segunda-feira, 8 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Milagrário Pessoal
"Iara, jovem linguista portuguesa, faz uma incrível descoberta: alguém, ou alguma coisa, está a subverter a nossa língua, a nível global, de forma insidiosa, porém avassaladora e irremediável. Maravilhada, perplexa e assustada, a jovem procura a ajuda de um professor, um velho anarquista angolano, com um passado sombrio, e os dois partem em busca de uma colecção de misteriosas palavras, que, a acreditar num documento do século XVII, teriam sido roubadas à “língua dos pássaros”. Milagrário Pessoal é um romance de amor e, ao mesmo tempo, uma viagem através da história da língua portuguesa, das suas origens à actualidade, percorrendo os diferentes territórios aos quais a mesma se vem afeiçoando.”
No fim, nem tudo é como parece ser…
Uma das coisas que mais gostei neste livro, tal como noutros que já li do José Eduardo Agualusa, é ser embalado pelas palavras. Agualusa tem a arte de fazer magia com as palavras, levando-nos a territórios inesperados e que, recorrentemente, deixam um sorriso nos lábios.
Por exemplo:
“Me permita que lhe apresente Plácido Domingo! Este aqui não sabe cantar, não. Ainda assim eu o acho mais legítimo que o tenor. Ele é tão plácido e tão domingo que sempre que nos visita parece que o tempo abranda. A gente se esquece das horas.”
“Os milagres acontecem a cada segundo. Os melhores costumam ser discretos. Os grandes são secretos.”
“O que é a pátria?, perguntou. A voz era cálida e melodiosa como a de um hipnotizador. Uma pátria pode ser um cheiro. Um buquê de cheiros. Pitangas, terra molhada, o capim macerado.
Ou um verso, acrescentou Alexandre Anhanguera, um simples verso. Há versos onde cabe inteira a minha pátria.”
“Também eu cresci dividido entre a sala de estar e o quintal. Dividido? Escrevi dividido? Perdão, por vezes distraio-me e erro um pouco. Permitam-me que corrija: cresci acrescentado entre a sala de estar e o quintal.”
“Difícil é um homem encontrar uma mulher diante da qual todas as restantes pareçam uma redundância.”
Ao longo deste pequeno romance, vamos mudando de registo linguístico. Ora estamos no português de Portugal, ora vamos ao Brasil, ora estamos em Angola. Estas mudanças nas palavras e nas frases são um exercício muito enriquecedor e curioso.
Adquiri este livro na feira do livro deste ano, onde tive oportunidade de pedir um autógrafo ao José Eduardo Agualusa. Um homem de uma simplicidade e simpatia assinaláveis.
Podem ler uma entrevista ao autor a propósito deste livro no Porta-livros.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Sputnik, meu amor
É o primeiro livro que leio do aclamado autor japonês Haruki Murakami... O que dizer?
Confesso que há qualquer coisa que me deixa indeciso na forma de falar deste livro.
Em traços gerais, é a história de um ou vários amores não correspondidos.
Sumire é uma jovem que sonha ser escritora. K, um professor primário, é o seu confidente, com quem tem longas e estranhas conversas, às horas mais inusitadas da madrugada. Num casamento, Sumire conhece Miu, mulher de meia-idade por quem se apaixona e de quem vai ser secretária. A relação entre estas duas mulheres é estranha, pois nunca há uma assunção enquanto tal. Numa viagem pela Europa, em negócios, estas duas mulheres vão parar à Grécia, onde Sumire desaparece misteriosamente. Para ajudar na procura, Miu chama K…
Um ponto que ressalta neste livro é a dificuldade em estabelecer relações com o outro. Cada um dos elementos deste triângulo vive num ambiente de solidão, que não é anulado pelo contacto que vão estabelecendo entre si. Há apenas contacto, sem ligações profundas. Essa dificuldade/dor perpassa ao longo das quase 200 páginas deste livro. A solidão marca cada página, cada diálogo, cada interacção entre as personagens. Há uma barreira invisível que limita essa aproximação com o estabelecimento de relações significativas. Há qualquer coisa que falta.
Não por acaso, Sputnik significa companheiro de viagem, em russo.
Sobre Murakami?
Talvez tenha a ver com a edição que li (da Biblioteca Sábado), em que as frases são demasiado correntes (vulgares?) e contém vários erros de português, mas é um autor que não me convenceu por completo. No entanto, tendo em conta muitas opiniões que li e ouvi, estou curioso em ler “Kafka à beira-mar”.
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sábado, 8 de setembro de 2012
A Queda dos Gigantes
Com este livro, Ken Follet dá início à trilogia O Século, e apresenta-nos a história de cinco famílias que se cruzam entre si, e que coincidem com factos históricos do início do século XX.
