domingo, 29 de abril de 2012

O Livro de San Michele

Há uma década que este livro estava à espera! 
Primeiro da Colecção Dois Mundos, dos Livros do Brasil, o autor diz que este é “o livro da vida”. 
Centrado na vida do médico Axel Munthe, personagem central do livro e seu autor, acompanhamos ao longo de muitos anos a sua vida e as peripécias por que passou. 
Ainda jovem médico em Paris, começa a ganhar notoriedade e torna-se o preferido da elite. Todos recorrem a ele, principalmente as mulheres, e todos aguardando um único diagnóstico: colite. Era a doença bem da altura. Quem fosse bem tinha de ter esta doença. Mesmo que não a tivesse. O médico, para alegria dos seus pacientes, diagnosticava-lhes a doença pretendida. Um pormenor delicioso desta parte do livro: ninguém, nem o próprio médico, diziam o que era esta misteriosa doença. 
Outra peripécia foi quando teve de ser cangalheiro de um morto num comboio a atravessar meia Europa. Com um humor muito suave, os mal-entendidos vão-se sucedendo e será mesmo ele a ter de tratar dele até ao destino, em Estocolmo. 
Há ainda a empregada do seu consultório, feia, indescritível, com cheiro a ratos, que não consegue despedir. Quando pede a amigos para o fazerem, repentinamente ficam doentes e também não conseguem. Sendo que começa a surgir um boato na elite parisiense: a dita senhora seria amante do Dr. Axel. Um delírio! 
Um aspecto central da personagem Axel Munthe é a sua profunda atenção aos animais. Devota-lhes um cuidado raro, um respeito comovente. Será, na vida real, um dos precursores dos direitos dos animais. 
Ao longo do livro, as viagens por várias cidades europeias vão-se sucedendo até regressar definitivamente a Anacapri, na ilha de Capri, no Mar Tirreno, ao largo de Nápoles.
Ali vai recuperar San Michelle, uma propriedade semi-abandonada, sobre a qual um velho lhe tinha falado quando Munthe era ainda jovem.

Em termos de apreciação do livro… não é um livro que me tenha agarrado. A escrita não é sedutora e o conteúdo não me apaixonou.

Fui lendo, página após página, levado pela resenha do próprio livro:

"O Livro de San Michele é, como diz o seu autor, "o livro da vida". Da vida que transforma o mundo, da vida que não descansa, que não se imobiliza nunca, mas que, se acaso apresenta a cada passo novos aspectos, fisionomia nova, nova aparência, é sempre e essencialmente a mesma.
Axel Munthe, que o não ignora, sabe também que só o amor da humanidade, que só o humaníssimo amor do próximo- gente ou bicho, adulto ou criança, pessoa ou animal- nos redimee salva dos inevitáveis egoismos. é um mestre da generosidade, um professor de ternura, uma energia ao sabor da mais límpida, da mais elevada, da mais devotada fraternidade humana. Ele quer os homens sãos e crentes, a infância pura e alegre, a adolescencia entusiástica e a velhice piedosa e serena.
Chamar a Axel Munthe só um grande escritor, idealista- é pouco porque ele é muito mais ainda: é um raro exemplar de Homem superior, de Homem completo, vencedor sempre das mesquinharias e dos egoísmos da existência.
Lê-lo e meditá-lo é aprender e viver. Nenhum livro como este poderia abrir melhor a "Colecção Dois Mundos" porque em nenhum outro vibra tanto e se afirma tanto a simpatia de alma que aproxima e enleia indivíduos, pátrias, continentes e povos"

segunda-feira, 23 de abril de 2012

para assinalar o Dia Mundial do Livro...


... convido todos a entrar neste cantinho partilhado!
Então aqui não se assinala do Dia Mundial do Livro?! 




"O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia desapareceram importantes escritores como Cervantes e Shakespeare. A ideia da comemoração teve origem na Catalunha: a 23 de Abril, dia de São Jorge, uma rosa é oferecida a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo."

sexta-feira, 20 de abril de 2012

o mundo está cheio de ...


