foi o responsável pela revisão do livro ou se sequer foi feita alguma no pós tradução, mas este devia ser, no mínimo, FUZILADO!! Faltam palavras ou há palavras a mais, palavras sem sentido ou fora do sítio. É uma pena que isto manche um dos melhores romances que já li, mas pelo que sei ainda há mais dois best-sellers à minha espera!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Teoria da Viagem - uma poética da geografia

Porquê uma teoria da viagem? O que tem uma viagem de tão transcendente que seja necessária uma teoria?
Cá está um livrinho diferente do habitual...

"Os caminhantes, os pastores, os corredores, os viajantes, os deambuladores, os errantes, os passeantes, os agrimensores, uma vez mais, ainda e sempre, em oposição aos enraizados, aos imóveis, aos petrificados, aos empedernidos."

Michel Onfray, filósofo francês, discorre sobre vários aspectos da viagem. O destino. A preparação. As expectativas. A descoberta. O regresso.
“Não escolhemos os lugares predilectos, somos solicitados por eles.”
“Há sempre uma geografia que corresponde a um temperamento. Resta encontrá-la.”
“A viagem começa numa biblioteca. Ou numa livraria.” Ou numa folha de jornal, acrescento eu.
“Chegar a um lugar sobre o qual nada sabemos condena à indigência existencial. Na viagem, apenas se descobre aquilo que trazemos connosco. O vazio do viajante produz a vacuidade da viagem; a sua riqueza produz a sua excelência.” Mas apenas saber não é suficiente. É necessária “uma polpa adicionada pela literatura e pela poesia.”
“… viajar pressupõe a confusão de todos os sentidos.”
E a pergunta impõe-se: “em que momento começa realmente a viagem?” A resposta é básica: quando damos a volta à chave e deixamos para trás a casa. E nesse instante começamos a viver entre-dois. Já não é o ponto de partida, mas ainda não é o ponto de chegada.
“É certo que podemos viajar sozinhos, mas com a certeza de estarmos incansavelmente connosco próprios, nos mais ínfimos pormenores, dia e noite, nas horas faustas e nefastas.” No entanto… “penso que viajar a dois ilustra uma fórmula romana, pois permite uma amizade construída, que cresce dia após dia, pouco a pouco.”
“Viajar a dois pressupõe a eleição”… “viajar a dois permite deixar à distância os indesejáveis, bem como escolher os indivíduos eleitos.”
Quando viajamos a dois… “com ele experimentamos a partilha, a troca, o silêncio, o cansaço, o projecto, a realização, o riso, a tensão, o relaxamento, a emoção, a cumplicidade. A sua presença manifesta-se antes da viagem, depois e durante.” Assim, “no pormenor da viagem, a amizade permite a descoberta de si e do outro.”

Para além disto, viajar exige memória, guardar o que vemos, enganar a memória.
“Como lidar com a embriaguez induzida pela viagem? Escrever? Tomar notas? Desenhar? Enviar cartas? E, se for o caso, breves ou longas? Optar pelos postais? Fotografar?”…
“Com efeito, a viagem oferece uma oportunidade para desenvolver os cinco sentidos: sentir e escutar mais profundamente, olhar e ver com mais intensidade, degustar e tocar com mais atenção – o corpo desassossegado, tenso e aberto a novas experiências, regista mais informações do que habitualmente.”
Mas nada de exageros para assegurar a nossa persistência da memória. “Só deveriam restar de uma viagem dois ou três sinais, cinco ou seis, nada mais. Com efeito, tantos quantos os pontos cardeais necessários à orientação.”

