domingo, 25 de março de 2012

Livros em acordês

A mim já aconteceu resistir ao impulso de comprar um livro pelo simples facto de o mesmo estar escrito em português do acordo ortográfico.
Já alguém teve a mesma reacção?
Quando estamos numa livraria, é possível exigir que o livro que queremos seja escrito em português decente?

quarta-feira, 14 de março de 2012

A Senhora dos Rios

Nas primeiras páginas somos apresentados a Jacquetta - a nossa protagonista - que nos situa cronologicamente na História. Estamos em 1430. Jacquetta priva com Joana d’Arc no Castelo de Beaurevoir, onde permanece enquanto o duque de Luxemburgo tenta negociar a sua entrega aos ingleses. Joana é posteriormente transferida para Rouen onde acaba julgada e condenada por crimes contra a igreja. Jacquetta assiste ao desfecho da donzela de Orléans, pensando com tristeza nos bons momentos que passaram juntas e no significado da carta lançada a Joana: a Roda da Fortuna que pode lançar uma mulher tão alto no mundo como fazê-la descer até uma morte atroz e sem honra.

Enquanto se encontra em Rouen, conhece o Duque de Bedford, regente inglês da França, aquele que viria a ser o seu futuro marido e que lhe dará a conhecer um mundo misterioso de conhecimento e de alquimia. Iniciada pela avó que lhe deixa os seus livros e segredos, Jacquetta vai poder aprofundar o seu dom.
Conhece também o escudeiro do duque, Ricardo Woodville, que vela pela sua segurança e que permanece ao seu lado quando a morte do duque faz dela uma viúva jovem e rica. Os dois tornam-se amantes e casam em segredo. Decidem contudo regressar à Inglaterra para pedir o perdão do Rei e colocar-se ao serviço da corte do jovem monarca Henrique VI.

Depressa os Woodville conquistam uma posição de importância na corte de Lencastre, apesar de Jacquetta pressentir a crescente ameaça vinda do povo da Inglaterra e o perigo dos rivais pretendentes ao trono. Do povo da Inglaterra por não verem com bons olhos o casamento de Henrique com Margarida de Anjou, uma mulher caprichosa e ambiciosa que depressa se torna na verdadeira mão a tomar decisões, enquanto Henrique se revela um Rei inseguro, influenciável e mais interessado em assuntos de religião do que em assuntos de estado.
Mas nem a coragem e a lealdade dos Woodville bastam para manter no trono a Casa de Lencastre. Os tempos são de dificuldade. Henrique VI é considerado incapaz de governar, sendo nomeado regente o duque Ricardo de Iorque. O Rei melhora e retira-lhe o cargo, o que gera mais um confronto entre as forças de Iorque e os partidários do rei. Este acontecimento marca o início da conhecida Guerra das Rosas.

Jacquetta luta pelo seu rei e pela sua rainha com todas as suas forças, mas o destino de ambos há muito que estava traçado. Recorda a visão que teve de uma batalha e dos campos manchados de sangue e mais uma vez vê aquilo que previu tornar-se realidade. Ambos são definitivamente derrotados, abandonando a ilha enquanto Eduardo IV, o primeiro rei da Inglaterra originário de Iorque, sobe ao poder.
Os Woodville regressam à sua casa de campo, afastados da corte e Jacquetta dedica-se aos filhos, nomeadamente à sua filha Isabel, para quem prevê um futuro extraordinário e surpreendente: uma mudança de destino, o trono da Inglaterra e a rosa branca de Iorque.