Com início em 1911, e estendendo-se até 1924, este longo romance dá-nos um fresco sobre a história europeia e mundial. Atravessa vários cenários, desde o País de Gales até os corredores do poder inglês, passando pelas trincheiras da I Guerra Mundial, pelo movimento sufragista feminino, pela revolução soviética...
Ao longo de todo o livro é bem claro o confronto entre as várias classes, poderes e interesses que se digladiaram no confronto bélico.
Mas há mais além do registo histórico: há os amores proibidos, há as relações de conflito entre pais e filhos, há a pobreza, há a força do religioso, há a ebulição do socialismo.
À volta de cinco famílias (americana, alemã, inglesa, russa e galesa), Ken Follett constrói um romance histórico bastante plausível. Claro que há elementos que parecem estar a ser vistos muito com o olhar do início do século XXI, e que são estranhos quando contextualizados no início do século XX, mas não são demasiado perturbadores para a narrativa – pelo menos para mim, que prefiro ver as grandes tendências da História do que deter-me em pormenores.
A proximidade que os membros destas cinco famílias acabam por ter é, simultaneamente, estranha para a época e enriquecedora pelo claro confronto de posições que representa. O quadro destas famílias acaba por ser o seguinte: a elite europeia (famílias inglesa e alemã), o povo (famílias galesa e russa), o corrupto (família americana... que no fundo é uma família russa que emigrou para os EUA).
Descendo do patamar político, é interessante ver o papel que cabe às mulheres naquele tempo e naquela sociedade. E a força que tiveram (exagerada no livro?) para conseguir o voto feminino.
Em resumo, foi um livro que gostei muito de ler, apesar de lido em duas “prestações”, o que fez com que levasse mais de um ano a lê-lo. Um livro com mais de 900 páginas não permite uma leitura rápida em termos logísticos.
O livro seguinte desta trilogia já está encomendado: O Inverno do Mundo.
O primeiro livro da trilogia já deixou algumas pistas pelo caminho que irão ter destaque no livro II: o ódio aos judeus por parte da elite alemã começa a aflorar; o "desvio" da revolução soviética face à promessa inicial; a emergência de personagens como Churchill....
Acho que vou gostar de ler a continuação.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
domingo, 29 de julho de 2012
Outliers
Foi através de um blogue sobre livros que cheguei a este livro: Outliers, de Malcolm Gladwell.
A forma apaixonante como estava apresentado fez com que o comprasse na feira do livro. E valeu a pena!
Malcolm Gladwell, de uma forma simples, convincente e sedutora, apresenta os motivos porque muitos têm sucesso e outros não. Mas não se pense que esta explicação é um tratado maçador de sociologia. Trata-se, isso sim, de um conjunto de casos concretos, muitos conhecidos de todos nós, que são a base para a tese apresentada pelo autor.
Frequentemente todos atribuímos o sucesso à personalidade rara de quem tem sucesso. Mas há muito mais além disso.
Antes de mais, há a oportunidade. Quem tem sucesso, alcança-o por ter tido uma oportunidade. E esta oportunidade, muitas vezes, é fruto de circunstâncias alheias à pessoa. Os Beatles, Bill Gates, bons jogadores de futebol, a que devem o seu sucesso?
Há a circunstância das 10 mil horas de treino; há o facto de se ter nascido num determinado mês do ano; há a contingência de ter tido quem pudesse oferecer um computador numa dada época; há o ser judeu; há o ser especializado numa área que, de repente, se torna fulcral… “Dispõem de uma oportunidade que não mereceram nem conquistaram. E essa oportunidade desempenhou um papel crucial no sucesso deles.”
Além de vidas mais ou menos famosas, Gladwell foca situações de pessoas comuns que conseguiram. E outras que, apesar de todos os esforços, não chegaram lá. Por exemplo, famílias cujos pais foram apanhados pela crise do início do séc. XX, e não conseguiram evoluir. Mas cujos filhos, por terem nascido alguns anos depois, apanharam a onda do crescimento económico que lhes permitiu singrar. “O sucesso não é um fenómeno fortuito. Emerge de um conjunto previsível e poderoso de circunstâncias e oportunidades”, que uns tiveram e outros não. E uma variável para este fatalismo é apenas o ano de nascimento.
Além das oportunidades, Gladwell escreve sobre a importância do legado. E nesta parte do livro disseca o motivo de haver países com mais acidentes de aviação que outros, países com mais predisposição para a matemática que outros… Nada é por acaso.
