quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O Jogo de Memória

Jane Martello descobre um esqueleto no jardim, enquanto supervisiona a obra de alargamento da casa de campo dos Martello, na qualidade de arquitecta do projecto. Depressa pensa que poderá ser o de Natalie, a sua amiga de infância, que desaparecera há vinte e cinco anos atrás. Fica chocada quando a notícia se confirma, além de confirmar-se também que esta estava grávida.
Abre-se um buraco na vida de Jane, no entanto há muito que vinha revolvendo-se em terrenos movediços. A gota de água que fez transbordar o tanque foi o ter decidido repentinamente acabar com o seu casamento de anos. Há muito que já não fazia qualquer sentido estar ao lado de Claud, mas por sentir uma estranha ligação à Família Martello, não pensara nisso a sério antes.
Jane acredita que as respostas que procura estão todas guardadas entre as lembranças de quando ela era uma criança. Incentivada por um terapeuta para recuar no tempo através da hipnose e recuperar as suas lembranças perdidas, Jane espera descobrir o que aconteceu realmente e o que aconteceu com Natalie.
Uma viagem atribulada, resultados inesperados, desvendado finalmente o desaparecimento, uma história aterradora...

Quanto ao livro, tem diálogos inteligentes, no entanto, a história não nos dá muitos motivos para continuar a ler, nem o querer descobrir o que aconteceu a Natalie. Tudo gira em volta de Jane, das suas memórias, o dia a dia na ponta de um cigarro, tentando juntar todas as peças para tentar perceber e manter-se à tona.
Nunca havia lido nada de Nicci French e, para já, descarto a possibilidade de ver se há mais para ler....

sábado, 9 de outubro de 2010

Nobel da Literatura 2010

Ontem Mario Vargas Llosa, escritor peruano, foi galardoado com o Nobel da Literatura.
Era um Nobel esperado há muitos anos. 
Ainda não li nada dele, mas da feira do livro deste ano trouxe "Conversas n'A Catedral".
Hoje ouvi na rádio que este escritor é melhor que Gabriel García Marquez. 
Hummm.... duvido.
Um destes dias tiro as dúvidas.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Capotira - um autor sugere

Através do nosso mail, Roberto C. Puccinelli Jr. enviou-nos o seu site com o romance Capotira, a lançar brevemente em livro.
Trata-se de um romance histórico, que aborda a ida da família real portuguesa para o Brasil, em 1808.
Fica a sugestão e o agradecimento.

