quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O Corpo Estranho







Nem sei por onde começar tamanha é a desilusão com o livro e com o seu autor.
Quando ouvimos falar em Robin Cook, invariavelmente ouvimos dizer que ele é o pai do thriller médico e dão-nos conta do seu sucesso ao referirem a sua vasta obra publicada. Contra ESTES factos não há argumentos.
Contudo, confesso que fiquei desiludida ao ler aquele que será o seu 25º título, deveria ter começado pelo primeiro? Terá sido esse o meu erro?

Mas passemos à história:
Jennifer Hernandez, a nossa protagonista, é uma estudante de medicina no seu último ano na UCLA. Enquanto fazia tempo na sala de espera do hospital, olha distraidamente para a TV e fica a saber através da CNN que a sua avó, Maria Hernandez, morreu após cirurgia num hospital na Índia. Chocada, parte de imediato para Nova Deli, devastada pela notícia. Dirige-se ao hospital onde tudo aconteceu e imediatamente é pressionada para tomar uma decisão: cremar ou embalsamar. Jennifer não quer tomar nenhuma decisão precipitada e tenta ganhar tempo enquanto procura respostas e recuperar do jet-lag. Nessa mesma noite, sem conseguir dormir, liga a TV para procurar pôr-se a par de possíveis desenvolvimentos na CNN sobre a história da avó. Fica a saber de mais um caso de morte e começa a suspeitar de que algo de estranho se passa.

Acorda e lembra-se de procurar o apoio de Laurie, uma amiga de longa data e que por mero acaso ela e o marido são patologistas forenses e ambos trabalham como médicos legistas (coincidência fantástica?!). Imediatamente, Laurie e Jack viajam até à Índia (como se a Índia estivesse logo ali ao virar da esquina), para examinarem o corpo de Maria Hernandez, quando o hospital se recusa terminantemente a efetuar uma autópsia. No dia seguinte, outro hospital regista mais uma morte. Imediatamente Jennifer entra em contacto com as viúvas e pede-lhes para não tomarem qualquer decisão em relação aos corpos, porque aguarda a chegada dos amigos que irão desvendar o dito mistério (que, nós leitores, já conhecemos desde as primeiras páginas do livro!). Jennifer faz entretanto algumas investigações por conta própria, ganhando alguns inimigos que procuram tirá-la do seu caminho.

Os amigos chegam finalmente a Nova Deli e dirigem-se ao Queen Victoria Hospital para uma consulta marcada previamente de Nova Iorque. Após a consulta, colocam o médico a par da razão da sua vinda à Índia e ainda conseguem a sua (preciosa) ajuda para realizarem a autópsia (terminantemente negada pelo hospital onde este trabalha!), como se fosse a coisa mais natural do mundo, e ainda trata de conseguir as instalações perfeitas à sua realização (qual é a probabilidade de isso acontecer na vida real? mais uma coincidência fantástica!). Conseguem em seguida tirar o corpo de Maria Hernandez do hospital e realizar a autópsia. Enquanto isso, Jennifer é raptada pelos conspiradores que querem perceber o que a fez suspeitar das mortes não serem naturais. Enquanto Laurie e Jack tentam chegar até junto dos outros dois corpos (e conseguem com a maior das facilidades), Jennifer consegue evadir-se precisamente com a ajuda da enfermeira que matou a sua avó...!
Os conspiradores são punidos e como num conto de fadas, todos vivem felizes para sempre! E o mais incrível é que tudo acontece no espaço de uma semana...