Tenho a confessar que este não é dos livros mais empolgantes de Philippa Gregory. Deixo-vos as palavras sábias de Jacquetta que resumem a história do livro: «Dizemos que somos os governantes deste país, mas não agimos de acordo com a lei. Dizemos que lideramos estas pessoas, mas não as conduzimos à paz e prosperidade. Nós, os seus senhores, brigamos uns com os outros, trazendo a morte até às suas portas como se as nossas opiniões, pensamentos e sonhos valessem muito mais do que a segurança deles, a sua saúde e os seus filhos.»

terça-feira, 13 de março de 2012

82ª feira do livro de Lisboa

Para quem gosta da feira, já há datas: de 24 de Abril a 13 de Maio, no Parque Eduardo VII.
Está a chegar... comecem a fazer a lista.

domingo, 11 de março de 2012

Pessoa - plural como o universo


Na Fundação Calouste Gulbenkian está patente uma exposição sobre a obra de Fernando Pessoa e seus heterónimos: Fernando Pessoa - plural como o universo.
De forma esteticamente atraente e simples, são dados a conhecer vários textos deste múltiplo poeta.
Vale bem a pena visitar!
E depois... dar um passeio pelos magníficos jardins da fundação.


domingo, 4 de março de 2012

Um Homem: Klaus Klump

Foi este o primeiro livro de Gonçalo M. Tavares. Foi o primeiro escrito por ele e é também o primeiro que li dele. 
Tem uma escrita estranha, ideográfica. Perdemo-nos no fio da história e das personagens, nos diálogos e/ou pensamentos.
Sabemos que se trata de um país qualquer em guerra, com muitas crueldades e sofrimento. Com personagens disfuncionais, algumas com pensamentos de um humor negro e cínico simultaneamente.
Há um cavalo a apodrecer longamente nas ruas de uma cidade, há a prisão de Klaus Klump, há a amante deste e a sua mãe louca, há o homem rico da cidade...
Não sei que mais dizer. Talvez por ser o meu primeiro contacto com o autor, talvez por ser a sua iniciação na escrita, o resultado não me agradou particularmente.
Concluí a leitura mais por ser um livro estranho do que por me estar a agradar.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Pedra de Luz Vol. III - Paneb, o Ardente






Seti sucede a Merenptah, mas quem sabe se o novo Faraó desejará continuar a obra do pai e proteger por sua vez esta pequena aldeia misteriosa cujo futuro parece ameaçado?

Passado o período de luto, Seti é coroado Rei do Alto e Baixo Egipto e novo Senhor Supremo do Lugar de Verdade, rejeitando o filho ao decidir não associá-lo ao trono. Por sua vez, Amenmés decide reinar em Tebas, enquanto decide se avança ou não, em direção a Per-Ramsés, a capital, lançando o Egipto numa guerra civil. Mas nenhum deles quer ser o agressor e atrair para si a maldição dos Deuses.
Ressentido ao saber que a Rainha Tausert espera um filho, Amenmés resolve autoproclamar-se Faraó, com a aprovação dos Sacerdotes de Karnak, emitindo um decreto que faz correr pelo reino. Manda, em seguida, suspender os trabalhos no túmulo de Seti, pondo à prova a lealdade de Néfer e de todos na aldeia. Tudo se resolve a favor deste, instigando ainda mais o ódio que Méhi sente contra o Lugar de Verdade.

Na capital, Seti não reage. O Rei passa os dias junto do filho recém-nascido, angustiado com a sua saúde. É Bai, o chanceler do Rei, quem toma as rédeas do Estado e prepara uma ofensiva para destronar Amenmés. Contudo, esta não avança por Seti ter receio de ficar submetido à influência de Seth que lhe deu o nome, tal é a dor que sente pelo filho não ter resistido. Faz contudo um único pedido à Rainha: que o filho seja inumado numa Morada de Eternidade no Vale dos Reis. Tausert parte de imediato para Tebas, sem escolta, para satisfazer o desejo do Rei. Consegue, com a ajuda do mestre-de-obras, convencer Amenmés e levar avante as suas intenções e ainda sair ilesa de Tebas, apesar do ódio que este sente por ela.

Na aldeia, ainda que os dias sejam conturbados, o nosso protagonista é convidado a apresentar a sua obra-prima, à semelhança de outros antes dele. Revelados os segredos da profissão e depois de ter decorado um túmulo real, é chegada a hora de Paneb descobrir a matéria-primordial. Decide que só poderá fazê-lo através da pintura pelo que começa a decorar a Morada de Eternidade de Néfer, o seu pai adotivo.
Apresenta, aquela que crê ser a sua obra-prima, deixando a todos mudos de admiração. Esta é aceite e animada pela Pedra de Luz, sem a qual não teria qualquer significado. Paneb abre finalmente os olhos e o coração, convidado a conhecer profundamente os mistérios sagrados que irá replicar nas suas novas criações.