Nesta segunda parte, o autor alonga-se, por exemplo, nos motivos porque estudantes do mesmo ano têm resultados tão díspares. Terá a ver com a proveniência social? Com o tempo de estudo? Com a duração do ano lectivo? Achei esta parte muito interessante, atendendo aos resultados que Portugal costuma apresentar nestas matérias. E, olhando para algumas medidas recentes do ministro Nuno Crato, percebe-se perfeitamente onde quer chegar.
Realço algumas das frases que ajudam a perceber o sentido das teses de Gladwell:
- "A prática não é o que se faz quando se é bom. É o que se faz para nos tornarmos bons."
- "O sentido de possibilidade tão necessário não vem só de dentro de nós ou dos nossos pais. Vem do nosso tempo: das oportunidades particulares que o nosso lugar particular na história nos oferece."
Se folheado o livro parece assustador, com tabelas, listas e gráficos, não o é de facto. É um livro muito útil, curioso, empolgante, questionador. É daqueles em que se aprende mesmo alguma coisa.
Aproveitando o que li e aprendi neste livro, e olhando para alguns factos da minha vida, consigo encaixar o puzzle que me permitiu estar onde estou e ser quem sou hoje. Situações aparentemente sem importância, mas que funcionaram como agulhas no percurso seguido, tal como num caminho-de-ferro. Se me debruçar com mais atenção, certamente irei encontrar muitos pontos que se enquadram naquilo que Malcolm Gladwell chama de "oportunidade" e de "legado".
Esta eu não sabia:"porque são redondas as tampas dos poços?"
"A resposta é que uma tampa não pode cair pelo buraco, por mais que se tente fazê-la passar. Uma tampa rectangular podia cair, bastaria pô-la em posição vertical ou oblíqua."
Vá, já podem concorrer à Microsoft...
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terça-feira, 24 de julho de 2012
O Mago
Esta é mais uma história sublime, sobre uma
civilização grandiosa. Wilbur Smith traz de volta a Taita, no papel do Mago, que
conhece as tradições dos antigos Deuses melhor que ninguém, mestre da magia e
do sobrenatural.
É mais uma vez chamado a proteger aqueles que
lhe são mais queridos, o trono e o reino do Egipto, contra as forças do mal que
ameaçam destruir o príncipe Nefer, neto da rainha Lostris.
Depois de O Deus do Rio, O Sétimo Papiro e O Mago,
a saga continua e acaba com A 11ª Praga.
É realmente uma pena que este seja o último da
coleção…mas de uma coisa eu estou certa, vou ADORAR este tanto quanto os outros!!
domingo, 15 de julho de 2012
Diz que há quem considere que até escrevo umas coisas engraçadas.
Vai daí, os meus amigos ofereceram-me um Workshop de Escrita Criativa.
E a página-metade ofereceu-me um livro de "um dos melhores contadores de histórias que há anos percorre as cidades e aldeias de Espanha e Portugal".
É sempre bom descobrir coisas novas.
domingo, 8 de julho de 2012
Pode Curar a Sua Vida
Este pequeno livro de Louise L. Hay tem uma mensagem muito simples: aquilo que pensamos torna-se realidade. Ou seja, o nosso quadro mental acaba por materializar-se no nosso dia-a-dia, seja na vida social, afectiva, profissional, na saúde, em tudo.
Embora esta tese pareça complexa, ou até sem sentido para alguns, o facto é que “aquilo que emitimos mental ou verbalmente regressa a nós na mesma forma”.
Quem quiser testar isto de forma simples pode reparar que nos dias em que está furioso com “a vida” tudo corre mal, mas nos dias em que anda nas nuvens tudo corre maravilhosamente. Será apenas fruto das circunstâncias e das coincidências?
Com uma vertente muito prática, Louise Hay, uma das gurus do new age, dá-nos dicas, mostra-nos outras perspectivas, abre-nos o horizonte para podermos receber tudo o que desejamos. E conseguirmos curar aquilo que não vai tão bem na nossa vida.
A autora conta ainda o seu exemplo, e como conseguiu ultrapassar um cancro. “O cancro é um mal-estar provocado por um ressentimento profundo durante um período prolongado até que, literalmente, corrói o corpo”.
Quando nos aceitamos, quando nos amamos, quando estamos em harmonia connosco, tudo flui naturalmente e somos felizes.
Este é um perfeito livro de cabeceira.
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sábado, 7 de julho de 2012
Respondendo ao desafio...
1. Principais manias como leitor?
Hummm... não acho que tenha manias...
- Mas gosto de sublinhar frases que entendo como aforismos ou que de alguma forma me dizem algo. E voltar a relê-las anos depois e continuar a gostar do que sublinhei.
- Consoante a pausa na leitura seja no início ou fim da página, o marcador fica virado para cima ou para baixo.