Ao aceitar o desafio deixado pela minha “página-metade” percebi que tenho perdido tempo, precioso e que não tenho, com livros que não mereceram definitivamente a oportunidade que lhes foi dada (muitos não viram a sua capa publicada aqui), enquanto outros, esquecidos, esperam pacientemente por um pouco de atenção enquanto não são retirados de uma qualquer prateleira.

Assim, consultei os meus botões e a solução passaria por fazer uma lista. Depois de passar os olhos por outras publicadas, compostas por vários autores e respetivas obras, consegui selecionar uma série de nomes, algumas estreias, verdadeiros desconhecidos, alguns desenterrados das brumas da memórias e muitos nomes familiares.

O próximo passo foi tentar perceber se estariam publicados neste nosso pequeno país onde a língua que falamos não é a mesma da do resto do mundo no que toca a livros.
Não foi por isso uma surpresa perceber que muitos estão esgotados ou não se encontram publicados/traduzidos e, aqueles, poucos, que têm a honra de o ser vão continuar no anonimato penalizados pelo preço a que são disponibilizados ao público em geral. Não há carteira portuguesa que resista à máfia literária instalada, quando vemos a versão original custar menos de um terço do valor da obra traduzida disponibilizada pelas nossas editoras (quer-me parecer que o grafismo da capa, o papel ou o tamanho da letra estão a ser excessivamente valorizados em relação ao conteúdo!).

Mas pensando bem, quem é que hoje em dia ainda lê os clássicos? Génios da literatura universal versus literatura de cordel/light e outra que não consigo sequer caracterizar como tal – a batalha está definitivamente perdida!

A solução vai passar por continuar a palmilhar as ditas Feiras do Livro e sítios virtuais equiparados onde por vezes se conseguem verdadeiras pechinchas, com alguma sorte à mistura a querer provar que é possível vender barato sem perder lucro.

Deixo-vos os primeiros que já moravam lá por casa e que já nem recordava ter: 
A Divina Comédia – Dante Alighieri; Os Contos de Cantuária – Geoffrey Chaucer; Evanhoe – Walter Scott; Moby Dick - Herman Melville; A Um Deus Desconhecido – John Steinbeck; Grandes Esperanças – Charles Dickens; O Americano Tranquilo – Graham Greene; Livro do Desassossego – Fernando Pessoa; Frankenstein – Mary Shelley e Orgulho e Preconceito – Jane Austen, entre outros. Irei publicar em breve as primeiras impressões de uma lista que promete ser longa...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Desafio II

1 - Qual o último livro que leste?
"A Senhora do Rio" de Philippa Gregory, aqui publicado

2 - Qual o próximo livro que queres muito ler?
É difícil dizer, há tantos que quero MUITO ler

3 - Só lês um livro de cada vez ou mais que um?
A minha atenção vai para apenas um de cada vez

4 - Menciona um livro que te tenha surpreendido pela positiva.
“O Jogo do Anjo” de Carlos Ruiz Záfon. Depois de ler “A Sombra do Vento” que adorei, não pensei que fosse ler outro dele tão bom quanto o primeiro

5 - Menciona um livro que te tenha surpreendido pela negativa.

“ O Corpo Estranho” de Robin Cook, aqui publicado. Mas há muitos que ficaram pelo caminho e outros que levei até ao fim pensando que ainda podiam melhorar, o que não aconteceu

6 - Que filme te lembras de ter visto mais recentemente adaptado de um livro?
“As Serviçais” aqui publicado. Mas nem o livro nem o filme me encheram as medidas...

7 - Quantos livros já leste este ano?
Não tenho por hábito fazer contagens

8 - Quantos livros queres ler até ao fim do ano?
Todos os que conseguir

9 - Qual o 1º livro que te lembras de ter lido?
“Os Cinco na Ilha do Tesouro” em francês. Coincidência ou não, acabei de adquirir o mesmo exemplar em português (o nº 1 da coleção) para recordar o entusiasmo que senti ao ler a história (e inevitavelmente perceber o que se perde nas traduções)

10 -Qual o género de livros que gostas mais de ler?
Gosto de ler de tudo um pouco, mas acho que a minha preferência vai para o romance histórico. Essencialmente aquele em que existe uma pesquisa cuidada e em que apenas os fatos omissos são romanceados.