“Partir para um sítio é na maioria das vezes ir ao encontro dos lugares-comuns associados desde sempre ao destino eleito” Isto é empobrecedor e limita a descoberta. Não devemos nunca partir com o intuito de verificar em que medida o local visitado corresponde à ideia que dele fazemos. “Entre o desejo de encontrar os lugares-comuns que habitam o nosso espírito e o de visitar uma terra absolutamente virgem existe um meio-termo.”
“Viajar pressupõe não tanto um espírito missionário, nacionalista, eurocentrado e limitado, mas uma vontade etnológica, cosmopolita, descentrada e aberta. O turista compara, o viajante separa. O primeiro fica à porta de uma civilização, aflora uma cultura e contenta-se em vislumbrar a sua espuma, em apreender os epifenómenos, à distância, qual espectador empenhado, militante do seu próprio enraizamento; o segundo esforça-se por entrar num mundo desconhecido, desacautelado, qual espectador liberto, preocupado não em rir ou chorar, julgar ou condenar, absolver ou resolver anátemas, mas sim desejoso de apreender esse mundo interior, compreender. O comparador designa sempre um turista, o anatomista indica um viajante.”
Embora as cidades sejam “todas iguais”, há algo que não conseguem suprimir: a geografia. “A modernidade reduziu a história, mas poupou a geografia.”
E temos a percepção dessa realidade se atravessarmos o mundo em poucas horas. O avião, sobretudo este, contribuiu para uma nova percepção do tempo e do espaço.

“Nós próprios, eis a grande questão da viagem. Nós próprios e nada mais. Ou pouco mais. Pretextos, ocasiões, múltiplas justificações, sem dúvida, mas de facto fazemo-nos à estrada movidos unicamente pelo desejo de nos reencontramos, ou mesmo de nos encontrarmos.”
“Toda a viagem é iniciática – do mesmo modo que qualquer iniciação não deixa de ser uma viagem. Antes, durante e depois descobrem-se verdades essenciais que estruturam a identidade.”
“Longe de constituir uma terapia, a viagem define uma ontologia, uma arte de ser, uma poética do eu.”

Depois, é tempo de regressar. “Voltar para é também regressar de.”
E “voltar é decidir não permanecer.”
“Basta sentirmo-nos nómadas uma vez, para sabermos que voltaremos a partir, que a última viagem não será a derradeira.” Mas sempre para um lugar outro.”Rever impede de ver outras coisas, estacionar repetidamente, mesmo nos antípodas, afasta as possibilidades nómadas e os efeitos violentos da viagem sobre o corpo e a alma. Corre-se o risco de instalar a sedentariedade no próprio coração do princípio nómada.”
“Ponderar uma nova partida pressupõe assim uma inovação e não uma repetição.”

domingo, 20 de junho de 2010

A Papisa Joana

Este primeiro romance de Donna Wollfolk Cross agarra a vida desta personagem histórica ou lendária e dá-lhe contornos de aventura e romance, construindo um livro muito interessante.
Desde o seu nascimento, no seio de uma família constituída por um rígido cónego inglês, pela mãe saxónica, Gudrum, convertida à força ao catolicismo, e ainda dois irmãos mais velhos, Mateus e João, Joana teve de lutar para poder afirmar-se. De feitio firme, com uma perspicácia e inteligência mal vista por muitos, ela foi crescendo, tendo uma educação rara entre as mulheres do seu tempo (às quais era vedada a instrução). Aprendeu a ler, secretamente, com o seu irmão Mateus. Depois teve a sorte de contactar com o grego Asclépios, que passou a ser seu tutor contra a raiva do pai.
Os anos passam, entre inúmeras peripécias improváveis, e Joana vai aprendendo ainda mais. Torna-se uma espécie de médico, conhecedora dos efeitos de inúmeras ervas e ingredientes.
Numa época de profunda misoginia, uma vez que a mulher é o símbolo do pecado e do mal, Joana percebe que só conseguirá realizar-se como homem. Por isso, passa a viver sob disfarce como João Anglicus, um monge que mantém as suas características pessoais: inteligência, perspicácia, insubmissão, espírito aberto à novidade.
Joana – ou João… - vai parar a Roma, onde acompanha dois papados de perto e vive bem de perto com toda a intriga e jogos de poder que rodeiam o topo da Igreja Católica. Também é vítima dessa teia, mas sabe jogar com as circunstâncias… e, sem ser vontade sua, acaba no trono de Roma.

No fim, o livro traz ainda uma espécie de enquadramento histórico de factos que confirmam a existência deste Papa, que afinal foi Papisa.
“Em 1276, depois de ter ordenado uma investigação aturada dos registos papais, o Papa João XX mudou o seu título para João XXI, reconhecendo oficialmente o reinado de Joana como Papa João VIII.”