- Criei um código para marcar no telemóvel a página em que está alguma frase que me agrada e depois sublinhá-la, caso não tenha um lápis na altura da leitura.
Afinal sou capaz de ter algumas manias... :)
- Consoante a pausa na leitura seja no início ou fim da página, o marcador fica virado para cima ou para baixo.
- Criei um código para marcar no telemóvel a página em que está alguma frase que me agrada e depois sublinhá-la, caso não tenha um lápis na altura da leitura.
Afinal sou capaz de ter algumas manias... :)
2. Lugar a visitar depois de teres lido o livro?
Depende do livro.
3. Personagem literária marcante?
Não me recordo de nenhuma de momento. Ops!
4. Filme que não desiludiu depois de teres lido o livro?
"As Pontes de Madison County".
Há ainda um filme que adorei e cujo livro tenho receio de ler: "O estranho caso de Benjamin Button". Este filme foi tão superlativo que tenho medo de perder a sua magia se ler o livro.
Há ainda um filme que adorei e cujo livro tenho receio de ler: "O estranho caso de Benjamin Button". Este filme foi tão superlativo que tenho medo de perder a sua magia se ler o livro.
5. Autor nunca lido mas tens vontade de ler?
Thomas Mann (n'A Montanha Mágica) ou Dostoievsky (com O Idiota)
6. Livro que não conseguiste acabar?
Vários. Mas realço "Guerra e Paz", que já tentei duas ou três vezes...
7. Tema para um livro da tua autoria?
Julgo que não teria um tema exclusivo. A imaginação é uma coisa surpreendente e aleatória.
Mas, quanto ao estilo, seria clara a influência do fantástico de Gabriel Garcia Marquez. Basta ler alguns esboços de contos que tenho para perceber a evidência dessa faceta. Gosto de ser surpreendido quando leio, por isso também me agrada surpreender. Confesso que quem leu gostou.
Mas, quanto ao estilo, seria clara a influência do fantástico de Gabriel Garcia Marquez. Basta ler alguns esboços de contos que tenho para perceber a evidência dessa faceta. Gosto de ser surpreendido quando leio, por isso também me agrada surpreender. Confesso que quem leu gostou.
8. Citação retirada de um livro?
"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo".
Esta primeira frase de Cem Anos de Solidão assalta-me de vez em quando, ou não fosse este o meu livro preferido.
Esta primeira frase de Cem Anos de Solidão assalta-me de vez em quando, ou não fosse este o meu livro preferido.
9. Um livro inspirador?
Depende do estado de espírito em cada momento e em cada livro lido. Mas posso apontar o último que li: "Pode Curar a Sua Vida", de Louise L. Hay.
Depende do estado de espírito em cada momento e em cada livro lido. Mas posso apontar o último que li: "Pode Curar a Sua Vida", de Louise L. Hay.
10. Último livro que compraste por impulso?
"Uma parte do todo", o primeiro romance de Steve Toltz. Do que espreitei, é uma história absolutamente delirante de uma família australiana.
Página-metade, é a tua vez ;)
"Uma parte do todo", o primeiro romance de Steve Toltz. Do que espreitei, é uma história absolutamente delirante de uma família australiana.
Página-metade, é a tua vez ;)
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Desafio Literário II
aqui fica mais um desafio literário para quem estiver inspirado...
1.
Principais manias como leitor?
2.
Lugar a visitar depois de teres lido o livro?
3.
Personagem literária marcante?
4.
Filme que não desiludiu depois de teres lido o
livro?
5.
Autor nunca lido mas tens vontade de ler?
6.
Livro que não conseguiste acabar?
7.
Tema para um livro da tua autoria?
8.
Citação retirada de um livro?
9.
Um livro inspirador?
10.
Último livro que compraste por impulso?
quarta-feira, 20 de junho de 2012
terça-feira, 19 de junho de 2012
Onde está o Coração
Esta é a história de Novalee Nation, que aos 17 anos se vê grávida de 7 meses, com 17 kilos a mais. Saiu de casa com o namorado Willy Jack, um aspirante a músico, convencida de que iria ter uma vida melhor na Califórnia e uma paragem para ir à casa de banho num Wal-Mart acaba por mudar a sua vida para sempre... Ao sair da loja, Willy Jack desaparecera, deixando-a com apenas 7.77 dólares no bolso e uma polaroid.
Não era suposto ter sido assim, mas Novalee sempre teve azar com os 7.
Com os sonhos desfeitos e sozinha naquele lugar onde todos lhe são estranhos, Novalee não sabe o que fazer e encolhe-se num banco do parque de estacionamento enquanto pensa como foi que chegou até ali. Ela não sabe, mas está prestes a conhecer um grupo de pessoas muito diferentes mas profundamente afectuosas que vão mudar o seu pequeno mundo.