11 - Acham este tipo de desafio muito chato?
HOJE não...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Escritor despedido

Para se transformar em escritor bastou ser despedido. 
É João Ricardo Pedro, vencedor do Prémio Leya 2011, com o livro de estreia "O teu rosto será o último".
Inspirador.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Desafio...

Por hábito os desafios não se imprimem nestas páginas... mas vamos lá fazer este do Pereira's Book:

1 - Qual o ultimo livro que leste? 
"Um Homem: Klaus Klump", do Gonçalo M. Tavares

2 - Qual o próximo livro que queres muito ler? 
Não sei por que, mas tenho me lembrado de "Arco do Triunfo", do Erich Maria Remarque. Coisas da adolescência.
Mas tenho vários que ganharam o Prémio Leya que me estão a tentar...

3 - Só lês um livro de cada vez ou mais que um? 
Um de cada vez. Tenho muita dificuldade em ler vários em simultâneo.

4 - Menciona um livro que te tenha surpreendido pela positiva. 
Hummm... não sei bem. Mas vou apostar em "Teoria da Viagem - uma poética da geografia", de Michel Onfray. Só para ser diferente. E já foi em 2009.

5 - Menciona um livro que te tenha surpreendido pela negativa.
Vamos lá ver... Já tive muitos que comecei e deixei pelo caminho...

6 - Que filme te lembras de ter visto mais recentemente adaptado de um livro? 
Só me consigo lembrar do fantástico "O estranho caso de Benjamim Button". Adorei o filme! E ainda não li o livro com receio de perder a magia do filme...

7 - Quantos livros já leste este ano? 
Poucos... Completos ou em tentativas?

8 - Quantos livros queres ler até ao fim do ano?
Não tenho objectivos de livros por ano.

9 - Qual o 1º livro que te lembras de ter lido? 
Por estranho que possa parecer, "Os Maias", que li antes da obrigatoriedade escolar e adorei.

10 -Qual o género de livros que gostas mais de ler? 
Não haverá um género. Depende do que apetecer no momento. Ora é romance simples, ora é histórico, ora é um ensaio (como o da resposta 4)... Cada livro é um vida.

11 - Acham este tipo de desafio muito chato?
Depende do estado de espírito :)

Não lanço o desafio a nenhum outro blogue livreiro, mas deixo o desafio à minha página-metade destas Palavras Impressas.

domingo, 25 de março de 2012

Livros em acordês

A mim já aconteceu resistir ao impulso de comprar um livro pelo simples facto de o mesmo estar escrito em português do acordo ortográfico.
Já alguém teve a mesma reacção?
Quando estamos numa livraria, é possível exigir que o livro que queremos seja escrito em português decente?

quarta-feira, 14 de março de 2012

A Senhora dos Rios

Nas primeiras páginas somos apresentados a Jacquetta - a nossa protagonista - que nos situa cronologicamente na História. Estamos em 1430. Jacquetta priva com Joana d’Arc no Castelo de Beaurevoir, onde permanece enquanto o duque de Luxemburgo tenta negociar a sua entrega aos ingleses. Joana é posteriormente transferida para Rouen onde acaba julgada e condenada por crimes contra a igreja. Jacquetta assiste ao desfecho da donzela de Orléans, pensando com tristeza nos bons momentos que passaram juntas e no significado da carta lançada a Joana: a Roda da Fortuna que pode lançar uma mulher tão alto no mundo como fazê-la descer até uma morte atroz e sem honra.

Enquanto se encontra em Rouen, conhece o Duque de Bedford, regente inglês da França, aquele que viria a ser o seu futuro marido e que lhe dará a conhecer um mundo misterioso de conhecimento e de alquimia. Iniciada pela avó que lhe deixa os seus livros e segredos, Jacquetta vai poder aprofundar o seu dom.
Conhece também o escudeiro do duque, Ricardo Woodville, que vela pela sua segurança e que permanece ao seu lado quando a morte do duque faz dela uma viúva jovem e rica. Os dois tornam-se amantes e casam em segredo. Decidem contudo regressar à Inglaterra para pedir o perdão do Rei e colocar-se ao serviço da corte do jovem monarca Henrique VI.