A conspiração é-nos revelada assim que Jennifer aterra na Índia, não chego a perceber onde está o dito mistério e quanto ao suposto suspense, não chego a perceber de todo! Na minha (modesta) opinião, o livro revela uma TREMENDA FALTA de imaginação, e se não estivéssemos a falar de Robin Cook, diria que o livro fora escrito por um amador neste tipo de enredos...

sábado, 19 de novembro de 2011

A Curva do Rio


“O mundo é o que é; os homens que não são nada, que se permitem tornar-se nada, não têm lugar nele”
É com esta frase que V. S. Naipaul, prémio Nobel da Literatura em 2001, inicia A Curva do Rio, cuja história decorre num país africano sem nome, numa cidade interior, na curva de um rio.
Salim, um jovem filho de indianos, compra uma loja numa cidade do interior desse país africano e pensa que assim terá um bom futuro. Mas num país pós-colonial, com enormes atrasos e sem sociedades desenvolvidas no sentido europeu, o conflito é uma realidade permanente.
A cada linha vemos as relações de dependência entre as pessoas, a escravatura, a pobreza, corrupção. Ao lado disto, temos um poder político omnipresente, primeiramente como esperança, depois como a única realidade dominante. E que a mim fez lembrar Orwell no seu assustador 1984.
Salim não tem grandes relações sociais. Num país africano, ele é indiano e as suas relações mais próximas são com indianos. De entre essas relações destacam-se um casal também comerciante que foi para a cidade, mas que vive de medo. Um casal de aparência social com o qual almoça uma vez por semana.
Além deste casal há Metty, um escravo da sua família que é impingido para ir viver com ele nessa cidade do interior. É muito interessante ver a relação entre ambos ou, indo mais além, seguir a ligação existente entre esses escravos e os seus senhorios. Em muitas situações é o escravo que acaba por ser o senhor. A relação entre Salim e Metty oscila entre a quase cumplicidade e o parasitismo puro.
Há ainda um amigo de juventude que graças aos estudos consegue ser próximo do presidente. É colocado na Cidade Nova, reencontra Salim, e a partir daqui seguem-se várias peripécias romanescas e as soirées (lembrou-me Os Maias) com pessoas relevantes socialmente. Raymond escreve discursos do Grande Chefe, é seu conselheiro privilegiado. Mas num país em ebulição, rapidamente cai em desgraça.
Em termos gerais, a história decorre num país pós-colonial, inicialmente cheio de esperança no progresso e no futuro. Mas rapidamente há um desmoronamento social, e é dramático ver o que acontece a todas as personagens. Da esperança passam ao descrédito. A violência, a corrupção, as guerras, rapidamente transformam em tragédia qualquer sonho, por mais básico que seja. A esperança depositada num novo poder político, com traços de iluminismo, rapidamente dá lugar a mais um regime totalitário. Os amanhãs que cantam vestidos de violência, tragédia, cegueira social. Tudo sempre com a melhor das intenções.
Aquilo que associamos normalmente a África aparece nesta obra em todo o seu esplendor. A Curva do Rio é um retrato dramático deste continente mergulhado numa permanente instabilidade e sem perspectivas de uma vida normal. 
(Declaração de interesses: sou manifestamente eurocêntrico).
Pelo tipo de personagens e pelos países que vão sendo citados, percebemos que este país sem nome fica próximo do Corno de África, algures entre a Tanzânia e a Somália.


Fora do âmbito da obra, o que me fez mais comichão no céu-da-boca foi o facto de já estar impresso em versão acordo ortográfico. Se esta alteração passa despercebida em quase todo o texto, há no entanto palavras que chocam. Destaco apenas uma palavra que surge inúmeras vezes e que é intragável: receção (em vez de recepção). Ler isto, e tentar articular de viva voz, é uma aberração.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Filha Pródiga





Mais um livro deste grande contador de histórias.

Mas o que é deveras fascinante em A Filha Pródiga é a forma como Archer reinventa a história das personagens que nos deu a conhecer em Kane & Abel
para nos contar a história da filha deste último – Florentyna Rosnovski. Apesar de recordamos cada um dos episódios, acrescenta a versão de um novo protagonista, têm de concordar que é de mestre!

Em Kane & Abel testemunhamos um duelo de titãs entre dois homens obstinados em se destruírem um ao outro, em A Filha Pródiga, a luta continua com Florentyna, filha de Abel. Dotada de beleza, de uma personalidade única e principalmente de uma vontade férrea ambiciona apenas uma coisa - ascender ao mais alto dos cargos.