Entre essas pessoas está a Irmã Thelma Husband, uma mulherzinha de cabelo azulado e um grande sorriso, que lhe oferece conselhos e fotocópias da Bíblia, uma mulher que lhe ensinaria o que quer dizer lar - o lar é o sítio que nos pode agarrar quando caímos e todos nós caímos.
O sensato, afável e velho fotógrafo, Moses Whitecotton, um homem de pele negra que lhe colocaria nas mãos uma máquina fotográfica e lhe ensinaria que o mais importante era ela saber que, no momento em que ela tirava uma fotografia, estava a ver uma coisa de uma maneira que mais ninguém iria ver. Nunca esqueceria as suas palavras: não estejas assustada...lembra-te de que sabes tirar fotografias com o coração.
Benny Goodluck, um rapazinho moreno de voz doce que lhe deu uma árvore cheia de magia, dá sorte, ajuda-nos a encontrar coisas de que precisamos...ajuda-nos a encontrar o caminho para casa, se nos perdermos, disse-lhe ele.
Lexie, uma mulher cheia de vida que não sabia dizer não e que lhe ensinaria o que é a amizade, vê bem o que já conseguiste, Novalee...olha tudo o que fizeste, sozinha.
Forney Hull, o excêntrico bibliotecário da cidade, que esconde os seus segredos e sentimentos por detrás dos seus livros e barrete de malha castanho e que, no entanto, lhe ensinaria o que é o amor, o que eu quero, Novalee, é estar contigo... estar contigo e com a Americus.
E uma criança chamada Americus que lhe ensinaria a confiar na felicidade.
No final, Novalee sorri à sua pessoa de 17 anos, porque apesar de todas as contrariedades conseguiu ser feliz. Este é um livro que nos faz acreditar na força da amizade, do amor e na bondade de pessoas que, com gestos simples, podem mudar o mundo, ainda que tenha sido apenas o mundo de Novalee.
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Como é possível não acreditar que há livros que estão destinados a vir parar-nos às mãos? Na semana passada mudei de instalações e foi necessário limpar armários. A minha colega sabe que adoro livros e pergunta se quero ficar com este. Não olhei bem para ele, mas não ia abandonar um livro à sua sorte. Quando consegui ler a sinopse, qual o meu espanto quando vejo que se trata do livro que deu origem ao filme "A Voz do Coração" com a Natalie Portman!! Inacreditável! Havia adorado o filme, tanto quanto agora o livro!!
segunda-feira, 18 de junho de 2012
O Nascimento de Vénus
Se tivesse de resumir o livro a não mais do que algumas palavras, dira que é uma história de amor, erotismo e morte na Florença renascentista.
«Alessandra Cecchi tem quase quinze anos quando o pai, um próspero mercador de tecidos, contrata um jovem pintor para pintar um fresco na capela do palazzo da família. Alessandra é uma filha da Renascença, tem uma mente precoce e um temperamento artístico… e rapidamente fica inebriada pelo génio do pintor.
Muitos anos depois, a irmã Lucrezia morre no convento onde passou grande parte da sua vida. Perplexas, as outras freiras observam a estranha serpente tatuada no seu corpo.
É que, antes de entrar para o convento, a irmã Lucrezia era Alessandra. Jovem, bela e inteligente, ela viveu o esplendor e luxo da Florença renascentista, conviveu com os ricos e poderosos, criou, amou, transgrediu... Como foi ela parar àquele convento? O que significa a tatuagem na sua pele? Quais foram afinal as causas da sua morte?»
Um envolvente romance de mistério e paixão no século XV, a retratar em detalhe e minúcia a arte, riqueza e podridão de Florença.
É mais uma vez um romance de amor, mistério e arte com uma mulher que vive desafiando os costumes da época, em toda a sua irreverência. Toma-nos pela mão e convida-nos a entrar numa Florença renascentista, um dos mais formidáveis centros de cultura e arte da história da humanidade.
-----------------------
Não posso deixar de concordar com as palavras do repórter do Daily Telegraph:
"Sarah Dunant retrata de uma forma viva e intensa a Florença Renascentista: a imoralidade, a brutalidade, a vitalidade, as maquinações políticas... magistral!! "
«Alessandra Cecchi tem quase quinze anos quando o pai, um próspero mercador de tecidos, contrata um jovem pintor para pintar um fresco na capela do palazzo da família. Alessandra é uma filha da Renascença, tem uma mente precoce e um temperamento artístico… e rapidamente fica inebriada pelo génio do pintor.
