quarta-feira, 15 de junho de 2011

Os Pilares da Terra (comentários revistos)

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Ouvi falar de Ken Follett e Os Pilares da Terra há uns anos através de uma colega que andava constantemente com o livro debaixo do braço, aproveitando todas as pausas para ler mais umas páginas. Não fiquei suficientemente empolgada na altura para começar a ler o livro pelo que ficou esquecido... (percebo agora que há livros que não temos necessariamente de ler)
Voltei a ouvir falar nele quando anunciaram a transmissão televisiva de uma mini-série de 8 episódios baseada no romance homónimo de Ken Follett, numa produção que diziam ser das maiores produções televisivas de todos os tempos, a cargo de Ridley e Tony Scott.
Conseguiram despertar a minha curiosidade e decidi que havia de ler o(s) livro(s) antes de ver a série, mas após ter lido mais de 900 páginas, chego à triste conclusão que este é um daqueles livros em que mais vale ver a série/filme que ler o livro, talvez a desilusão não fosse tão grande.

Como havia referido, fiquei surpreendida logo nas primeiras páginas quando tomo conhecimento que Ken Follett é mestre do policial e nos confessa que embarcou nesta aventura do romance histórico sem a certeza de ser bem sucedido e no final a sua agradável surpresa quando o livro se torna num dos livros mais lidos em todo o mundo! E diz quem leu, com o dom de a cada novo romance surpreender o leitor com um novo thriller, e embora num estilo completamente novo para ele, conseguiu o mesmo efeito e com a mesma mestria.
Não posso concordar...
Depois daquilo que considero uma introdução com mais de 500 páginas, chego ao fim do primeiro volume sem qualquer entusiasmo para continuar a ler. Os momentos mais marcantes da narrativa são talvez os protagonizados por Aliena e pouco mais. Não me senti tentada a conhecer o desfecho da história e não fosse a máxima de não deixar livros a meio, teria desistido ao fim das primeiras 200 páginas do segundo volume. Não me senti definitivamente envolvida emotivamente pelas personagens, não tive medo por elas, não sustive a respiração quando elas se viram em apuros, não rejubilei quando tudo acabou bem....
No segundo volume, a falta de tacto em relação a alguns pormenores é ainda mais flagrante. Deixo-vos um exemplo: assim sem motivo aparente, Aliena resolve que vai deixar Jack porque se cansou de esperar pela anulação do seu casamento com Alfred. Apenas algumas páginas volvidas, a questão fica resolvida porque Alfred morre e ela fica viúva para casar finalmente com Jack. Se o objectivo deste pequeno subterfúgio era fazer com que o leitor sentisse a infelicidade de Aliena, na minha opinião foi muito brusco na tentativa de levar avante a sua intenção. Tem de haver um trabalho prévio antes de introduzir um acontecimento que envolva directamente uma das personagens mais importantes.
As descrições:
Demora-se em descrições que nada acrescentam à narrativa (luta entre um urso e vários cães, confesso que tive de passar estas páginas à frente dada a brutalidade do episódio), e descura aquelas que são verdadeiramente importantes: os sentimentos de William Hamleigh no último instante antes de ver o seu fim e os de Aliena ao ver o fim do homem que mais odiou na sua vida. As mesmas descrições, os mesmos adjectivos aplicados a determinadas personagens ao longo de toda a narrativa.

As personagens:
Conhecemos o fim de todos menos o de Martha - a irmã de Alfred, que desaparece subitamente da história sem qualquer explicação. Morreu? Casou?
A morte de Becket, uma personagem secundária que, comparativamente, tem direito a muito mais detalhe, simbolismo, ditando mesmo o final do livro.
À medida que avançamos para o final, os saltos cronológicos são de gigante e Follett faz várias (excessivas) referências à idade de Philip, que envelhecesse precocemente, possivelmente para acentuar a velocidade a que os acontecimentos se desenrolaram até ali.
Finalmente:
Depois de ler Mario Puzo, Jeanne Kalogridis, Philippa Gregory ou Steve Berry não posso definitivamente conferir a mesma mestria a Ken Follett no que ao romance histórico diz respeito. Eu teria reduzido a história dos dois volumes a pouco mais de 500 páginas, deixando em aberto o que ainda poderia acontecer depois de estas personagens desaparecerem e o efeito teria sido definitivamente diferente.

