sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O Palácio da Meia-Noite


O autor começa por alertar no prólogo que era bastante mais novo na altura em que escreveu este livro e que, por isso, o poderia ter alterado e explica porque não o fez: “Pareceu-me mais honesto deixá-lo tal como o escrevi, com os recursos e a tarimba daquele tempo”.
Só posso dizer: ainda bem que não o fez! É um regalo ver os contornos que começam a ser definidos aqui, reconhecer a semente daquela que viria a ser a sua grande obra.
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Do autor: Carlos Ruiz Zafón - diz que cedo (com 5 ou 6 anos) soube que ia ser escritor.
Da obra: começa por publicar «O Príncipe da Neblina» (1993), seguiu-se «O Palácio da Meia-Noite» (1994) e «As Luzes de Setembro» (1995), este último a publicar entre nós assim que houver tradução disponível e para finalizar «Marina». Os três primeiros formam a Trilogia da Neblina que Zafón caracteriza de literatura juvenil.


A consagração enquanto escritor ‘para adultos’ vem em 2001 quando publica «A Sombra do Vento», que rapidamente se torna num dos livros mais lido em todo o mundo. Apesar dos numerosos convites para passar o livro a filme, o autor diz acreditar não ser possível fazer um filme melhor do que aquele que o leitor faz assim que começa a ler a história e que por isso, fazer um filme seria redundante, irrelevante e totalmente desnecessário. Quem lê Zafón sabe do que ele fala…

Segue-se «O Jogo do Anjo» (2008) que rapidamente se converteu, à semelhança de «A Sombra do Vento» num best-seller e sobre o qual já escrevi aqui. Ambos fazem parte de uma tetralogia que o autor dedica à sua cidade natal – Barcelona. Segue-se «O Prisioneiro do Céu» (2011) e quer-me parecer que não vai tardar muito para alguém aqui escrever sobre ele.

Mas vamos ao livro que nos conduz até aqui: «O Palácio da Meia-Noite».
Não tem comparação com «A Sombra do Vento» e nem mesmo com «O Jogo do Anjo», não encontramos nele a Daniel Sempere, nem o Cemitério dos Livros Esquecidos, mas facilmente reconhecemos o condão que conduz cada e todas as histórias que compõem este livro, polvilhado de frases profundas e aparentemente sem sentido.
Uma maldição, um fatídico destino traçado à partida, um espectro que vagueia semeando morte e sofrimento, um segredo escondido durante anos e finalmente revelado, entre outros ingredientes que um seguidor atento de Zafón não terá dificuldade em reconhecer.
O cenário é outro e somos transportados para Calcutá, Índia, anos 30, onde não falta nada para que fiquemos presos a cada linha da primeira à última página.


Da história: Ben e Sheere, dois irmãos gémeos, separados à nascença para conseguirem fugir ao pior dos destinos: o desejo de vingança de Jawahal.
Aryami Bosé, a avó, decide entregar Ben aos cuidados de Thomas Carter que dirige o orfanato St. Patrick enquanto mantem Sheere sob a sua proteção.
Dezasseis anos depois, o terrível Jawahal volta para ameaçar tudo e todos e completar os seus diabólicos planos. No centro deste turbilhão de acontecimentos, oito membros da Chowbar Society - Isobel, Roshan, Siraj, Michael, Seth, Ian, Ben e Sheere – que vão sentir, literalmente, o fogo do ameaçador e sinistro Jawahal, contra o qual vão ter de lutar, vencendo os seus receios mais terríveis.

1 comentário:

Rui Quintas disse...

Mais um post extremamente bem escrito com que a Marginalia nos presenteia. Transpira na sua forma de escrever o seu entusiasmo e paixão pelo que lê. e transmite-nos a nós, visitantes a vontade de partilhar esse entusiasmo. As obras de Zafón acabaram de entrar para a minha lista de livros a ler futuramente!