Muitos anos depois, a irmã Lucrezia morre no convento onde passou grande parte da sua vida. Perplexas, as outras freiras observam a estranha serpente tatuada no seu corpo.
É que, antes de entrar para o convento, a irmã Lucrezia era Alessandra. Jovem, bela e inteligente, ela viveu o esplendor e luxo da Florença renascentista, conviveu com os ricos e poderosos, criou, amou, transgrediu... Como foi ela parar àquele convento? O que significa a tatuagem na sua pele? Quais foram afinal as causas da sua morte?»
Um envolvente romance de mistério e paixão no século XV, a retratar em detalhe e minúcia a arte, riqueza e podridão de Florença.
É mais uma vez um romance de amor, mistério e arte com uma mulher que vive desafiando os costumes da época, em toda a sua irreverência. Toma-nos pela mão e convida-nos a entrar numa Florença renascentista, um dos mais formidáveis centros de cultura e arte da história da humanidade.
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Não posso deixar de concordar com as palavras do repórter do Daily Telegraph:
"Sarah Dunant retrata de uma forma viva e intensa a Florença Renascentista: a imoralidade, a brutalidade, a vitalidade, as maquinações políticas... magistral!! "
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Livro (em) Directo
Na Visão desta semana, há uma reportagem sobre Pedro Chagas Freitas, o "turbo-escritor".
No próximo fim-de-semana, entre as 9h30 de sábado e as 18h38 de domingo, ou seja, durante 2012 minutos, vai escrever ininterruptamente o Livro (em) Directo.
Para esta brincadeira contará com mais 21 pessoas no desenvolvimento dos capítulos.
Esta ideia peregrina, deste jovem de 32 anos, não é nada de estranho. Já em 2010 publicou dez obras de uma só vez.
É possível seguir a obra em Livro2012.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
O Terceiro Homem
“O Terceiro Homem não foi escrito para ser lido, mas sim para ser visto”, indica o prefácio em jeito de apresentação.
De facto, esta história foi escrita como argumento para um filme realizado e interpretado por Orson Welles, em 1949.
A acção decorre em Viena, no rescaldo da II Guerra Mundial, estando a cidade então dividida entre as quatro potências aliadas (Rússia, Inglaterra, França e Estados Unidos).
Holly Martins (que no meu livro é Rollo Martins…) chega à cidade para encontrar-se com o amigo Harry Lime, mas este tinha sido atropelado e falecera. Vai apenas ao seu funeral.
Martins, sendo um escritor medíocre, veste a pele de espião para desvendar o que realmente está por trás da morte de Lime. Assim, vai descobrindo que o seu amigo estava envolvido em situações pouco claras.
Apresentando-se sempre como muito amigo de Harry Lime, conhece várias personagens que lhe vão permitir perceber quem realmente era o amigo, e esclarecer o que se passou na noite do atropelamento. Esta investigação por conta própria, em clima de constante suspense, vai levá-lo a desvendar segredos do seu amigo, que afinal era um homem sem escrúpulos.
A reviravolta final acontece nos últimos capítulos, quando Martins vê alguém numa esquina…
E nada é o que parece.
Sem uma escrita fulgurante, Graham Greene pinta um mundo de espionagem na Europa de meados do séc. XX.
Ao longo das poucas páginas deste livro, sentimos a tensão de uma investigação feita nesse ambiente pós-guerra, em que ninguém é de confiança, e ninguém pode desconfiar da verdadeira intenção de Martins.
Um aspecto que me perturbou na leitura foi a quase indefinição de um narrador. Ora esse papel cabia a um polícia-espião que, de certa forma, acompanha Martins, ora não há esta terceira pessoa a contar a história de fora.
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O Terceiro Homem
quarta-feira, 23 de maio de 2012
O Sétimo Papiro
Tudo começa quando Duraid Al Simmu e Royan descobrem no túmulo da rainha Lostris uma série de papiros deixados por Taita, o seu escravo pessoal. Os papiros são o seu último tributo, o seu legado além-túmulo e parecem ser uma espécie de diário.
Ao decifrarem cada um deles, rapidamente descobrem que o sétimo papiro poderá conter a chave de um segredo com cerca de quatro mil anos. Nele, Taita, relata o funeral do faraó Mamose e regista a grandiosidade dos tesouros que o acompanham na sua viagem para o além. Duraid Al Simmu e Royan estão certos de que, decifrando os enigmas de Taita, ser-lhes-á revelada a localização exata do túmulo do Faraó Mamose.
Mas, ainda antes do papiro estar completamente decifrado, Duraid é brutalmente assassinado e os cadernos, todas as suas notas e o papiro desaparecem. Royan consegue escapar e sofre mais uma tentativa para acabarem com a sua vida. Parece haver alguém obstinado e disposto a tudo para localizar o tesouro.