Os Pilares da Terra II





Começamos por olhar para uma Inglaterra divida pela guerra.
Kingsbridge consegue manter-se afastada dos seus efeitos contribuindo para isso o bulício gerado em torno da construção da catedral. O mercado, alimentado por todos aqueles que se deslocam a Kingsbridge gera bons lucros para desagrado de William Hamleigh que tudo faz para ditar o seu fim. Philip vê-se assim obrigado a requerer uma licença real para oficializar o mercado, sendo mais uma vez obrigado a deslocar-se à corte para poder continuar a gerar meios de financiamento para a sua catedral. Consegue junto da Rainha Matilde a referida licença, tendo que desembolsar uma avultada soma de dinheiro que não tinha.
Invertem-se os papéis e é agora Aliena quem salva Philip. Esta tornou-se numa abastada mercadora de lã e adianta o dinheiro a Philip esperando ter o retorno durante o mercado do velo. É também neste período que Aliena e Jack se aproximam e cresce entre eles um sentimento que nenhum deles vê como profundo.
William Hamleigh aparece-nos novamente em cena, envolto em toda a sua maldade invadindo a cidade, pegando fogo a toda a lã e atirando Aliena novamente para a pobreza extrema. Apesar do sentimento que nutre por Jack, Aliena não pode ficar indiferente à promessa que fez ao pai antes de este morrer e acaba por ser levada a cometer o seu maior erro: casar com Alfred.
Magoado, Jack parte e Aliena casa com Alfred, grávida de Jack. Com a morte de Tom durante o incêndio, Alfred assume o lugar de mestre-de-obras e termina o tecto da catedral em pedra, alterando o projecto original, apenas para o ver ruir e matar várias pessoas no dia da inauguração. Nesse mesmo dia, Aliena dá à luz o filho de Jack e Alfred expulsa-a de casa. Aliena decide assim procurar Jack, percorrendo meia cristandade para tentar recuperar o tempo perdido. Jack regressa com ela a Kingsbridge e convence Philip a deixá-lo aplicar na construção da sua catedral as técnicas novas que aprendeu, dando-lhe um novo alento.
A fome e a guerra continuam em cena e os acontecimentos vão desenrolando-se motivados pela ambição dos suspeitos do costume: Waleran, Alfred e William.
O país é entretanto invadido por Henrique, filho da Rainha Matilde e todas as terras e condados são devolvidos aos anteriores proprietários. Aliena e o irmão fazem por recuperar finalmente o condado que antes lhe pertencera.
O pano não cai ainda, e numa derradeira tentativa de reaver algum respeito, William é nomeado Xerife de Shiring que tenta prender Richard quando este defende Aliena de Alfred e é acusado de assassínio. Acaba por ser desterrado para a Terra Santa, da qual nunca voltaria, ficando Aliena no lugar do conde.
Os vilões caiem em desgraça no final desta história quando conspiram e assassinam Thomas Becket, transformando-o num mártir e santo.

Os Pilares da Terra I






A narrativa passa-se na Inglaterra do século XII. Seguimos de perto a Tom, um humilde pedreiro e mestre-de-obras que acalenta o desejo de construir uma imponente catedral, dotada de uma beleza sublime e capaz de tocar os céus. Perseguindo esse sonho, embarcamos com ele e a sua família numa viagem perigosa. A caminhada é longa e várias personagens cruzam o nosso caminho. Inevitavelmente o destino de cada uma delas entrelaça-se com o seu de uma forma misteriosa e surpreendente, como mais tarde iremos perceber.
Encontramos um colorido mosaico de personagens: além de Tom Pedreiro, o singular Prior Philip, que com a sua astúcia consegue frustrar os planos ambiciosos de Henry e Waleran, ambos sedentos de poder; Aliena e Richard caídos em desgraça depois de o pai ser preso e a Família Hamleigh que não olha a meios para se fazer respeitar.
Diz quem sabe que o estilo inconfundível de mestre do suspense está bem patente no desenrolar desta história épica, tecida de intrigas, aventuras e lutas políticas. Assistimos à descrição de um período da Idade Média a que não faltou emotividade, poder, vingança e traição.
Penso que a primeira parte do livro prepara-nos para o que está para vir. Tudo gira à volta de um turbilhão de sentimentos contraditórios: o sentido de justiça/injustiça, a crueldade com que determinados actos são praticados, a ambição e a soberba de quem não olha a meios para atingir os seus fins; a entreajuda desinteressada que move algumas das personagens e no final o que cada um vai colher com os seus feitos.