Conhecemos Florentyna ainda criança e desde cedo ficamos com a impressão de que está destinada a grandes feitos, isso é certo, e no final de cada capítulo agarramo-nos a cada palavra como se fosse a última e no entanto há ainda muito para contar. É extasiante!
Se não fosse suspeita, diria que de uma singularidade, Archer consegue montar uma história que muitos diriam conhecer e no entanto lemo-la como se fosse a primeira vez!
A prova de que os filhos continuam a saga desta família singular. Recomendo!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Leituras em greve

Uma das coisas boas de dias como hoje, com greves, é que as longas esperas e demoras dos transportes permitem ler paginas e páginas de livros. 
Hoje, graças a isso, li umas 80 páginas d'A Curva do Rio.

sábado, 5 de novembro de 2011

"O mundo é o que é; os homens que não são nada, que se permitem tornar-se nada, não têm lugar nele."

Começa assim A Curva do Rio, de V. S. Naipaul, cuja leitura estou a iniciar.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

As Serviçais




As Serviçais (The Help), de Kathryn Stockett, fazia parte da minha lista de ‘livros a ler’, uma lista onde registo todos os livros que um dia gostaria de ler. Não fazia ideia do seu sucesso literário ou de que estava para breve a estreia da adaptação cinematográfica.
Como sempre, hesitei entre esperar pelo filme para depois ler o livro ou em começar pelo livro e só depois ver o filme. Acho que aquilo que me levou, desta vez, a começar pelo livro foi o alguém ter dito que a história era hilariante e nos tempos que correm rir não é o melhor mas o único remédio...

Começamos por conhecer Skeeter, que acaba de terminar a faculdade e que regressa a casa para seguir o seu sonho e tornar-se escritora, ainda que tenha de ir contra as convenções da época e os planos da mãe em vê-la com uma aliança no dedo. Através dela, conhecemos Aibileen, a quem pede ajuda e que por sua vez nos apresenta a Minny.Entre elas nasce uma cumplicidade quase imediata, o que leva Skeeter a escrever a história de Aibileen e, depois a de outras criadas que apesar de criarem e amarem as crianças das famílias brancas como se fossem suas, são discriminadas apenas pela cor da sua pele. Estas mulheres são a voz da esperança, da tristeza, do preconceito e da necessidade de mudança.
E, de facto, as suas vidas vão mudar para sempre!
«Talvez não seja demasiado velha para recomeçar, penso, e rio-me e choro ao mesmo tempo. Porque, ainda na noite passada, pensei que já não tinha nada de novo a fazer na minha vida.»

Sobre a segregação racial na América sulista, na década de 60, As Serviçais são um poderoso testemunho de que é possível mudarmos as coisas se tivermos a coragem necessária.
A desfavor só aquilo que se perde na tradução e que inevitavelmente fere o livro nas suas entranhas, é impossível não ficar com a sensação de que falta ali qualquer coisa para determinada frase pulsar de sentido.
Sobre o filme:
A sensação é a mesma do livro, não conseguimos parar a expectativa. No livro, a cada página, o que nos leva a não querer parar de ler, no filme, a cada take, para vermos a adaptação de determinado episódio retratado no livro. Há semelhanças e diferenças, um não é o retrato fiel do outro, o filme retira, enquanto o livro acrescenta, com o filme apenas damos um rosto às personagens que conhecemos intimamente ao longo de cada página. Mas não é o que acontece sempre? De qualquer forma recomendo ambos!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Livro do Amanhã


Por sugestão de uma leitora deste cantinho, uma pequena apresentação deste livro:

Tamara Goodwin tem dezasseis anos e vive confortavelmente numa mansão moderna com seis quartos, habituada a ter tudo o que quer quando quer. Mas, quando o pai morre deixando inúmeras dívidas, Tamara e a mãe não têm outra alternativa senão vender tudo e ir viver com parentes para um lugar distante e isolado junto ao castelo de Kilsaney. Para Tamara o choque parece inultrapassável, até que um dia uma biblioteca itinerante chega à vila trazendo consigo um misterioso livro encadernado a couro e fechado com um cadeado dourado… 
Com mais de um milhão de exemplares vendidos em todo o mundo, O Livro do Amanhã é o novo romance da autora de P.S. Eu Amo-te. 