Beatriz das mil palavras

Beatriz tinha um espírito livre e cheio de palavras. Jovem, de olhar inquieto e vibrante, tinha um passo apressado e saltitante. Era assim a sua vida, alegre, cheia de futuro e horizontes. Trabalhava há quase um ano na biblioteca da sua pequena localidade. Não quis continuar a estudar, queria misturar-se com as palavras, perder-se dentro dos livros, viver outros mundos, viajar em sentimentos impressos.
Foi bem aceite e acarinhada na biblioteca destes livros ainda não esquecidos. A sua alegria trouxe muitos leitores à biblioteca, sobretudo os jovens das escolas próximas, muitos dos quais conhecia e eram seus amigos e cúmplices de traquinices.
Em poucos meses descobriu – melhor, inventou! – a melhor forma de ter novos amigos dos livros. Trocava páginas entre os vários livros, ao acaso, misturando vidas, conteúdos, imagens, palavras. Qualquer leitor agarrava num livro de poesia e acabava a ler a teoria evolucionista de Darwin, ou tirava à prateleira um livro de arquitectura e descobria, ao abri-lo, que estava a ler as tiras do Tio Patinhas… A imprevisibilidade com que misturava livros era semelhante à magia que se esconde em muitos livros de Gabriel Garcia Marquez. A imprevisibilidade mágica das palavras.
Ao fim do dia, Beatriz saía da biblioteca, mas só os mais incautos podiam imaginar que se desligava das histórias. Na realidade, agarrava a sua bicicleta e ia para o pequeno porto, onde diariamente encontrava os pescadores, os marinheiros, os estivadores, homens com a pele marcada pelo trabalho e pela vida, e com a cabeça cheia de histórias, de aventuras, de episódios que a apaixonavam permanentemente. Beatriz era uma marinheira das palavras em terra, mas cujo espírito navegava em alto mar.
Nunca fora mal recebida nos bares marinheiros, onde ouvia todas as histórias com o mesmo interesse e com o mesmo à-vontade que se fosse um daqueles homens de meia-idade. Para aqueles homens Beatriz era como uma filha, uma mascote que tinham ali quase todos os dias, da qual gostavam genuinamente e por quem uma ou outra vez se sentiam apaixonados. O seu ar juvenil, o seu sorriso resplandecente, a sua sensualidade, a sua leveza, o seu decote, o olhar inquieto, a inteligência curiosa…
Naqueles fins de tarde, Beatriz ouvia histórias de pescarias impossíveis, de tempestades cruzadas, de vidas noutros portos, de desconhecidos quase seus amigos, de coragens, de cobardias, de aventuras, de vidas, de mortes, de dias e de noites, de alegrias e tristezas, sorrisos e lágrimas, e até de um americano que apanhava sempre vários táxis quando ia de um lado para outro.
O Jack apanhava um táxi, e poucos quarteirões à frente pedia para sair. Aguardava alguns minutos e voltava a apanhar um outro táxi que o levaria ao seu destino… ou não. Tinha essa paranóia: não queria que ninguém soubesse de onde vinha, nem para onde ia, por isso apanhava vários táxis numa espécie de estafeta urbana. Já tinha apanhado 10 táxis para ir de um lado a outro da cidade!
Ouviu também a história de um português que era também pescador em França. Nunca acreditara na sorte, até porque aos muitos lugares onde tinha viajado nunca a tinha visto. Por isso, misturava os números do euromilhões e do totoloto para multiplicar as suas possibilidades de ficar rico. Mas, para sua infelicidade, até aos seus 74 anos nunca tinha conseguido enganar a sorte ou baralhar as máquinas que escolhiam os números semanalmente.
Estas e muitas outras histórias maravilhavam Beatriz e levavam-na para outra realidade. Vivia na terra, mas não se coibia de viajar frequentemente ao mundo dos sonhos. Ao início da noite, quando chegava a casa, ia visitar os locais das histórias que tinha ouvido nesse dia, e preparava-se para no dia seguinte voltar ao seu recanto cheio de vidas impressas.
Desde que trabalhava na biblioteca, tinha aumentado o número de leitores e visitantes. Vinham até de localidades vizinhas para espreitar a biblioteca dos livros improváveis. Mas nunca ninguém percebeu que os livros estavam trocados, que as páginas tinham tamanhos diferentes, que o papel era de outra qualidade. A magia daquela biblioteca enfeitiçava quem lá entrava, e ninguém imaginava que a bruxa estava escondida por detrás do olhar doce e do sorriso sedutor da menina Beatriz.



(Para Fábrica de Letras, desafio de Setembro)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Jardim de Alfazema


Ao saber que havia saído um novo livro de Jude Deveraux pensei que iria ler mais uma das suas histórias fantásticas. O mistério por resolver, a conturbada história de amor, a pequena vila onde toda a gente se conhece, está tudo lá menos a emoção que senti quando li Alguém para Amar. As palavras não têm a força do primeiro, os diálogos são monótonos e não sentimos a cada página a curiosidade em desvendar os ditos segredos.
Mas vamos à história.
A autora começa por apresentar-nos Jocelyne Minton. Uma criança deslocada no seio de uma família muito peculiar e que não sente como sua. Por um feliz acaso ou não, conhece Edilean Harcourt e com ela tudo muda. Inseparáveis, uma passa a ser o mundo da outra.
Quando Miss Edi morre, deixa a Joce todos os seus bens, incluindo a sua histórica mansão do século XVIII e uma carta onde lhe revela que encontrou o homem perfeito para ela. Joce fica chocada ao saber que herdou uma mansão em Edilean. Partilhava tudo com Miss Edi, pelo que pensava que esta não tinha segredos para ela. Contudo, decidida a dar um novo rumo à sua vida, Joce muda-se para a pequena cidade.
Em Edilean, já todos conhecem a história da jovem e já delinearam o seu futuro, incluindo o homem com quem se deverá casar. Mas Joce parece ter outras intenções. Decidida a escrever a biografia de Edilean Harcourt, começa a investigar a partir das informações que possui. A história ganha FINALMENTE alguma emoção com as suas descobertas e as (des)aventuras de Miss Edi durante a II Guerra Mundial.
Um dos segredos é revelado e aqui Jude Deveraux leva-nos à lágrima (pelo menos a mim!). A vida de Joce fica definitivamente preenchida, de uma forma que ela nunca achou possível.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Alguém para Amar