De contornos historicamente imprecisos, quer por acção da própria Igreja, que os eliminou, quer por se tratar apenas de uma lenda, a curiosidade sobre quem foi a Papisa Joana permanece.

Outra resenha aqui.

sábado, 17 de abril de 2010

O Poder do Agora

Ler este pequeno livro transporta-nos para uma outra perspectiva de abordagem da vida, do dia-a-dia.
Sou incapaz de fazer uma espécie de resumo deste livro de Eckhart Tolle. É muito profundo, muito complexo. Daqui a alguns anos tenho de voltar a ele.
De qualquer forma, houve uma coisa que me chamou a atenção, por assim dizer. Frequentemente andamos a falar sozinhos na nossa cabeça: a nossa mente diz o que deveríamos ter dito na situação A, ou o que vamos dizer na situação B, ou o que pensamos fazer no caso X. Ouvimos a nossa mente permanente a falar. Nunca se cala com as suas certezas. E, assim, não nos permite centrar em nós, no Agora. Mas é possível calá-la. Basta que nos imaginemos como um observador da mente, um outro a olhar para ela. Às tantas, estamos a sorrir do que a nossa mente diz. Muitos disparates, muito ruído, muitas divagações vãs. Quase sem darmos por isso, a mente cala-se quando é observada de fora. Fica serena. Apaga-se. E conseguimos centrar-nos em nós. Aqui e agora.
Já fiz este exercício várias vezes e funciona.

Deixo algumas frases em jeito de convite/sugestão de leitura:

- "Nunca nada aconteceu no passado; acontece no Agora. Nunca nada acontecerá no futuro; acontece no Agora."
- "distinguir entre a sua vida e a sua situação de vida."
- "Submeta-se àquilo que é. Diga "sim" à vida - e verá como de repente a vida começará a trabalhar para si em vez de contra si."

domingo, 28 de março de 2010

Alice no País das Maravilhas

Apenas uma palavra para descrever este livro de Lewis Carroll: mirabolante!
A história (sonho?) de Alice acontece tão rapidamente, que é frequente perdermos o fio à meada. Mudam os cenários, as personagens, tudo, a uma velocidade estonteante. Basta distrairmo-nos um pouco, e já perdemos um pormenor que nos fará falta mais à frente.

Uma história desconcertante, com rasgos inesperados, com humor, com apartes.

Transcrevo uma das partes mais conhecidas:

"(...) pensou Alice, e continuou a falar: - Diga-me, por favor, a partir daqui, que caminho devo seguir?
- Isso depende bastante do sítio onde queres ir, respondeu o Gato.

- Pouco me importa onde - disse Alice.

- Então não tem importância para que lado vais - disse o Gato.

- Contando que vá dar a qualquer parte - acrescentou Alice, explicando-se melhor.

- Ah, isso é que vais, de certeza - disse o Gato - , se andares o suficiente...
Alice achou que contra isso não havia nada a dizer: tentou, pois, fazer-lhe outra pergunta:

- Que género de pessoas vivem por aqui?
- Naquela direcção - disse o Gato, apontando com a pata direita - vive o Chapeleiro e além - e apontava com a outra pata - vive a Lebre de Março. Podes visitar qualquer deles; são ambos malucos.
- Mas eu não quero andar no meio de gente maluca - observou Alice.
- Oh, não podes evitá-lo - disse o Gato -, nós aqui somos todos malucos. Eu sou maluco. Tu és maluca."


E por vezes é difícil ultrapassar a furiosa Rainha, permanentemente a gritar: "cortem-lhe a cabeça!"...
Mas o leque de personagens fantásticas é fabuloso: o Coelho Branco, o Gato de Cheshire, o Rei, a Rainha, a Lagarta Azul, as cartas que têm vida, o Chapeleiro, a Duquesa... É todo um desfile de cores e imaginação.

sábado, 27 de março de 2010

As Oito Dádivas Eternas da Vida

“Mas o que significa satisfação pessoal, afinal de contas? Satisfação pessoal significa sentirmo-nos bem com aquilo que temos e com o que somos. Contudo, a satisfação pessoal não pode ser alcançada sem harmonia. Como é que podemos alcançar a satisfação e a harmonia interior?”