A impressão que o livro causou na Filomena:
"Uma narrativa surpreendente, pela voz de uma adolescente inconformada. Prendeu-me do início ao fim e fez-me voltar à adolescência tal foram as peripécias de Tamara. Uma obra onde os valores da amizade, do amor e da família são os únicos pilares que conseguem erguer as personagens e onde o mistério e a espiritualidade nos cativam até à ultima linha. Num ambiente de magia e suspense vimos desfilar as primeiras experiências de uma adolescente assustada, vibramos com as suas investigações em cenários idílicos e participamos na descoberta de segredos, relembrando-nos que os afetos são a nossa prioridade nesta vida e que o nosso amanhã já foi escrito algures. "

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O Jogo do Anjo







É mais uma vez uma história DE e SOBRE livros. Nas palavras do autor: "de quem os faz, de quem os lê e de quem vive com eles, através deles e até contra eles. É uma história de amor, amizade e, em alguns momentos, sobre o lado obscuro de cada um de nós" e termina dizendo que é sua intenção oferecer ao leitor uma "experiência intensa e convidá-lo ao jogo da literatura".

David Martín, o nosso protagonista, é um jovem escritor que vive em Barcelona na década de 20 e que ambiciona ter o seu nome impresso num pedaço de papel, tornando-se imortal (acho que isso é mesmo aquilo que todos os nossos personagens pretendem - viver para além de um pedaço de papel), capaz de vender até a alma para o conseguir. Seguimos de perto as suas tentativas, enquanto deambulamos por cenários familiares, como a pequena livraria Sempere e Filhos e o mágico Cemitério dos Livros Esquecidos, de onde, mais uma vez, o nosso protagonista retira um livro, além de esquecido, maldito.
É mais uma vez uma história que mistura o amor pelos livros, a paixão e a amizade. Temos também algum mistério como em A Sombra do Vento, confesso que vi algumas semelhanças, não só entre personagens, mas no preço que pagaram para chegar à verdade.

É também um livro que não se explica, compreende ou que se justifique. Não vou colocar aqui os pormenores da história, não quero retirar ao leitor o prazer de ver-se enredado nos labirintos de uma intriga sinuosa e ao mesmo tempo perigosa. A história flui veloz e vertiginosamente, com uma precisão narrativa que nos deixa exaustos porque simplesmente não conseguimos parar de ler. Quem gostou de A Sombra do Vento, vai certamente adorar esta nova lufada de mistério, entrar de novo no santuário dos livros esquecidos onde "cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu, e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar sobre as suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se mais forte. Neste lugar, os livros de quem já ninguém se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar às mãos de um novo leitor, de um novo espírito..." eu acrescentaria: e de colocar aí toda a sua magia.

domingo, 23 de outubro de 2011

A Pequena Princesa



O filme é de 1995 e, de facto é uma história de miúdos, mas que continua a fascinar graúdos.
Guardo o filme nas minhas memórias de 'miúda' e, volvidos todos estes anos, eis que a história vem ter comigo novamente, agora em livro.


A história é encantadora, ou não o fossem todas as histórias de princesas. Não quis acreditar que fosse a mesma, até ler a sinopse:
«Aos oito anos, Sara vem da Índia para Inglaterra, enviada pelo pai para um colégio interno em Londres. Miss Minchin, a dona do colégio, invejosa das recomendações do riquíssimo Capitão Crewe para que rigorosamente nada falte à sua filha, acha que aquela criança deve ser insuportavelmente mimada. Pelo contrário, Sara adora ler e estudar e faz rapidamente amizade com as colegas e com Becky, a criadita que é posta ao seu serviço. Três anos mais tarde, chegam notícias de que o Capitão Crewe morreu na Índia, depois de perder toda a fortuna, e Sara vê-se subitamente rebaixada e tratada como a última das serviçais pela vingativa Miss Minchin. Até que um dia, um misterioso senhor indiano vem viver para a casa em frente e adoça a dura vida da órfã, ajudando-a a não se deixar quebrar pela maldade de Miss Minchin...»