Em Dezembro de 2008, escrevia aqui sobre este livro > ver aqui
e ainda:

«Véspera de natal, esperava-me uma viagem de 4H30 para a terrinha. Enquanto fechava a mala que acabara de fazer, passei os olhos pela estante lá de casa na esperança de ver o aceno de um dos livros ainda por ler, auto convidando-se a acompanhar-me, mas nenhum deles ousou mexer-se!
Ainda olhei uma última vez e ante uma segunda recusa, tomei a decisão de passar na Bertrand do Vasco da Gama, tinha tempo!
Depois de rodopiar e parar em volta de quase todas as estantes da loja, e apesar de ter uns quantos livros debaixo de olho, de ter no bolso uma lista ENORME de livros a comprar, não conseguia decidir-me até que...um dos livros sorriu finalmente para mim.
Li na sinopse: “Alguém para amar é uma bela descoberta sobre o tempo e o amor da autoria de uma das romancistas mais acarinhadas pelos leitores de todo o mundo.” - mundo no qual não estava incluída, uma vez que desconhecia por completo a autora do livro.
Foi no regresso a Lisboa que tudo aconteceu!
Recomecei a viagem que tinha deixado quase no início e, quando volto à realidade (“bilhete por favor!”), estava a menos de 100 páginas do fim!!
Parecia possuída pelos fantasmas da história, não conseguia parar de ler! Não por querer conhecer a todo o custo o desfecho dos acontecimentos, mas simplesmente porque deslizamos com uma facilidade através da história, limitamo-nos a estar atentos aos passos das personagens e somos convidados a reunir, junto com eles, todas as peças da investigação, a indagar sem querer quem será o culpado. Assim que este é descoberto, é natural que pensemos que a história chegou ao fim mas, por incrível que pareça, isso não acontece. Não ficamos ainda com aquela sensação de que foi bom mas acabou, de que queremos mais, isto porque ainda há mais e mais não digo!

Jude Deveraux é uma contadora nata de histórias, envolve-nos na sua escrita como poucos e, em cada um dos seus livros resolve desvendar mais uma história emocionante. Está na hora de mais uma em "Jardim de Alfazema".

domingo, 8 de agosto de 2010

Filhos da Fortuna

Não há muito a dizer sobre o livro além daquilo com que o autor nos brinda na contra-capa deste. Resume em algumas linhas 400 páginas que nos relatam uma história simplesmente genial.

"Finais dos anos 40, Connecticut. Dois irmãos gémeos são separados pouco depois do nascimento. Nat vai para a casa dos pais, uma professora de liceu e um vendedor de seguros, enquanto o irmão começa os seus dias como Fletcher Andrew Davenport, o filho único de um casal de milionários."