> (revisto depois de ler Os Pilares da Terra – Vol. II)

sexta-feira, 3 de junho de 2011














Yuken Teruya é o criador desta arte invulgar, que faz com que árvores surjam de sacos de compras, rolos de papel higiénico, livros e jornais. O artista japonês manipula materiais que por vezes desperdiçamos, transformando os seus significados para reflectir sobre a sociedade contemporânea e a cultura.

Yuken Teruya é natural de Okinawa, Japão, e trabalha em Nova Iorque.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Olha... andamos ambos a ler Ken Follet :)
Tu mais rápido que eu.
Um excelente escritor, que sabe prender o leitor e aguçar-lhe a curiosidade.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Nos Segredos do Templo de Salomão




Bernard Lenteric contra-nos a história de um grande homem, não estamos contudo a falar do Rei Salomão, mas do Construtor de Deus: Hirão

Tendo a morte por companheira, Hirão é desde muito cedo um sobrevivente. Saad-Laha, seu pai recebeu-o a ele e à sua mãe depois da sua aldeia ter sido massacrada, tendo sido os únicos que não tiveram o mesmo fim. Em Tiro conseguiu ter uma infância feliz até que a grandeza do seu pai começou a tornar-se incómoda para os seus inimigos. A sua ascensão fulminante no seio do Conselho dos Anciãos, para o qual entrara com apenas trinta anos, o sucesso insolente do jovem armador começou a incomodar os interesses de El-Djah, o pontífice e os da casta sacerdotal. Foi a conselho deste que Hirão acaba escolhido pelo Rei Abibalos para ser sacrificado a Melquart. Tinha apenas nove anos. Saad-Laha ousara desafiar os mais fortes e ia pagar caro por isso.
Contudo, Saad-Laha engendrou uma forma de poupar o filho ao sacrifício e Hirão viu morrer no seu lugar o seu melhor amigo - Habias, um pequeno escravo de sua casa. A seguir à tragédia, seguiu-se o exílio para o Egipto, sob o nome de Teglath, onde viveu dias serenos e conseguiu esquecer aquele episódio que ainda o assombrava em sonhos. Teve os melhores professores que podia desejar, Djehuti, Ahmés e Nesi, um grande conselheiro, um grande arquitecto e um grande guerreiro. Todos eles o viam capaz de grandes feitos.

Mas quis o destino que sofresse novo infortúnio e foi descoberto pelos espiões do sumo-sacerdote. Descoberta a maquinação dos pais, estes foram brutalmente castigados por Abibalos pela afronta a Melquart. Perseguindo-o até ao Egipto, os assassinos massacram aqueles que o protegeram durante todo aquele tempo. Com a ajuda do Faraó e com um novo nome, Hirão consegue escapar. Tinha dezasseis anos quando parte com Ahmés para a Assíria. O mestre arquitecto ensina-o a arte do desenho e Hirão encontra uma razão que o leva a ter novamente gosto pela vida. Durante quinze anos percorre terras longínquas, edificando templos e palácios. Quis o destino que se cruzasse novamente com El-Djah, o grande sacerdote, conseguindo finalmente vingar a morte dos seus entes queridos. Já não havia motivos para continuar a esconder-se pelo que revela a Salomão o seu verdadeiro nome e a sua maior ambição: criar a obra de arte perfeita.