Um filme/livro emocionante sobre o poder da amizade e sobretudo sobre o poder da imaginação! Deixo-vos com o trailer...e com algumas curiosidades.

"Because it's magic. Magic has to be believed. It's the only way it's real."

sábado, 22 de outubro de 2011

Vida sem Limites


Logo na capa Nick Vujicic deixa a pergunta: “se eu consigo ser feliz, porque é que tu não consegues?”
Nick Vujicic é um jovem australiano que nasceu sem braços e sem pernas. Ou seja, tinha todas as condições para ser uma das pessoas mais infelizes do mundo. Mas não é.
“Nasci sem quaisquer membros mas não me sinto constrangido pela minha situação. Viajo por todo o mundo, encorajando milhões de pessoas a superar a adversidade através da fé, esperança, amor e coragem, para que possam perseguir os seus sonhos”.
Este livro autobiográfico, com incidências de auto-ajuda e de evangelização (excessiva para meu gosto), é uma inspiração em vários momentos. Apesar de ter nascido com falta de peças (ele próprio brinca muitas vezes com a sua circunstância), isso não o tem impedido de realizar os seus sonhos e a sua “missão”. Aprendeu a fazer surf, a andar de skate, a atender o telemóvel atirando-o com o pequeno pé para o ombro, a pôr-se de pé sem ajuda… a gozar com as situações. Por exemplo, quando se escondeu no compartimento para bagagens do avião, por cima dos assentos, para ver a reacção dos passageiros quando o abriam para guardar as malas e encontravam este ser humano estranho.
Ao longo do livro Nick vai relatando as suas experiências de vida, as suas viagens, as histórias que tem acompanhado e que também o têm inspirado por todo o mundo. Sempre com um sorriso na cara, pois o sentido de humor não foge à sua vida sem limites: “sem braços, sem pernas, sem limites” é justamente o título do capítulo dois.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

As Pontes de Madison County


Se tivesse de escolher a mais bela história de amor literária, escolheria, sem sombra de dúvida, a protagonizada por Robert Kincaid e Francesca Johnson.

Robert Kincaid, 52 anos, fotógrafo da National Geographic – um solitário viajante que colecciona imagens, imagens de desertos áridos, de rios longínquos, de cidades perdidas, um homem que sente não pertencer ao tempo em que vive.
Francesca Johnson, 45 anos, noiva italiana do pós-guerra, vive nas colinas do Iowa com as memórias ainda vivas dos seus sonhos de juventude. Esta estabilidade frágil que ambos vivem é quebrada quando Robert Kincaid atravessa o calor e o pó de um Verão do Iowa e chega à quinta de Francesca em busca de informações. Este é o momento em que as suas vidas se entrelaçam num invulgar momento de alucinante beleza, em que ambos se deixam levar pelos seus sentimentos e durante quatro dias vivem experiências de toda uma vida e que recordarão sem cessar até ao fim dos seus dias.

O resultado? A história de um amor na sua forma mais pura e até ingénua. Através de uma linguagem simplesmente apaixonante e profundamente comovedora, Robert James Waller consegue, transmitir-nos um conjunto de imagens onde a solidão, o amor, o sofrimento e os valores se misturam elevados ao nível mais profundo que se possa imaginar.

Não aconselho o filme antes de lerem o livro. Embora Richard La Gravenese seja o homem certo para este tipo de filmes, o sentimento que une as personagens é tão profundo que não pode ser reduzido a meia dúzia de takes, mas só quem leu o livro poderá perceber isso.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O Livro Mágico



Olhei para o livro, para a capa e depois para o título: “O Livro Mágico - Uma história fantástica de auto-descoberta e transformação”.


«Gostei de «O Livro Mágico», não gostei da parte da «auto-descoberta e transformação», pensei logo num livro de auto-ajuda e para esses a minha paciência esgotou-se há muito. Continuei a ler: «Há um momento na vida de todas as pessoas em que se inicia uma profunda transformação, uma metamorfose, uma crisálida que começa a abrir as asas da consciência e da magia que habita dentro de cada um de nós e que espera silenciosamente o momento para nos mostrar o sentido da nossa existência.» Definitivamente este era um daqueles...