Depressa os Woodville conquistam uma posição de importância na corte de Lencastre, apesar de Jacquetta pressentir a crescente ameaça vinda do povo da Inglaterra e o perigo dos rivais pretendentes ao trono. Do povo da Inglaterra por não verem com bons olhos o casamento de Henrique com Margarida de Anjou, uma mulher caprichosa e ambiciosa que depressa se torna na verdadeira mão a tomar decisões, enquanto Henrique se revela um Rei inseguro, influenciável e mais interessado em assuntos de religião do que em assuntos de estado.
Mas nem a coragem e a lealdade dos Woodville bastam para manter no trono a Casa de Lencastre. Os tempos são de dificuldade. Henrique VI é considerado incapaz de governar, sendo nomeado regente o duque Ricardo de Iorque. O Rei melhora e retira-lhe o cargo, o que gera mais um confronto entre as forças de Iorque e os partidários do rei. Este acontecimento marca o início da conhecida Guerra das Rosas.

Jacquetta luta pelo seu rei e pela sua rainha com todas as suas forças, mas o destino de ambos há muito que estava traçado. Recorda a visão que teve de uma batalha e dos campos manchados de sangue e mais uma vez vê aquilo que previu tornar-se realidade. Ambos são definitivamente derrotados, abandonando a ilha enquanto Eduardo IV, o primeiro rei da Inglaterra originário de Iorque, sobe ao poder.
Os Woodville regressam à sua casa de campo, afastados da corte e Jacquetta dedica-se aos filhos, nomeadamente à sua filha Isabel, para quem prevê um futuro extraordinário e surpreendente: uma mudança de destino, o trono da Inglaterra e a rosa branca de Iorque.

Tenho a confessar que este não é dos livros mais empolgantes de Philippa Gregory. Deixo-vos as palavras sábias de Jacquetta que resumem a história do livro: «Dizemos que somos os governantes deste país, mas não agimos de acordo com a lei. Dizemos que lideramos estas pessoas, mas não as conduzimos à paz e prosperidade. Nós, os seus senhores, brigamos uns com os outros, trazendo a morte até às suas portas como se as nossas opiniões, pensamentos e sonhos valessem muito mais do que a segurança deles, a sua saúde e os seus filhos.»

terça-feira, 13 de março de 2012

82ª feira do livro de Lisboa

Para quem gosta da feira, já há datas: de 24 de Abril a 13 de Maio, no Parque Eduardo VII.
Está a chegar... comecem a fazer a lista.

domingo, 11 de março de 2012

Pessoa - plural como o universo


Na Fundação Calouste Gulbenkian está patente uma exposição sobre a obra de Fernando Pessoa e seus heterónimos: Fernando Pessoa - plural como o universo.
De forma esteticamente atraente e simples, são dados a conhecer vários textos deste múltiplo poeta.
Vale bem a pena visitar!
E depois... dar um passeio pelos magníficos jardins da fundação.


domingo, 4 de março de 2012

Um Homem: Klaus Klump

Foi este o primeiro livro de Gonçalo M. Tavares. Foi o primeiro escrito por ele e é também o primeiro que li dele. 
Tem uma escrita estranha, ideográfica. Perdemo-nos no fio da história e das personagens, nos diálogos e/ou pensamentos.
Sabemos que se trata de um país qualquer em guerra, com muitas crueldades e sofrimento. Com personagens disfuncionais, algumas com pensamentos de um humor negro e cínico simultaneamente.
Há um cavalo a apodrecer longamente nas ruas de uma cidade, há a prisão de Klaus Klump, há a amante deste e a sua mãe louca, há o homem rico da cidade...
Não sei que mais dizer. Talvez por ser o meu primeiro contacto com o autor, talvez por ser a sua iniciação na escrita, o resultado não me agradou particularmente.
Concluí a leitura mais por ser um livro estranho do que por me estar a agradar.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Pedra de Luz Vol. III - Paneb, o Ardente






Seti sucede a Merenptah, mas quem sabe se o novo Faraó desejará continuar a obra do pai e proteger por sua vez esta pequena aldeia misteriosa cujo futuro parece ameaçado?