"Durante mais de sete anos, a vida da cidade confundira-se com a do Templo em construção. Hirão fora o verdadeiro Rei de Jerusalém. A uma palavra sua, exércitos inteiros de operários punham-se em marcha e pesados carregamentos de madeira e de pedra faziam tremer as casas. Ali, exultara ao ver, dia após dia, a construção do Templo (...) ".


Empolgante, viciante!

Depois de ler este livro chego à conclusão que, não importa a época, o Rei ou o Deus que se adora, há dois sentimentos que andam sempre de mãos dadas: a inveja e a ganância, e é sempre em nome deles que se cometem as maiores atrocidades.
Em última análise, Salomão, não obstante a clarividênvia e sabedoria que lhes são conhecidas, também ele se rendeu aos pecados mais mundanos: a raiva e o ciúme, tal qual o comum dos mortais.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Livros e rosas

A iniciativa é da associação cultural CatalunyApresenta e do Instituto Ramon Llull, que organizam a tradição catalã de fazer uma festa cívica à volta do livro, sábado no Miradouro de São Pedro de Alcântara, em Lisboa.
A festividade, a «Diada de Sant Jordi», que corresponde ao Dia dos Namorados na Catalunha, coincide com o Dia Internacional do Livro e fez com que se espalhasse a tradição de vender livros e rosas nas ruas das cidades da comunidade autónoma espanhola."

Biblioteca Sábado

A revista Sábado vai publi­car, a par­tir de 5 de Maio, uma colec­ção de clás­si­cos juve­nis, a 1€ cada. 
Aqui fica a lista e as res­pec­ti­vas datas:

Volta ao Mundo em 80 Dias, de Júlio Verne - 5 de Maio
As Via­gens de Gul­li­ver, de Jonathan Swift — 12 de Maio
As Minas de Salo­mão, de H.R. Hag­gard — 19 de Maio
A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Ste­ven­son — 26 de Maio
As Aven­tu­ras de Tom Sawyer, de Mark Twain — 2 de Junho
Mulher­zi­nhas, de Louisa May Alcott — 9 de Junho
O Fan­tasma de Can­ter­ville, de Oscar Wilde — 16 de Junho
O Livro da Selva, de Rudyard Kipling - 23 de Junho

Se não quiserem - ou já tiverem - estes livros, há feira do livro em Lisboa a partir da próxima semana.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O Cavaleiro Templário


Mais um feliz e estranho acaso...
Este foi adquirido na mini-feira do livro que está no piso inferior do Cais-do-Sodré. Se tiverem de fazer tempo, passem por lá.

No espaço de algumas semanas antes, descobri O Cavaleiro Templário em filme. Um filme apaixonante que conta a história de Arn Magnusson. Arn foi entregue ao mosteiro cisterciense de Varnhem para se tornar monge, cumprindo uma promessa feita pelos pais. Contudo, desde muito cedo revelou possuir engenho para o arco, pelo que a sua educação foi sendo conduzida entre as línguas eruditas ao mesmo tempo que aprendia tudo aquilo que um verdadeiro guerreiro precisava saber.
Ao completar dezassete anos de idade, Arn regressa a casa. Possuído por sentimentos mundanos que desconhece, não sabe como explicar o que sente por Cecília, até que lhe confessa estar desesperadamente apaixonado por ela. Miseravelmente, Cecília foi prometida pelo seu pai em casamento a um membro do seu clã. Contrariando os desígnios do pai, Cecília entrega-se a Arn e ambos são duramente castigados, tanto pelas autoridades civis como pelas eclesiásticas. Cecília é enviada para o convento de Gudhem, condenada a passar 20 anos como freira e Arn é sentenciado a servir o mesmo período como cavaleiro templário na Terra Santa.

O livro alterna os capítulos entre a sentença de Cecília, que sofre duramente pela mão da Madre Rikissa, possuída pelo ódio que esta lhe tem e que motivou este castigo tão cruel e a de Arn, que tenta manter-se vivo, batalha após batalha, procurando honrar a promessa que fizera à sua amada de voltar um dia para os seus braços.
No final de cada capítulo, Jan Guillou levanta a ponta do iceberg sobre o que vamos encontrar quando prosseguimos com a história de um ou do outro, o que nos deixa sempre curiosos por descobrir o que ele quis insinuar com aquilo que escreveu.