Depois das cerimónias fúnebres, Royan resolve regressar a Inglaterra para cumprir a promessa que fizera a Duraid antes de ele morrer. Sem perder tempo, procura Nicholas Quenton-Harper, um aristocrata e eminente colecionador de antiguidades (não pode ser verdadeiramente chamado de arqueólogo) e desafia-o a partir rumo à Etiópia em busca do túmulo perdido do Faraó Mamose. Quenton-Harper não pensa duas vezes. Além de que esta poderá ser a oportunidade que esperava para sair do buraco financeiro em que se encontra, a ideia de poder vir a viver mais uma grande aventura é mais forte do que qualquer outra.
Nicholas prepara tudo como se fosse caçar para as terras altas da Etiópia e conduz-nos pelas estradas quentes, paisagens e margens do Nilo ao longo de vários quilómetros que é como quem diz páginas. As buscas começam e são vários os indícios de que Taita terá estado ali milhares de anos antes, procurando o lugar ideal para a construção da última morada do Faraó.
Visitam um mosteiro por altura das festas e descobrem que aquele poderá ser o túmulo de Tanus ou do próprio faraó Mamose, uma vez que Royan acredita que Taita trocou as múmias, prestando uma última homenagem ao seu querido amigo. Numa incursão noturna ao mosteiro, descobrem o testamento de Taita. Decifradas as charadas que contém, estarão mais próximos de descobrir o túmulo.
Decidem regressar a Londres e preparar-se para o começo das escavações antes do período das chuvas, mas os seus inimigos conspiram nas sombras e são impedidos de voltar à Etiópia como turistas. Este pequeno revés não os impede contudo de regressar. Estão demasiado perto de conseguir descobrir a última morada do Faraó Mamose e todos os seus tesouros...
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Exímio contador de histórias, Wilbur Smith coloca-nos no centro de mais uma intriga, recheada de suspense, numa aventura passada no Antigo Egipto onde Taita é protagonista e é quem, mais uma vez, dita as regras.
Ao decifrarem cada um deles, rapidamente descobrem que o sétimo papiro poderá conter a chave de um segredo com cerca de quatro mil anos. Nele, Taita, relata o funeral do faraó Mamose e regista a grandiosidade dos tesouros que o acompanham na sua viagem para o além. Duraid Al Simmu e Royan estão certos de que, decifrando os enigmas de Taita, ser-lhes-á revelada a localização exata do túmulo do Faraó Mamose.
Mas, ainda antes do papiro estar completamente decifrado, Duraid é brutalmente assassinado e os cadernos, todas as suas notas e o papiro desaparecem. Royan consegue escapar e sofre mais uma tentativa para acabarem com a sua vida. Parece haver alguém obstinado e disposto a tudo para localizar o tesouro.
Depois das cerimónias fúnebres, Royan resolve regressar a Inglaterra para cumprir a promessa que fizera a Duraid antes de ele morrer. Sem perder tempo, procura Nicholas Quenton-Harper, um aristocrata e eminente colecionador de antiguidades (não pode ser verdadeiramente chamado de arqueólogo) e desafia-o a partir rumo à Etiópia em busca do túmulo perdido do Faraó Mamose. Quenton-Harper não pensa duas vezes. Além de que esta poderá ser a oportunidade que esperava para sair do buraco financeiro em que se encontra, a ideia de poder vir a viver mais uma grande aventura é mais forte do que qualquer outra.
Nicholas prepara tudo como se fosse caçar para as terras altas da Etiópia e conduz-nos pelas estradas quentes, paisagens e margens do Nilo ao longo de vários quilómetros que é como quem diz páginas. As buscas começam e são vários os indícios de que Taita terá estado ali milhares de anos antes, procurando o lugar ideal para a construção da última morada do Faraó.
Visitam um mosteiro por altura das festas e descobrem que aquele poderá ser o túmulo de Tanus ou do próprio faraó Mamose, uma vez que Royan acredita que Taita trocou as múmias, prestando uma última homenagem ao seu querido amigo. Numa incursão noturna ao mosteiro, descobrem o testamento de Taita. Decifradas as charadas que contém, estarão mais próximos de descobrir o túmulo.
Decidem regressar a Londres e preparar-se para o começo das escavações antes do período das chuvas, mas os seus inimigos conspiram nas sombras e são impedidos de voltar à Etiópia como turistas. Este pequeno revés não os impede contudo de regressar. Estão demasiado perto de conseguir descobrir a última morada do Faraó Mamose e todos os seus tesouros...