Passado o período de luto, Seti é coroado Rei do Alto e Baixo Egipto e novo Senhor Supremo do Lugar de Verdade, rejeitando o filho ao decidir não associá-lo ao trono. Por sua vez, Amenmés decide reinar em Tebas, enquanto decide se avança ou não, em direção a Per-Ramsés, a capital, lançando o Egipto numa guerra civil. Mas nenhum deles quer ser o agressor e atrair para si a maldição dos Deuses.
Ressentido ao saber que a Rainha Tausert espera um filho, Amenmés resolve autoproclamar-se Faraó, com a aprovação dos Sacerdotes de Karnak, emitindo um decreto que faz correr pelo reino. Manda, em seguida, suspender os trabalhos no túmulo de Seti, pondo à prova a lealdade de Néfer e de todos na aldeia. Tudo se resolve a favor deste, instigando ainda mais o ódio que Méhi sente contra o Lugar de Verdade.

Na capital, Seti não reage. O Rei passa os dias junto do filho recém-nascido, angustiado com a sua saúde. É Bai, o chanceler do Rei, quem toma as rédeas do Estado e prepara uma ofensiva para destronar Amenmés. Contudo, esta não avança por Seti ter receio de ficar submetido à influência de Seth que lhe deu o nome, tal é a dor que sente pelo filho não ter resistido. Faz contudo um único pedido à Rainha: que o filho seja inumado numa Morada de Eternidade no Vale dos Reis. Tausert parte de imediato para Tebas, sem escolta, para satisfazer o desejo do Rei. Consegue, com a ajuda do mestre-de-obras, convencer Amenmés e levar avante as suas intenções e ainda sair ilesa de Tebas, apesar do ódio que este sente por ela.

Na aldeia, ainda que os dias sejam conturbados, o nosso protagonista é convidado a apresentar a sua obra-prima, à semelhança de outros antes dele. Revelados os segredos da profissão e depois de ter decorado um túmulo real, é chegada a hora de Paneb descobrir a matéria-primordial. Decide que só poderá fazê-lo através da pintura pelo que começa a decorar a Morada de Eternidade de Néfer, o seu pai adotivo.
Apresenta, aquela que crê ser a sua obra-prima, deixando a todos mudos de admiração. Esta é aceite e animada pela Pedra de Luz, sem a qual não teria qualquer significado. Paneb abre finalmente os olhos e o coração, convidado a conhecer profundamente os mistérios sagrados que irá replicar nas suas novas criações.

No palácio, a saúde de Amenmés declina e este rende-se à evidência de que desperdiçou os melhores anos da sua vida num combate absurdo que não se realizou. Resolve que o melhor será entrar em negociações com o pai, o legítimo faraó e pedir-lhe perdão. Infelizmente o tempo foge-lhe e este acaba por morrer antes de levar avante as suas intenções. Quem não fica nada satisfeito com esta situação é Méhi que vê logrados mais uma vez os seus esforços/desejos secretos para lançar Tebas numa guerra civil e ainda vê reforçada a importância do Lugar de Verdade com a visita oficial de Bai, o chanceler do Rei.
Resolve que está na hora de lançar o derradeiro golpe contra esta pequena aldeia que ele quer ver esmagada e que só poderá levar a cabo com a ajuda do traidor que se esconde no interior da aldeia, oculto nas sombras e que ninguém conseguiu ainda identificar, mas que quer a qualquer preço roubar a Pedra de Luz...

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos/Fernando Pessoa

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A Pedra de Luz Vol. II - A Mulher Sábia






Depois da morte de Ramsés, o Grande, todos no Lugar de Verdade vivem dias de grande ansiedade. Ninguém sabe se o novo Faraó desejará continuar a obra do pai mantendo sob a sua proteção a aldeia.
Os inimigos de Néfer não deixam, contudo, de ver aqui uma oportunidade para desacreditá-lo aos olhos do faraó, acusando-o atos ilícitos na qualidade de mestre-de-obras. Aproveitando a visita de Merenptah à aldeia, falsas provas são reunidas, pondo à prova a lealdade de todos para com Néfer. Porém qualquer dúvida é dissipada e todos exultam quando este é oficialmente promovido a mestre-de-obras e Merenptah os tranquiliza relativamente ao seu apoio. Todos serenam menos Méhi, que vê frustrada mais uma tentativa para destruir o Lugar de Verdade. Com o logro, o seu cúmplice cai em desgraça e Méhi vê-se obrigado a suprimi-lo, ocupando o seu lugar. Nomeado administrador-principal da margem oeste, vê-se involuntariamente obrigado a velar para que nada falte ao Lugar de Verdade.