Como acontece com qualquer livro adaptado a filme, apenas são retratados alguns dos episódios mais emocionantes. No livro vemos o pormenor de cada um deles, o que sentiram as personagens, a descrição da situação e local em que se encontravam, as cores, os cheiros, embora deva dizer que o filme se mantém bastante fiel ao que está escrito (no que ao vol. II se refere).

O que mais me encanta é que o argumentista consegue construir o filme retirando a sequência de uma história que foi dividida em três actos, neste caso em três livros: O volume I - O Caminho para Jerusalém - que narra a viagem de Arn Magnusson, rumo à Terra Santa, o volume II - O Cavaleiro Templário – (de que vos falo) e o volume III - O Novo Reino - que relata o regresso ao seu país após ter servido como cavaleiro templário na Terra Santa.
Cada um dos episódios é fotografado e mostrado à plateia com toda a brutalidade de uma história medieval, numa narrativa empolgante, sem grandes efeitos especiais que relevem a preocupação de tornar o filme um sucesso de bilheteira.
Contudo, Arn – O Cavaleiro Templário de Peter Flinth esteve nomeado em 2008 no European Film Award, concorrendo com Expiação de Joe Wright, entre outros para melhor filme na categoria Audience Award, tendo perdido para Harry Potter e a Ordem da Fénix de David Yates (não há como concorrer com este gigante).




Não resisti em deixar-vos aqui mais uma curiosidade. Ainda sobre filmes, para o mesmo período histórico, um personagem - Balian of Ibelin – que reconhecemos do livro O Cavaleiro Templário, ao qual não é dada muita importância, apenas existe uma pequena referência a ele como o homem que esteve à frente do comando e defesa de Jerusalém quando esta foi finalmente tomada por Saladino. Contudo, este é o episódio e personagem mais importante da história do filme de Ridley Scott - Reino dos Céus (o actor Orlando Bloom ganhou o prémio de melhor actor na mesma categoria em 2005 no European Film Award).

terça-feira, 19 de abril de 2011

ao preço da chuva


A expressão não podia ser mais apropriada à situação...

Um final de tarde duplamente especial.
Em primeiro lugar, ver o Chiado banhado de cinzento e com o sol a tentar romper as nuvens espessas, sem o conseguir... Uma imagem que não consigo, infelizmente, partilhar aqui utilizando palavras, porque estas não conseguem traduzir o misto de sentimentos que envolvem a mesma. Ficou condignamente registada no meu telemóvel. Assim que possível partilho aqui.
Em segundo, no minuto seguinte a ter tirado a foto, estala uma trovoada seguida de uma chuva intensa que me obriga a procurar abrigo rapidamente.



E foi assim que entrei na Livraria Aillaud & Lellos, Lda, na rua do Carmo. Se tinha de esperar que a chuva mingua-se, então havia de fazê-lo com prazer. Entrar nesta pequena loja foi como entrar num mundo literário completamente diferente. Um espaço agradável, para quem gosta de passar os olhos por prateleiras na esperança de descobrir um novo autor e a sua obra ou descobrir aquela obra que tanto procura. Impossível ficar indiferente às promoções e não perder a cabeça com os preços!
Se tiverem oportunidade passem por lá e, apenas por mais alguns passos, têm a Livraria Portugal. Tenho a certeza que os verdadeiros amantes de livros vão perder-se nestes dois espaços.


Foi neste espaço que descobri (a dedilhar prateleiras) a poesia de Orlando Neves. A fúria da sua poesia é de ficar sem fôlego. A palavra impregnada de sentimento, muitas vezes contraditórios, leva-nos e ler e a querer reler vezes sem fim cada uma das páginas que compõem o livro. Deixo-vos aqui apenas um trecho da sua obra:

Só os Lábios Respiram

Só os lábios respiram. Simples gesto vivo,
exílio do som onde se oculta o pavor da
palavra, pátria salgada cerrada no vazio
da casa de velhos deuses ávidos de preces.
Na garra da águia se fecha e rompe a boca,
templo e entranha, prodígio e anel
do eco, sinal esparso do caído concerto
da vida. Por estes soberbos montes, estas
rasas colinas, estas águas circulantes,
vai o grito da cegueira, o delírio lasso
na manhã, a saciada loucura do escuro
nome nocturno. Como um fragor dos céus,
caminha o canto agudo das árduas cigarras
perseguindo a funesta morte. Por esta
paisagem parda, que lábios me guardam
do próximo desastre, a mudança em ave,
cio ou sal, erva ou peixe, cicatriz ou
mito, veia ou água? Que lábios respiram
na coisa mortal que serei após o termo
da eterna efemeridade deste meu corpo,
coma de luz, deste desejo, rijo resíduo,
deste pensamento, disfarce ou máscara,
deste rapto do tempo, deste coração que começa?

in "Lamentação em Cáucaso"

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Livraria de oportunidades

Em plena baixa lisboeta, na Rua do Ouro, a Livraria Rodrigues reabriu.
Trata-se da "primeira livraria na cidade, integralmente composta por livros de oportunidades e promoções. Com uma renovação diária da oferta, conta com milhares de títulos, todos a preços de perder a cabeça."

Tenho de lá ir em breve...

terça-feira, 5 de abril de 2011

Falsas Impressões

Um triller envolvente passado no mundo da arte, assim começa por apresentar-se mais uma obra de Jeffrey Archer. 240 mil exemplares vendidos na 1ª semana no Reino Unido. Não me surpreende!
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A história remete-nos para o 11 de Setembro, não que a data tenha qualquer importância nos acontecimentos que antecedem a tragédia. Uma coincidência conveniente para Anna Petrescu, uma das protagonistas da nossa história. Mas quem está no centro de todas as atenções é o Autro-Retrato com a Orelha Ligada, um dos quadros mais famosos de Van Gogh. E é em volta dele que todos se movem: Bryce Fenston, um banqueiro nova-iorquino que tenta a todo o custo colocar as suas mãos nele; Karl Leapman, um bem-sucedido advogado que procura fazer com que tudo pareça legal, sem receber mais por isso; Krantz, paga a peso de ouro para garantir que nada corre mal; Nakamura, um magnata japonês disposto a pagar 50 milhões de dólares para tê-lo na sua colecção privada; Tina a trabalhar de secretária iludindo a todos e finalmente Anna Petrescu que tenta a todo o custo travar a ganância de Fenston, arriscando a sua própria vida. Mas não está sozinha, Delaney mantém-se na sua sombra. Seguimos Anna de Nova Iorque a Tóquio, de Londres a Bucareste, ávidos por saber o que vai acontecer a seguir, a torcer para que consiga salvar o quadro das garras de Fenston. Chegamos mesmo a viver a ansiedade da personagem em levar a bom porto os seus intentos, envolvidos que estamos na história.
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Não é por acaso que se diz que Archer é um dos escritores de maior sucesso da actualidade. Eu estou rendida, só espero conseguir transmitir aqui um pouco do prazer que é ler um dos seus livros!

domingo, 3 de abril de 2011

Ofício de ler...

Texto de Maria Teresa Góis recebido por mail: 