Geralmente teria passado ao largo sem olhar para trás, mas depois li a sinopse e alguma coisa me fez mudar de ideias...

Inés, a protagonista desta história, é uma mulher que se sente perdida e só, depois de uma separação conturbada. Vê a vida passar-lhe à frente enquanto nada mais faz do que queixar-se de tudo e de todos, qual vítima das circunstâncias, como se o universo conspirasse apenas para a fazer infeliz.
A sua vida muda, quando, um dia, encontra na biblioteca local um livro estranho que parece conhecê-la há muito tempo...a princípio com medo, mas depois Inés entrega-se à magia do livro que a leva a ultrapassar de uma vez todas as barreiras que ela vinha impondo a si mesma. Ela reaprende a viver, a lutar pelo que quer e a perdoar, para finalmente fazer as pazes com o seu passado.


Obriguei-me muitas vezes a não parar de ler este livro, senti que precisava fazê-lo. Assim, como a nossa protagonista, deixei que o livro me guiasse e me mostrasse os quão diferentes as coisas podem ser quando olhamos para elas com outros olhos, com os olhos do coração e não da razão. Descobrimos uma essência que sempre esteve lá, damos uma hipótese a nós mesmos de viver quebrando cada um dos limites que nos impusemos, sem queixumes, sem desculpas, passo a passo!
Fazemos muitas viagens quando lemos um livro, mas nenhuma foi tão profunda quanto esta, uma aventura de facto mágica!


"Se tens capacidade de imaginar, também tens capacidade de materializar o que imaginas."

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Estantes para livros modernos

No Público:
"Uma estante cheia de teias de aranha, sem nada à vista. Foi com esta ilustração que a revista “The Economist” ilustrou um artigo publicado na edição da semana passada sobre a transformação no mercado livreiro. O IKEA já admitiu que vai transformar um dos seus modelos mais populares de estantes, adaptando-o à era dos leitores electrónicos.
“Para se perceber o quão profundas são as transformações no sector livreiro, o melhor é olhar para as estantes”. Começa assim o texto da “The Economist” que indica que o gigante sueco dos móveis IKEA vai introduzir no próximo mês uma nova versão da sua estante “ubíqua” Billy. 
 A empresa vai começar a comercializar mais estantes com portas de vidro, a fim de que estas possam servir num futuro próximo para albergar objectos decorativos em vez de livros, contando que estes passem a ficar armazenados num leitor de livros electrónicos."

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma impressão

Como ando em falta com as leituras, resta-me chamar a atenção para as palavras impressas por outros.
Desta vez para um post no Delito de Opinião sobre Orhan Pamuk e "O Museu da Inocência": o relicário da memória.
Há uns anos ofereceram-me "A Vida Nova", do mesmo autor. Li algumas páginas e deixei-o de parte. Não me agarrou. Talvez não fosse a hora.

Enquanto não retomo as minhas leituras à velocidade de cruzeiro, deixo aqui esta impressão com Istambul em fundo. Ou não fosse esta uma das cidades que gostava de conhecer, entre dois continentes.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Símbolo Perdido









DAN BROWN e o Código Da Vinci. Comprei o livro quando todos já o haviam lido. Li as primeiras páginas e não encontrei motivo para continuar e virar a última.
Outros livros foram publicados e o meu interesse mantinha-se o mesmo, até ouvir falar de O Símbolo Perdido.