No palácio, a saúde de Amenmés declina e este rende-se à evidência de que desperdiçou os melhores anos da sua vida num combate absurdo que não se realizou. Resolve que o melhor será entrar em negociações com o pai, o legítimo faraó e pedir-lhe perdão. Infelizmente o tempo foge-lhe e este acaba por morrer antes de levar avante as suas intenções. Quem não fica nada satisfeito com esta situação é Méhi que vê logrados mais uma vez os seus esforços/desejos secretos para lançar Tebas numa guerra civil e ainda vê reforçada a importância do Lugar de Verdade com a visita oficial de Bai, o chanceler do Rei.
Resolve que está na hora de lançar o derradeiro golpe contra esta pequena aldeia que ele quer ver esmagada e que só poderá levar a cabo com a ajuda do traidor que se esconde no interior da aldeia, oculto nas sombras e que ninguém conseguiu ainda identificar, mas que quer a qualquer preço roubar a Pedra de Luz...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos/Fernando Pessoa

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A Pedra de Luz Vol. II - A Mulher Sábia






Depois da morte de Ramsés, o Grande, todos no Lugar de Verdade vivem dias de grande ansiedade. Ninguém sabe se o novo Faraó desejará continuar a obra do pai mantendo sob a sua proteção a aldeia.
Os inimigos de Néfer não deixam, contudo, de ver aqui uma oportunidade para desacreditá-lo aos olhos do faraó, acusando-o atos ilícitos na qualidade de mestre-de-obras. Aproveitando a visita de Merenptah à aldeia, falsas provas são reunidas, pondo à prova a lealdade de todos para com Néfer. Porém qualquer dúvida é dissipada e todos exultam quando este é oficialmente promovido a mestre-de-obras e Merenptah os tranquiliza relativamente ao seu apoio. Todos serenam menos Méhi, que vê frustrada mais uma tentativa para destruir o Lugar de Verdade. Com o logro, o seu cúmplice cai em desgraça e Méhi vê-se obrigado a suprimi-lo, ocupando o seu lugar. Nomeado administrador-principal da margem oeste, vê-se involuntariamente obrigado a velar para que nada falte ao Lugar de Verdade.


Na aldeia, a Mulher Sábia toma Clara como sua assistente ensinando-lhe tudo o que sabe, preparando a passagem do testemunho.
Neste volume, o destaque é dado a Clara, mulher de Néfer, O Silencioso que ascende a Mulher Sábia, tornando-se mãe sagrada da confraria.
Juntos terão de manter a calma na confraria quando aquele que se move nas sombras e dissimulado danifica as ferramentas, apesar de rigorosamente guardadas e, aliando-se a Méhi, a troco de uma pequena fortuna (contrariando os ensinamentos de Maet que jurou respeitar quando entrou para a confraria), tudo faz para deixar a Néfer desprotegido, logo vulnerável.

Também Paneb, O Ardente merece algum destaque. Néfer e Clara adotam-no como filho e cumprindo uma promessa que lhe fez há muitos anos, Néfer conduz Paneb até Mênfis para lhe confiar o segredo da construção das pirâmides. Enquanto estão na cidade, Merenptah reúne em Per-Ramsés os seus generais para discutirem estratégias de guerra para afastarem uma coligação de tropas inimigas que parece ameaçar as fronteiras do reino. Merenptah sai vitorioso e todos respiram de alívio na capital das Duas Terras.