Archer conta-nos o percurso de um e outro com uma mestria, que mantem ao longo de cada capítulo, quase temos vontade de dizer-lhe que se apresse em contar-nos tudo, mas ele apenas levanta a ponta do véu e ficamos, assim, a salivar por mais desenvolvimentos. Entrelaça a história de um e outro como se fosse uma só e, chegamos de facto ao fim e vemos que a história de um é a história do outro.
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Ambos constróiem uma vida de sucesso, ambos ao lado da mulher que sempre amaram. Nat serve no Vietname, com apenas 19 anos, de onde regressa coberto de glória, sendo condecorado com uma Medalha de Honra. Termina o curso em Harvard com distinção e casa com a "sua pequena flor", a única mulher que lhe roubou verdadeiramente o coração. Torna-se um banqueiro de sucesso. Fletcher, por seu lado, forma-se em Yale e distingue-se como um dos melhores advogados de direito penal, antes de ser eleito senador.
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Os seus caminhos acabam por cruzar-se a certa altura (não sem antes Archer dar-nos conta de vários indícios que juntamos e a estranha ligação que Fletcher parece sentir em relação a Cartwright quando descobre que nasceram ambos no mesmo dia, ano e hospital) quando Fletcher tem de defender Nat de uma acusação de homicídio. Fá-lo com mestria, apesar das circunstâncias, criando um laço que acabará por salvar-lhe a própria vida.
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Por fim deixo-vos uma passagem do livro que, embora Flecher a tenha levado mais à letra, também Nat fez dela mote para a sua vida (e vão com certeza descobrir também o único ponto que este livro tem de mau):

"Não desperdicem um único momento do vosso tempo enquanto estiverem em Yale, caso contrário arrepender-se-ão o resto da vida de não terem aproveitado tudo o que esta universidade tem para oferecer. Um tolo sai de Yale com apenas um curso, um homem sábio sai com conhecimentos suficientes para enfrentar tudo o que a vida lhe colocar pela frente. Agarrem todas as oportunidades que vos forem oferecidas. Não tenham medo de nada. Desafiem todas as ordens e não permitem que se diga que percorreram um caminho mas não deixaram uma marca."
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Já descobriram? Não..."permitem"?
Não sei quem foi o responsável pela revisão do livro ou se sequer foi feita alguma no pós tradução, mas este devia ser, no mínimo, FUZILADO!! Faltam palavras ou há palavras a mais, palavras sem sentido ou fora do sítio. É uma pena que isto manche um dos melhores romances que já li, mas pelo que sei ainda há mais dois best-sellers à minha espera!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Teoria da Viagem - uma poética da geografia

Porquê uma teoria da viagem? O que tem uma viagem de tão transcendente que seja necessária uma teoria?
Cá está um livrinho diferente do habitual...

"Os caminhantes, os pastores, os corredores, os viajantes, os deambuladores, os errantes, os passeantes, os agrimensores, uma vez mais, ainda e sempre, em oposição aos enraizados, aos imóveis, aos petrificados, aos empedernidos."

Michel Onfray, filósofo francês, discorre sobre vários aspectos da viagem. O destino. A preparação. As expectativas. A descoberta. O regresso.
“Não escolhemos os lugares predilectos, somos solicitados por eles.”
“Há sempre uma geografia que corresponde a um temperamento. Resta encontrá-la.”
“A viagem começa numa biblioteca. Ou numa livraria.” Ou numa folha de jornal, acrescento eu.
“Chegar a um lugar sobre o qual nada sabemos condena à indigência existencial. Na viagem, apenas se descobre aquilo que trazemos connosco. O vazio do viajante produz a vacuidade da viagem; a sua riqueza produz a sua excelência.” Mas apenas saber não é suficiente. É necessária “uma polpa adicionada pela literatura e pela poesia.”
“… viajar pressupõe a confusão de todos os sentidos.”
E a pergunta impõe-se: “em que momento começa realmente a viagem?” A resposta é básica: quando damos a volta à chave e deixamos para trás a casa. E nesse instante começamos a viver entre-dois. Já não é o ponto de partida, mas ainda não é o ponto de chegada.
“É certo que podemos viajar sozinhos, mas com a certeza de estarmos incansavelmente connosco próprios, nos mais ínfimos pormenores, dia e noite, nas horas faustas e nefastas.” No entanto… “penso que viajar a dois ilustra uma fórmula romana, pois permite uma amizade construída, que cresce dia após dia, pouco a pouco.”
“Viajar a dois pressupõe a eleição”… “viajar a dois permite deixar à distância os indesejáveis, bem como escolher os indivíduos eleitos.”
Quando viajamos a dois… “com ele experimentamos a partilha, a troca, o silêncio, o cansaço, o projecto, a realização, o riso, a tensão, o relaxamento, a emoção, a cumplicidade. A sua presença manifesta-se antes da viagem, depois e durante.” Assim, “no pormenor da viagem, a amizade permite a descoberta de si e do outro.”