Na aldeia, a Mulher Sábia toma Clara como sua assistente ensinando-lhe tudo o que sabe, preparando a passagem do testemunho.
Neste volume, o destaque é dado a Clara, mulher de Néfer, O Silencioso que ascende a Mulher Sábia, tornando-se mãe sagrada da confraria.
Juntos terão de manter a calma na confraria quando aquele que se move nas sombras e dissimulado danifica as ferramentas, apesar de rigorosamente guardadas e, aliando-se a Méhi, a troco de uma pequena fortuna (contrariando os ensinamentos de Maet que jurou respeitar quando entrou para a confraria), tudo faz para deixar a Néfer desprotegido, logo vulnerável.

Também Paneb, O Ardente merece algum destaque. Néfer e Clara adotam-no como filho e cumprindo uma promessa que lhe fez há muitos anos, Néfer conduz Paneb até Mênfis para lhe confiar o segredo da construção das pirâmides. Enquanto estão na cidade, Merenptah reúne em Per-Ramsés os seus generais para discutirem estratégias de guerra para afastarem uma coligação de tropas inimigas que parece ameaçar as fronteiras do reino. Merenptah sai vitorioso e todos respiram de alívio na capital das Duas Terras.

Chegados ao final deste volume conhecemos a Seti, filho de Merenptah e a esposa Tausert e, por sua vez a Amenmés, o filho que vive na sombra do pai e não esconde o ódio que sente por ambos, mas principalmente pelo pai por ter tomado uma segunda esposa. Não esconde também o desejo de reinar, apesar de saber que o pai será o próximo na linha de sucessão.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Dizem que vem uma vaga de frio no próximo fim-de-semana.
Tempo perfeito para ficar em casa a ler um bom livro.
Leituras aconchegantes para todos.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A Pedra de Luz Vol. I - Néfer, o Silencioso





O romance começa nos últimos anos do reinado de Ramsés o Grande.
Jacq começa por apresentar-nos a Ardente, um jovem colosso de 16 anos, cuja única ambição é passar o resto dos seus dias a desenhar/pintar. Incompreendido pela família, decide abandonar o lar para se apresentar no único lugar capaz de satisfazer os seus desejos - o Lugar de Verdade - uma aldeia misteriosa no deserto que abriga um pequeno grupo de artesãos encarregados da construção dos magníficos túmulos dos faraós.

De seguida, e através de Ardente, conhecemos a Silencioso, que vagueia sem rumo numa busca pessoal, esperando ouvir o apelo para poder apresentar-se junto do tribunal de admissão da confraria do Lugar de Verdade. E, quase em simultâneo, ambos pedem a sua admissão. Silencioso apresenta-se com Clara, que toma por esposa, sendo imediatamente aceite, enquanto Ardente é posto à prova antes dos membros do tribunal concordarem em aceitá-lo como membro da confraria. Nasce entre eles uma amizade sólida e inabalável.

Conhecemos também a Méhi, um oficial tebano, que vive obcecado em descobrir os segredos do Lugar de Verdade e em apoderar-se da Pedra de Luz. Vemo-lo capaz, junto com a esposa Sérketa, que torna sua cúmplice, das mais variadas maquinações, aniquilando todos aqueles que se revelem um obstáculo às suas pretensões.

Acompanhamos o crescimento pessoal de Néfer, o Silencioso enquanto artesão e escultor. E é sem surpresa que todos o aceitam quando este é escolhido para próximo mestre-de-obras.
Ao virarmos a última página, os ventos não trazem bons agouros e todos no Lugar de Verdade ficam inquietos depois da notícia da morte do faraó Ramsés, o Grande.