Chegados ao final deste volume conhecemos a Seti, filho de Merenptah e a esposa Tausert e, por sua vez a Amenmés, o filho que vive na sombra do pai e não esconde o ódio que sente por ambos, mas principalmente pelo pai por ter tomado uma segunda esposa. Não esconde também o desejo de reinar, apesar de saber que o pai será o próximo na linha de sucessão.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Dizem que vem uma vaga de frio no próximo fim-de-semana.
Tempo perfeito para ficar em casa a ler um bom livro.
Leituras aconchegantes para todos.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A Pedra de Luz Vol. I - Néfer, o Silencioso





O romance começa nos últimos anos do reinado de Ramsés o Grande.
Jacq começa por apresentar-nos a Ardente, um jovem colosso de 16 anos, cuja única ambição é passar o resto dos seus dias a desenhar/pintar. Incompreendido pela família, decide abandonar o lar para se apresentar no único lugar capaz de satisfazer os seus desejos - o Lugar de Verdade - uma aldeia misteriosa no deserto que abriga um pequeno grupo de artesãos encarregados da construção dos magníficos túmulos dos faraós.

De seguida, e através de Ardente, conhecemos a Silencioso, que vagueia sem rumo numa busca pessoal, esperando ouvir o apelo para poder apresentar-se junto do tribunal de admissão da confraria do Lugar de Verdade. E, quase em simultâneo, ambos pedem a sua admissão. Silencioso apresenta-se com Clara, que toma por esposa, sendo imediatamente aceite, enquanto Ardente é posto à prova antes dos membros do tribunal concordarem em aceitá-lo como membro da confraria. Nasce entre eles uma amizade sólida e inabalável.

Conhecemos também a Méhi, um oficial tebano, que vive obcecado em descobrir os segredos do Lugar de Verdade e em apoderar-se da Pedra de Luz. Vemo-lo capaz, junto com a esposa Sérketa, que torna sua cúmplice, das mais variadas maquinações, aniquilando todos aqueles que se revelem um obstáculo às suas pretensões.

Acompanhamos o crescimento pessoal de Néfer, o Silencioso enquanto artesão e escultor. E é sem surpresa que todos o aceitam quando este é escolhido para próximo mestre-de-obras.
Ao virarmos a última página, os ventos não trazem bons agouros e todos no Lugar de Verdade ficam inquietos depois da notícia da morte do faraó Ramsés, o Grande.

E em seguida…
A Pedra de Luz Vol. II - A Mulher Sábia

sábado, 7 de janeiro de 2012

Grandes livros inspiram debates

Arranca segunda-feira o ciclo de conferências “Política e pensamento: a voz dos livros”, organizado por Ribeiro e Castro e com a parceria do i, Antena 1 e da livraria Ferin. A ideia é discutir a política de hoje a partir da reflexão sobre os grandes livros que inspiraram o pensamento político e humano.

Os debates têm lugar na livraria Ferin do Chiado, na Rua Nova do Almada, pelas 18h30.

Pedro Lomba
Jurista
O jurista e comentador abre este ciclo de debates que já tem segunda série agendada para arrancar em Setembro. Pedro Lomba vai lançar o debate e a reflexão a partir do “Compêndio da Doutrina Social da Igreja” pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz

Álvaro Santos Pereira
Ministro da Economia
A 19 de Janeiro, o ministro da Economia leva o seu próprio livro, “Portugal na Hora da Verdade”, para a conferência em que é convidado. É uma obra escrita quando era docente na Universidade de Vancouver e que fala de como vencer a crise

João Salgueiro
Economista e ex-ministro das Finanças
O ex-ministro das Finanças e do Plano escolheu levar para a conferência onde estará, a 6 de Fevereiro, um livro de 2010, de Jacques Attali: “Estaremos Todos Falidos Dentro de Dez Anos?”