"As Oito Dádivas Eternas da Vida", de Paulo Carvalho, é um livro muito interessante, prático e útil no sentido de eliminarmos a ansiedade em que estamos mergulhados diariamente. Quando passamos a olhar o dia-a-dia, as coisas, de uma forma menos cristalizada, ganhamos uma liberdade, uma leveza, que muda a nossa vida. Sentimo-nos libertos, renascidos, abertos às inúmeras possibilidades da Vida. Começamos a sentir a harmonia naturalmente no nosso interior. Porque é aí a sua fonte natural, não qualquer factor externo a cada um de nós, seja na relação com os outros, no trabalho, as coisas que obtemos. “A harmonia é algo interior”.

Sucintamente, as dádivas são as seguintes:

- a dádiva da escolha
“não importa qual seja a nossa situação, temos sempre uma quantidade ilimitada de alternativas na vida.” Não acreditamos nisto, quando o lemos assim. No entanto, “o verdadeiro problema nunca é a nossa falta de escolhas – é a nossa falta de coragem”.

- a dádiva do prazer
Neste ponto é importante distinguir prazer de felicidade. “Para se sentir feliz, deverá envolver-se em actividades que o façam crescer por dentro.”
“De cada vez que temos a coragem de dizer ou fazer o que realmente queremos, aprendemos e desenvolvemo-nos. Todas as vezes que não o fazemos, murchamos e morremos um pouco”.
O maior prazer é sempre a auto-realização, o sermos nós mesmos. Sem medos. “A vida foi-lhe dada para retirar prazer dela. Abandone os seus medos e desculpas e exija o seu quinhão”.

- a dádiva de dar
“Não esqueça: não obtém o que deseja, obtém aquilo que der. Portanto, se quer mais, dê mais”. Dar não apenas coisas, mas atenção, respeito. Mesmo àqueles que nos prejudicaram. É difícil. Mas… “perdoar significa ter autoconfiança suficiente para continuar com as nossas vidas, em vez de utilizar continuamente os maus comportamentos dos outros para nos justificarmos.” Assim, “libertamos os outros e a nós próprios do ódio e da mágoa”.

- a dádiva do aqui e agora
Antes de mais, é preciso aprender a viver no presente. Mas é muito mais do que isso.
Este capítulo é absolutamente inspirador. E foram poucas as linhas que não sublinhei no livro.
“Pare com a sua busca da felicidade. Nunca a encontrará até deixar de procurar. A tragédia de procurar a felicidade é que ela se nos escapa precisamente porque a procuramos. Uma pessoa precisa de procurar o seu nariz? Portanto, pare! De cada vez que procura a felicidade, está a penas a distanciar-se dela”.
“A história dos seus dias é a história da sua vida. Um dia de cada vez é tudo o que alguma vez terá.”
Citando Maya Angelou: “se não gostar de alguma coisa, modifique-a. Se não pode modificá-la, mude a sua atitude. Não se queixe”.

- a dádiva do amor
“Há muitas e diferentes espécies de amor assim como há diferentes tipos de pessoas.” O amor é uma forma de energia, portanto só é saudável se fluir. “O amor precisa de fluir como a água na natureza para se tornar poderoso. Sem este fluir, a força do amor é limitada, frágil.”
“O amor é uma manifestação de liberdade. (…) Antes de podermos amar, temos de aprender a sentirmo-nos felizes connosco próprios.”

- a dádiva da morte
Não devemos temer a morte, precisamente por ser uma inevitabilidade, e preocuparmo-nos com isso provoca um “inútil e desconfortável sentimento de antecipação e impotência”.
O nosso corpo é um instrumento para realizarmos milhares de coisas diferentes. “A morte foi intencionalmente concebida para nos proteger. (…) A morte física é uma libertação da dor”.

- a dádiva da dor
“A dor é um sistema de alarme excepcional, uma sirene que nos diz quando algo está errado.” Simultaneamente, a dor tem o papel de ensinar-nos. Todos cometemos erros, e como tal devemos aprender com eles.
“A dor nunca é a causa dos nossos problemas, é apenas a consequência”. “A dor emocional é frequentemente apenas o resultados de um modo ineficaz de pensar.”