E em seguida…
A Pedra de Luz Vol. II - A Mulher Sábia

sábado, 7 de janeiro de 2012

Grandes livros inspiram debates

Arranca segunda-feira o ciclo de conferências “Política e pensamento: a voz dos livros”, organizado por Ribeiro e Castro e com a parceria do i, Antena 1 e da livraria Ferin. A ideia é discutir a política de hoje a partir da reflexão sobre os grandes livros que inspiraram o pensamento político e humano.

Os debates têm lugar na livraria Ferin do Chiado, na Rua Nova do Almada, pelas 18h30.

Pedro Lomba
Jurista
O jurista e comentador abre este ciclo de debates que já tem segunda série agendada para arrancar em Setembro. Pedro Lomba vai lançar o debate e a reflexão a partir do “Compêndio da Doutrina Social da Igreja” pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz

Álvaro Santos Pereira
Ministro da Economia
A 19 de Janeiro, o ministro da Economia leva o seu próprio livro, “Portugal na Hora da Verdade”, para a conferência em que é convidado. É uma obra escrita quando era docente na Universidade de Vancouver e que fala de como vencer a crise

João Salgueiro
Economista e ex-ministro das Finanças
O ex-ministro das Finanças e do Plano escolheu levar para a conferência onde estará, a 6 de Fevereiro, um livro de 2010, de Jacques Attali: “Estaremos Todos Falidos Dentro de Dez Anos?”

Carlos Magno
Presidente da ERC
O novo presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) vai abrir o debate a partir de um clássico do século XVI, “O Príncipe”, de Maquiavel, uma das obras fundadoras da ciência política moderna

Mário Soares
Ex-presidente da república
A 5 de Março, o ex-Presidente da República é o convidado deste ciclo de debates, a realizar na livraria Ferin do Chiado, e ficou encarregado de levar uma obra, que ainda está por definir, sobre o tema da construção europeia

Carlos Moreno
Ex-juiz do Tribunal de Contas
O uiz jubilado do Tribunal de Contas vai conduzir o debate de 19 de Março e leva consigo o livro que publicou em 2010: “Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro”. O ex-juiz do TC tem sido muito crítico em relação ao estabelecimento das parcerias público-privadas

João Carlos Espada
Professor universitário
O director do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica escolheu “Da Democracia na América”, um livro em que o francês Alexis de Tocqueville analisa a democracia americana, para o debate a que preside no dia 2 de Abril

João Pereira Coutinho
Comentador
A 16 de Abril o dia é do comentador, que vai propor um debate a partir do livro “Reflexões sobre a Revolução em França”, publicado em 1790 pelo filósofo e político inglês Edmund Burke, um dos pais do conservadorismo anglo-saxónico

José Manuel Fernandes
Jornalista
O jornalista e ex-director do “Público” leva “A Ética Católica e o Espírito do Capitalismo”, de Michael Novak, para a conversa de 7 de Maio. Novak defende que “a ética católica pode corrigir e alargar o espírito do capitalismo” tal como foi definido no clássico de Max Weber

D. Manuel Clemente
Bispo do Porto
O bispo do Porto escolheu “Os Descobridores”, de Daniel Boorstin. O livro faz parte de uma trilogia (“Os Criadores” e “Os Pensadores” são os outros dois) e descreve toda a história do conhecimento humano. A conferência é a 21 de Maio

Jaime Nogueira Pinto
Professor universitário
O investigador estará na livraria Ferin a 4 de Junho a lançar o debate sobre “O Fim da História e o Último Homem”, de Francis Fukuyama, uma obra que faz a apologia da democracia liberal por oposição ao socialismo, após a queda do bloco soviético

Miguel Morgado
Assessor político do primeiro-ministro
A 25 de Junho, este académico, especialista em ciência política e assessor de Passos Coelho leva para o debate “A Utopia”, de Thomas More, uma obra do século XVI que projectou a ideia de uma sociedade perfeita 

Viriato Soromenho Marques
Professor catedrático
A 2 de Julho, Soromenho Marques leva “O Federalista”, de Alexander Hamilton, James Madison e John Jay, três founding fathers dos EUA que reuniram numa obra artigos saídos das reuniões de Filadélfia, para elaborar a Constituição americana.