Carlos Magno
Presidente da ERC
O novo presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) vai abrir o debate a partir de um clássico do século XVI, “O Príncipe”, de Maquiavel, uma das obras fundadoras da ciência política moderna

Mário Soares
Ex-presidente da república
A 5 de Março, o ex-Presidente da República é o convidado deste ciclo de debates, a realizar na livraria Ferin do Chiado, e ficou encarregado de levar uma obra, que ainda está por definir, sobre o tema da construção europeia

Carlos Moreno
Ex-juiz do Tribunal de Contas
O uiz jubilado do Tribunal de Contas vai conduzir o debate de 19 de Março e leva consigo o livro que publicou em 2010: “Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro”. O ex-juiz do TC tem sido muito crítico em relação ao estabelecimento das parcerias público-privadas

João Carlos Espada
Professor universitário
O director do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica escolheu “Da Democracia na América”, um livro em que o francês Alexis de Tocqueville analisa a democracia americana, para o debate a que preside no dia 2 de Abril

João Pereira Coutinho
Comentador
A 16 de Abril o dia é do comentador, que vai propor um debate a partir do livro “Reflexões sobre a Revolução em França”, publicado em 1790 pelo filósofo e político inglês Edmund Burke, um dos pais do conservadorismo anglo-saxónico

José Manuel Fernandes
Jornalista
O jornalista e ex-director do “Público” leva “A Ética Católica e o Espírito do Capitalismo”, de Michael Novak, para a conversa de 7 de Maio. Novak defende que “a ética católica pode corrigir e alargar o espírito do capitalismo” tal como foi definido no clássico de Max Weber

D. Manuel Clemente
Bispo do Porto
O bispo do Porto escolheu “Os Descobridores”, de Daniel Boorstin. O livro faz parte de uma trilogia (“Os Criadores” e “Os Pensadores” são os outros dois) e descreve toda a história do conhecimento humano. A conferência é a 21 de Maio

Jaime Nogueira Pinto
Professor universitário
O investigador estará na livraria Ferin a 4 de Junho a lançar o debate sobre “O Fim da História e o Último Homem”, de Francis Fukuyama, uma obra que faz a apologia da democracia liberal por oposição ao socialismo, após a queda do bloco soviético

Miguel Morgado
Assessor político do primeiro-ministro
A 25 de Junho, este académico, especialista em ciência política e assessor de Passos Coelho leva para o debate “A Utopia”, de Thomas More, uma obra do século XVI que projectou a ideia de uma sociedade perfeita 

Viriato Soromenho Marques
Professor catedrático
A 2 de Julho, Soromenho Marques leva “O Federalista”, de Alexander Hamilton, James Madison e John Jay, três founding fathers dos EUA que reuniram numa obra artigos saídos das reuniões de Filadélfia, para elaborar a Constituição americana.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Deus do Rio






O Deus do Rio é o primeiro livro de uma coleção apaixonante de romances «egípcios» de Wilbur Smith.

Fui, página a página, reconhecendo as personagens de uma mini-série que passou na televisão há alguns anos. Fui tentar apurar há quantos e descobri que é de 1999 e que se baseia no segundo livro da coleção: O 7º Papiro.

Em O Deus do Rio, conhecemos a corte do Faraó Mamose, participamos dos festejos, adoramos os seus deuses e percebemos que este não passa de um símbolo da decadência de um reino que já viveu em tempos dias gloriosos. Os seus súbditos ditos leais vivem com as mãos nos bolsos do Faraó, que não pensa em outra coisa que não seja acumular riqueza no seu túmulo para levar além da eternidade, enquanto o seu povo é obrigado a viver na mais perfeita miséria.

Taita - um escravo de superior inteligência, escreve o destino majestoso da sua jovem ama Lostris e do seu amigo Tanus enquanto a providência conspira para os afastar da sua bela Tebas, a cidade das cem portas. Os horrores de uma batalha que promete ser longa obriga-os a dar
início a uma longa e arriscada viagem para restaurar a majestade do Faraó dos Faraós nas resplandecentes margens do Nilo. Mais desenvolvimentos em O 7º Papiro...mal posso esperar!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Corpo Estranho







Nem sei por onde começar tamanha é a desilusão com o livro e com o seu autor.
Quando ouvimos falar em Robin Cook, invariavelmente ouvimos dizer que ele é o pai do thriller médico e dão-nos conta do seu sucesso ao referirem a sua vasta obra publicada. Contra ESTES factos não há argumentos.
Contudo, confesso que fiquei desiludida ao ler aquele que será o seu 25º título, deveria ter começado pelo primeiro? Terá sido esse o meu erro?