Embarcamos com o professor Robert Langdon em mais uma aventura envolvendo símbolos, enigmas e um estranho pacote lacrado com um selo Maçom, com uma Fénix de duas cabeças, o número 33, e a inscrição "'Ordo Ab Chao'Ordo Ab Chao" (Ordem a partir do caos). Langdon lembra-se do dia em que Peter Solomon lhe confiara o objecto e lhe pedira para o guardar.
Assim que pisa o chão do Capitólio, Langdon percebe que foi enganado e não tarda em descobrir o motivo. Recebe um telefonema da pessoa que o atraiu até ali e que lhe diz ter sequestrado Peter Solomon e, que se quer voltar a vê-lo com vida, tem de encontrar um antigo portal em Washigton, decifrando os vários enigmas e que tem até à meia-noite para o fazer.
Não tarda a surgir o primeiro pela mão de Peter Solomon, literalmente. Robert ouve uma gritaria no Capitólio e ao dirigir-se para o local, encontra uma mão no chão, que reconhece como sendo a do amigo pelo anel que tem num dos dedos, tatuada com os símbolos da Mão do Mistério, um convite para receber conhecimentos sagrados. Estranhamente, também a agente Sato da CIA chega rapidamente ao local.
Langdon percebe que só ele poderá ajudar o seu mentor. Com a ajuda de Katherine Solomon, irmã de Peter, vai decifrar os segredos escondidos na Pirâmide, aproximando-se do grande Símbolo Perdido.

O livro tem como pano de fundo a história da maçonaria na América e o mais fascinante é ver como tudo está interligado, como numa grande teia de fios: Os construtores das pirâmides do Egipto com Pitágoras com o Rei Salomão com Jesus com os gnósticos com os Cavaleiros Templários com Francis Bacon com Isaac Newton ou com George Washington. Todos parecem estar relacionados entre si e chegam até nós envoltos em mistérios sagrados. Como disse, uma temática fascinante, bem como algumas das lendas maçónicas recolhidas por Dan Brown para este livro. Deixo-vos com algumas curiosidades:

A respeito da Fundação de Washington - todos os prédios públicos da capital tiveram a sua pedra angular (ou Pedra de Fundação) colocadas precisamente seguindo datas e horários calculados pelo estudo da Astrologia Hermética. Por exemplo, o Capitólio, marco zero da fundação da cidade, foi iniciado precisamente no dia 18 de Setembro de 1793, entre 11h15 e 12h30.



A Mão do Mistério, descreve os símbolos da Apoteose ou a transformação do homem em deus. O facto da mão não é deixado ao acaso, aparece no Capitólio, onde existe um afresco de Constantino Brumidi, membro da maçonaria, a Apoteose de Washington, no qual retrata a Ascenção de George Washington aos céus. Este afresco é dividido em seis partes, nas quais mistura elementos da mitologia grega com personalidades americanas.

Melencolie, de Albrecht Durer - Uma das imagens que representa o temperamento Melancólico, carregado de simbolismo alquímico. Para o livro, o que importa é o Kamea de Júpiter.
Langdon usa a Alquimia Linguística para decifrar as letras. Ao alinhar as letras correctamente, temos:
Jeova Sanctus Unus , em latim: "Único Deus Verdadeiro".
O pseudónimo de um alquimista muito famoso, membro da Real Sociedade de Londres e da Ordem Rosa-cruz. As 16 letras de Jeova Sanctus Unus podem ser reorganizadas para soletrar o seu nome em latim, o que tornava o pseudónimo perfeito para Isaacus Neutonuus (Isaac Newton).

A Palavra “MASON” escrita na nota de um dólar. Se desenhar o Símbolo de Salomão numa nota de um dólar, as pontas da estrela formarão a palavra “Mason” (maçom) e a parte de cima fará o topo da Pirâmide.

E o simbolo a que tudo se resume:




O esquadro do pedreiro: símbolo de honestidade e sinceridade.
A sequência Au: símbolo do elemento químico ouro.
O sigma: a letra grega S, símbolo matemático da soma de todas as partes.
A pirâmide: símbolo egípcio do homem se erguendo aos céus.
O delta: a letra grega D, símbolo matemático de mudança.
Mercúrio: representado por seu mais antigo símbolo alquímico.
O ouroboros: símbolo de inteireza e de união.

O livro tem uma mensagem clara para quem conseguir percebê-la. Somos convidados a recordar as nossas origens, a elevar-nos a uma consciência universal; a procurar a Palavra Perdida pois ela está bem diante dos nossos olhos e tem o poder de transformar a humanidade ao desvendar os Mistérios Antigos.