"Onde se queimam livros, cedo ou tarde se queimam Homens."
Heinrich-Heine 1797-1856
Farta das diatribes políticas e das iras ambientais, falo-vos hoje de um gosto muito pessoal: ler.
Creio que o primeiro livro que tive era de pano e da Majora.
Depois, mesmo antes de saber ler, devo ter roído os cantos a alguns dos livros das minhas irmãs. Foi daí, talvez, que me ficou o gosto de ler.
Lembro-me da "guerra" de quem primeiro apanhava o novo livro dos Cinco ou outros que meu Pai trazia, da corrida, ao sábado, à chegada do jornal na porta de casa para primeiro ter na mão o "Cavaleiro Andante" ou o "Mundo de Aventuras"…
Fui crescendo e da biblioteca caseira saíram os textos que me alimentaram paixões, desilusões, o ócio, o fastio do estudo, o prazer.
Por entre as folhas numeradas, criei amigos inseparáveis com que ainda hoje privo.
Pegar num livro, sentir a textura do papel, o cheiro, ler a informação do autor, ou o tópico do texto, é um desafio.
Hoje, também, é urgente abrir o livro e ler, ser transportado nas letras, parar no tempo que nos emociona e viver a história que não é nossa.
Porque a história propriamente dita do Livro, é a da humanidade e da sua evolução.
Dos pergaminhos escritos, aos rolos de papiro e à impressão rápida e económica de hoje, medeiam séculos. Jorge Luiz Borges dizia que "de entre os instrumentos inventados pelo homem, o mais impressionante é, sem dúvida, o livro…é uma extensão da memória e da imaginação".
Cada país tem as suas referências nos autores que imortalizaram ou imortalizam a sua língua - é um veículo de divulgação de cultura, de enriquecimento pessoal, é democrático porque lemos o que queremos quando queremos, privando de perto com a sensibilidade do autor, suas ideias e ideais.
Saramago disse que "é ainda possível chorar sobre as páginas de um livro, mas sobre um disco rígido, não."
Não aceito pois que a formação de um jovem não inclua, desde cedo, os bons hábitos de leitura e cheguem às obras leccionadas e obrigatórias com a apreciação de "uma ganda seca".
Sinais dos tempos da era informática, global, que isola, sujeita e condiciona a um simples ecrã horas sem fim.
Ler é crescer, é projectar perspectivas, pensamentos e opiniões.
Ler completa-nos, abre-nos os braços, humaniza-nos.
Quintana dizia que "os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem".
Só num livro podemos virar a folha a bel-prazer, folhear, voltar atrás e espreitar o próximo capítulo ou o enredo final.
Na vida, não.

segunda-feira, 14 de março de 2011

"If there were a Nobel Prize for storytelling, (Jeffrey) Archer would win"
Daily Telegraph

Assino em baixo!

domingo, 6 de março de 2011

"Adolf Hitler dizia ler um livro por noite e, quando morreu, a sua biblioteca tinha mais de 16 mil livros.
Mas o ditador alemão colocava no mesmo plano westerns populares e tratados militares; misturava filosofia séria e panfletos anti-semitas, diz Timothy Ryback, autor de A Biblioteca Privada de Hitler (editado no original em inglês pela primeira vez em 2008, e agora publicado em Portugal pela Civilização)." (Público)

A prova de que ler muito não faz de ninguém um erudito ou alguém tolerante e melhor ser humano.


Vale a pena ler a entrevista de Timothy Ryback ao Público.

sábado, 5 de março de 2011

Enquanto leio...

"A Queda dos Gigantes", embora com leitura lenta, é um livro altamente recomendável. 
O início do século XX, a sociedade, os sindicatos, a elite, as relações entre uns e outros, algum romance, tudo numa escrita clara, cativante.
Um romance histórico denso e empolgante.
Ken Follet recomenda-se.

Páginas de outros livros

"No seu livro sobre a biblioteca pessoal de Hitler, Timothy Ryback cita Walter Benjamin e a eterna pergunta que toda gente que tem bibliotecas a dar para o grande conhece: "Mas já leu estes livros todos?" De um modo geral, quem faz esta pergunta não é um grande leitor nem tem muita experiência de leitura, porque senão saberia de imediato que é absolutamente impossível ler todos os livros de qualquer biblioteca que tenha mais de 6000-7000 livros, na melhor e raríssima hipótese de se ser um leitor excepcional. Mas na pergunta há também uma ingenuidade que me é muito simpática: se não lê todos esses livros, para que é que os tem? E aí estamos noutro território, passamos da leitura para a bibliofilia. No seu conjunto, tudo costumes dos antigos."

Pacheco Pereira, no Abrupto.
A ler todo o texto aqui.

terça-feira, 1 de março de 2011

Feira do livro 2011

As feiras do livro de Lisboa e Porto já têm datas:
- Lisboa: de 28 de Abril a 15 de Maio;
- Porto: de 26 de Maio a 12 de Junho.


Se bem me conheço, não tarda nada a começar a fazer listas...