Mas passemos à história:
Jennifer Hernandez, a nossa protagonista, é uma estudante de medicina no seu último ano na UCLA. Enquanto fazia tempo na sala de espera do hospital, olha distraidamente para a TV e fica a saber através da CNN que a sua avó, Maria Hernandez, morreu após cirurgia num hospital na Índia. Chocada, parte de imediato para Nova Deli, devastada pela notícia. Dirige-se ao hospital onde tudo aconteceu e imediatamente é pressionada para tomar uma decisão: cremar ou embalsamar. Jennifer não quer tomar nenhuma decisão precipitada e tenta ganhar tempo enquanto procura respostas e recuperar do jet-lag. Nessa mesma noite, sem conseguir dormir, liga a TV para procurar pôr-se a par de possíveis desenvolvimentos na CNN sobre a história da avó. Fica a saber de mais um caso de morte e começa a suspeitar de que algo de estranho se passa.

Acorda e lembra-se de procurar o apoio de Laurie, uma amiga de longa data e que por mero acaso ela e o marido são patologistas forenses e ambos trabalham como médicos legistas (coincidência fantástica?!). Imediatamente, Laurie e Jack viajam até à Índia (como se a Índia estivesse logo ali ao virar da esquina), para examinarem o corpo de Maria Hernandez, quando o hospital se recusa terminantemente a efetuar uma autópsia. No dia seguinte, outro hospital regista mais uma morte. Imediatamente Jennifer entra em contacto com as viúvas e pede-lhes para não tomarem qualquer decisão em relação aos corpos, porque aguarda a chegada dos amigos que irão desvendar o dito mistério (que, nós leitores, já conhecemos desde as primeiras páginas do livro!). Jennifer faz entretanto algumas investigações por conta própria, ganhando alguns inimigos que procuram tirá-la do seu caminho.

Os amigos chegam finalmente a Nova Deli e dirigem-se ao Queen Victoria Hospital para uma consulta marcada previamente de Nova Iorque. Após a consulta, colocam o médico a par da razão da sua vinda à Índia e ainda conseguem a sua (preciosa) ajuda para realizarem a autópsia (terminantemente negada pelo hospital onde este trabalha!), como se fosse a coisa mais natural do mundo, e ainda trata de conseguir as instalações perfeitas à sua realização (qual é a probabilidade de isso acontecer na vida real? mais uma coincidência fantástica!). Conseguem em seguida tirar o corpo de Maria Hernandez do hospital e realizar a autópsia. Enquanto isso, Jennifer é raptada pelos conspiradores que querem perceber o que a fez suspeitar das mortes não serem naturais. Enquanto Laurie e Jack tentam chegar até junto dos outros dois corpos (e conseguem com a maior das facilidades), Jennifer consegue evadir-se precisamente com a ajuda da enfermeira que matou a sua avó...!
Os conspiradores são punidos e como num conto de fadas, todos vivem felizes para sempre! E o mais incrível é que tudo acontece no espaço de uma semana...


A conspiração é-nos revelada assim que Jennifer aterra na Índia, não chego a perceber onde está o dito mistério e quanto ao suposto suspense, não chego a perceber de todo! Na minha (modesta) opinião, o livro revela uma TREMENDA FALTA de imaginação, e se não estivéssemos a falar de Robin Cook, diria que o livro fora escrito por um amador neste tipo de enredos...