- a dádiva da compreensão
Cada pessoa é única e tem o seu próprio caminho, daí não devermos julgar ninguém. Devemos tentar compreender cada um, e a própria vida. “A vida não tem um sentido próprio. O sentido da vida vem de nós e das nossas escolhas.” “Os acontecimentos não têm nenhum significado independente. O seu sentido depende sempre da nossa perspectiva e dos nossos objectivos.” Portanto, para a vida ter mais significado, devemos criar objectivos significativos.

Para finalizar, “a sua derradeira finalidade na vida não é conseguir concretizar certos objectivos; a sua derradeira finalidade é conseguir ser feliz e crescer interiormente.”
Tudo o que pensamos determina a nossa acção e a nossa emoção. Portanto, para ser feliz, é necessário ser livre, abrir-se às possibilidades, fluir.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

A Profecia Celestina

“Um livro que surge uma vez na vida para mudar a vida para sempre”
É assim, logo na capa, que se apresenta este livro de James Redfield. A história trata de uma profecia revelada a vários tempos. Ao todo, aqui vão sendo desvendadas nove revelações, como se fossem etapas da vida. Não apenas da vida de uma pessoa concreta, mas também como etapas da humanidade.
Um manuscrito encontrado no Peru está na base de uma série de acontecimentos, de “coincidências significativas”, na vida das personagens. Inesperadamente o narrador toma conhecimento da Primeira Revelação numa conversa de café com uma amiga, e parte para o Peru. As coincidências começam a encaixar, a formar um puzzle… “a Primeira Revelação acontece quando tomamos consciência das coincidências que ocorrem na nossa vida”.
A história vai-se desenrolando, alinhando aparentes acasos, e página após página as revelações vão surgindo. Entre encontros inesperados, perseguições, fugas, momentos de êxtase… No Peru há quem não queira que o conteúdo do manuscrito seja revelado e faça tudo para evitar que as peças se juntem: o governo e a Igreja. Ambos temem que a divulgação do conteúdo das revelações ponha em causa o seu poder e autoridade.

Este é um livro ao qual se pode aplicar o slogan de Pessoa para a Coca Cola: primeiro estranha-se, depois entranha-se…
Aos poucos o enredo começa a absorver-nos. As revelações começam a fazer sentido, a encaixar. A curiosidade aumenta e queremos saber mais de cada revelação, queremos aprofundar o seu conteúdo. Nessa vertente, o livro sabe a pouco. No entanto, a cada página é como se desvendássemos um pouco do segredo. Não apenas em relação à história do livro, mas sobre a nossa vida, a nossa realidade e interacção com os outros. Abrimos portas, passamos a ver o mundo – o nosso mundo, o nosso dia-a-dia – com outros olhos. Nesse aspecto é um livro absolutamente enriquecedor.

“A Profecia Celestina não é apenas a história de uma aventura e de uma descoberta; é, sobretudo, um guia com o poder de reinventar as nossas percepções existenciais e de nos conduzir em direcção ao futuro com renovado optimismo e energia”.

E tudo é energia e interacção…
E é preciso estar a tento às coincidências significativas do dia-a-dia… Nada acontece por acaso.
“Quando alguém se cruza no nosso caminho, traz sempre uma mensagem para nós. Encontros fortuitos são coisa que não existe. Mas o modo como respondemos a esses encontros determina se estamos à atura de recebermos a mensagem.”

domingo, 17 de janeiro de 2010

No teu deserto

Miguel Sousa Tavares classifica-o como "quase romance".

Este é um livro sobre uma viagem no deserto.
Um livro sobre o silêncio.
Sobre duas pessoas que não se conheciam.
Um homem de 36 anos e uma mulher de 21.
Este livro é uma declaração de amor.
Um amor desencontrado. Um amor em tempos diferentes. Um amor que não foi possível.

Duas frases:
" - Cláudia, não precisas de falar só porque vamos calados. A coisa mais difícil e mais bonita de partilhar entre duas pessoas é o silêncio." (p. 97)
"Eis porque já não há ninguém para a travessar o deserto. Ninguém capaz de enfrentar toda aquela solidão." (p. 119)