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Exímio contador de histórias, Wilbur Smith coloca-nos no centro de mais uma intriga, recheada de suspense, numa aventura passada no Antigo Egipto onde Taita é protagonista e é quem, mais uma vez, dita as regras.
domingo, 20 de maio de 2012
O Teu Rosto Será o Último
O primeiro romance de João
Ricardo Pedro é notável!
Começo a ler a pensar o que virá
aí...
Com frases curtas, objectivas, cruas, cadenciadas, sou apanhado por este romance vencedor do Prémio Leya de 2011, e primeiro livro do autor. Surpreendente!
Com frases curtas, objectivas, cruas, cadenciadas, sou apanhado por este romance vencedor do Prémio Leya de 2011, e primeiro livro do autor. Surpreendente!
Com capítulos aparentemente
autónomos, que constituem quase mini-contos, João Ricardo Pedro vai bordando a
história de uma família com origem numa terra com nome de animal no lado sul da
Gardunha.
De uma forma simples, crua, leve,
e impetuoso, com humor e comparações surpreendentes, o autor junta episódios,
conta histórias, diverge para algo aparentemente lateral...
A forma como enumera factos,
coisas, situações, semelhante ao que fazia Saramago, confere velocidade à
narrativa e dá-nos vontade de ler mais e mais.
E a surpresa que espreita a cada
frase, a cada parágrafo, lançando momentos surreais no meio da narrativa,
leva-nos a esboçar muitos sorrisos a cada página lida.
O centro do romance acabará por
ser Duarte, o jovem promissor de uma família com muito passado. E é à volta
dele que vão ficando impressas as outras personagens: o avô Augusto Mendes, a
avó Laura, o pai António, a mãe, o amigo pobre... tudo no Portugal dos nossos pais, avós e até um pouco de todos nós.
Tem capítulos que são uma
primorosa obra de arte, como por exemplo o da mãe de Duarte. Tem outros
capítulos que aparentemente não acrescentam nada à narrativa, mas que dão gozo ler imaginando o prazer que deram a escrever.
“O teu rosto será o último” é um
dos livros que mais gostei de ler nos últimos tempos.
Uma campanha de marketing muito
bem feita, a unanimidade dos críticos sobre a qualidade da obra, o destaque permanente
na feira do livro, e temos um sucesso literário escrito por um engenheiro
desempregado.
Na feira, ao pedir um autógrafo,
perguntei ao João Ricardo Pedro como tinha surgido a história: se já a tinha na
cabeça, ou se foi sendo feita à medida que escrevia. Disse que foi esta última,
e com tempo.
A teia ficou muito bem urdida.
Como ele dizia ao autografar o
livro, “espero que goste”.
Eu gostei muito!
Entrevista do autor aqui.
sábado, 12 de maio de 2012
Meu Pé de Laranja Lima
Este é o livro que consagrou José Mauro de Vasconcelos, autor brasileiro nascido em 1920.
Esta é a história de Zezé, um menino de 6 anos, “pobre, inteligente, sensível e carente. Com a falta de afecto que não encontra na família, o endiabrado rapaz vai pelas ruas fazendo mil travessuras.
Zezé aprende tudo sozinho, é o “descobridor das coisas”. Descobre a ternura e o carinho no amigo “Portuga”. Inventa para si um mundo de fantasias em que o grande confidente é Xururuca, o pé de Laranja Lima. Mas a vida ensina-lhe tudo demasiado cedo, e Zezé descobre o que é a dor e a saudade”.
É um mundo visto pelos olhos de uma criança de 6 anos, cheia de traquinices, que nos seduz e encanta a cada página (apesar de escrito em brasileiro baiano). Zezé é, simultaneamente, uma criança ternurenta e cheia de ideias traquinas: é ele que vai engraxar sapatos para oferecer um maço de cigarros ao pai desempregado; é ele que faz uma cobra a partir de uma meia para assustar pessoas; é ainda ele que rouba flores para dar à sua professora, a mais feia de todas; é também ele que jura matar o Portuga, de quem se vem a tornar amigo inseparável...
Este é um Principezinho em versão pobre e que enfrenta um mundo de dificuldades. Mas, por isso mesmo, um hino à sensibilidade, ao amor, e à própria infância.
Para quem aprecia histórias simples, com palavras simples, mas repletas de sentido e significado, este é um livro que recomendo sem meias palavras.
Para quem aprecia histórias simples, com palavras simples, mas repletas de sentido e significado, este é um livro que recomendo sem meias palavras.
(O facto deste livro estar escrito em brasileiro baiano inicialmente dificultou a leitura. Mas rapidamente entrei no registo, e mudei de língua em cada página lida. É apenas uma questão de estilo).
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