sábado, 19 de novembro de 2011

A Curva do Rio


“O mundo é o que é; os homens que não são nada, que se permitem tornar-se nada, não têm lugar nele”
É com esta frase que V. S. Naipaul, prémio Nobel da Literatura em 2001, inicia A Curva do Rio, cuja história decorre num país africano sem nome, numa cidade interior, na curva de um rio.
Salim, um jovem filho de indianos, compra uma loja numa cidade do interior desse país africano e pensa que assim terá um bom futuro. Mas num país pós-colonial, com enormes atrasos e sem sociedades desenvolvidas no sentido europeu, o conflito é uma realidade permanente.
A cada linha vemos as relações de dependência entre as pessoas, a escravatura, a pobreza, corrupção. Ao lado disto, temos um poder político omnipresente, primeiramente como esperança, depois como a única realidade dominante. E que a mim fez lembrar Orwell no seu assustador 1984.
Salim não tem grandes relações sociais. Num país africano, ele é indiano e as suas relações mais próximas são com indianos. De entre essas relações destacam-se um casal também comerciante que foi para a cidade, mas que vive de medo. Um casal de aparência social com o qual almoça uma vez por semana.
Além deste casal há Metty, um escravo da sua família que é impingido para ir viver com ele nessa cidade do interior. É muito interessante ver a relação entre ambos ou, indo mais além, seguir a ligação existente entre esses escravos e os seus senhorios. Em muitas situações é o escravo que acaba por ser o senhor. A relação entre Salim e Metty oscila entre a quase cumplicidade e o parasitismo puro.
Há ainda um amigo de juventude que graças aos estudos consegue ser próximo do presidente. É colocado na Cidade Nova, reencontra Salim, e a partir daqui seguem-se várias peripécias romanescas e as soirées (lembrou-me Os Maias) com pessoas relevantes socialmente. Raymond escreve discursos do Grande Chefe, é seu conselheiro privilegiado. Mas num país em ebulição, rapidamente cai em desgraça.
Em termos gerais, a história decorre num país pós-colonial, inicialmente cheio de esperança no progresso e no futuro. Mas rapidamente há um desmoronamento social, e é dramático ver o que acontece a todas as personagens. Da esperança passam ao descrédito. A violência, a corrupção, as guerras, rapidamente transformam em tragédia qualquer sonho, por mais básico que seja. A esperança depositada num novo poder político, com traços de iluminismo, rapidamente dá lugar a mais um regime totalitário. Os amanhãs que cantam vestidos de violência, tragédia, cegueira social. Tudo sempre com a melhor das intenções.
Aquilo que associamos normalmente a África aparece nesta obra em todo o seu esplendor. A Curva do Rio é um retrato dramático deste continente mergulhado numa permanente instabilidade e sem perspectivas de uma vida normal. 
(Declaração de interesses: sou manifestamente eurocêntrico).
Pelo tipo de personagens e pelos países que vão sendo citados, percebemos que este país sem nome fica próximo do Corno de África, algures entre a Tanzânia e a Somália.


Fora do âmbito da obra, o que me fez mais comichão no céu-da-boca foi o facto de já estar impresso em versão acordo ortográfico. Se esta alteração passa despercebida em quase todo o texto, há no entanto palavras que chocam. Destaco apenas uma palavra que surge inúmeras vezes e que é intragável: receção (em vez de recepção). Ler isto, e tentar articular de viva voz, é uma aberração.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Filha Pródiga





Mais um livro deste grande contador de histórias.

Mas o que é deveras fascinante em A Filha Pródiga é a forma como Archer reinventa a história das personagens que nos deu a conhecer em Kane & Abel
para nos contar a história da filha deste último – Florentyna Rosnovski. Apesar de recordamos cada um dos episódios, acrescenta a versão de um novo protagonista, têm de concordar que é de mestre!

Em Kane & Abel testemunhamos um duelo de titãs entre dois homens obstinados em se destruírem um ao outro, em A Filha Pródiga, a luta continua com Florentyna, filha de Abel. Dotada de beleza, de uma personalidade única e principalmente de uma vontade férrea ambiciona apenas uma coisa - ascender ao mais alto dos cargos.


Conhecemos Florentyna ainda criança e desde cedo ficamos com a impressão de que está destinada a grandes feitos, isso é certo, e no final de cada capítulo agarramo-nos a cada palavra como se fosse a última e no entanto há ainda muito para contar. É extasiante!
Se não fosse suspeita, diria que de uma singularidade, Archer consegue montar uma história que muitos diriam conhecer e no entanto lemo-la como se fosse a primeira vez!
A prova de que os filhos continuam a saga desta família singular. Recomendo!