Para além disto, viajar exige memória, guardar o que vemos, enganar a memória.
“Como lidar com a embriaguez induzida pela viagem? Escrever? Tomar notas? Desenhar? Enviar cartas? E, se for o caso, breves ou longas? Optar pelos postais? Fotografar?”…
“Com efeito, a viagem oferece uma oportunidade para desenvolver os cinco sentidos: sentir e escutar mais profundamente, olhar e ver com mais intensidade, degustar e tocar com mais atenção – o corpo desassossegado, tenso e aberto a novas experiências, regista mais informações do que habitualmente.”
Mas nada de exageros para assegurar a nossa persistência da memória. “Só deveriam restar de uma viagem dois ou três sinais, cinco ou seis, nada mais. Com efeito, tantos quantos os pontos cardeais necessários à orientação.”

“Partir para um sítio é na maioria das vezes ir ao encontro dos lugares-comuns associados desde sempre ao destino eleito” Isto é empobrecedor e limita a descoberta. Não devemos nunca partir com o intuito de verificar em que medida o local visitado corresponde à ideia que dele fazemos. “Entre o desejo de encontrar os lugares-comuns que habitam o nosso espírito e o de visitar uma terra absolutamente virgem existe um meio-termo.”
“Viajar pressupõe não tanto um espírito missionário, nacionalista, eurocentrado e limitado, mas uma vontade etnológica, cosmopolita, descentrada e aberta. O turista compara, o viajante separa. O primeiro fica à porta de uma civilização, aflora uma cultura e contenta-se em vislumbrar a sua espuma, em apreender os epifenómenos, à distância, qual espectador empenhado, militante do seu próprio enraizamento; o segundo esforça-se por entrar num mundo desconhecido, desacautelado, qual espectador liberto, preocupado não em rir ou chorar, julgar ou condenar, absolver ou resolver anátemas, mas sim desejoso de apreender esse mundo interior, compreender. O comparador designa sempre um turista, o anatomista indica um viajante.”
Embora as cidades sejam “todas iguais”, há algo que não conseguem suprimir: a geografia. “A modernidade reduziu a história, mas poupou a geografia.”
E temos a percepção dessa realidade se atravessarmos o mundo em poucas horas. O avião, sobretudo este, contribuiu para uma nova percepção do tempo e do espaço.

“Nós próprios, eis a grande questão da viagem. Nós próprios e nada mais. Ou pouco mais. Pretextos, ocasiões, múltiplas justificações, sem dúvida, mas de facto fazemo-nos à estrada movidos unicamente pelo desejo de nos reencontramos, ou mesmo de nos encontrarmos.”
“Toda a viagem é iniciática – do mesmo modo que qualquer iniciação não deixa de ser uma viagem. Antes, durante e depois descobrem-se verdades essenciais que estruturam a identidade.”
“Longe de constituir uma terapia, a viagem define uma ontologia, uma arte de ser, uma poética do eu.”

Depois, é tempo de regressar. “Voltar para é também regressar de.”
E “voltar é decidir não permanecer.”
“Basta sentirmo-nos nómadas uma vez, para sabermos que voltaremos a partir, que a última viagem não será a derradeira.” Mas sempre para um lugar outro.”Rever impede de ver outras coisas, estacionar repetidamente, mesmo nos antípodas, afasta as possibilidades nómadas e os efeitos violentos da viagem sobre o corpo e a alma. Corre-se o risco de instalar a sedentariedade no próprio coração do princípio nómada.”
“Ponderar uma nova partida pressupõe assim uma inovação e não uma repetição.”

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Saldos de Verão ...


... para os amantes da literatura, na Feira do Livro, de 26 de Junho a 11 de Julho, no Mercado da Ribeira.

domingo, 20 de junho de 2010

A Papisa Joana

Este primeiro romance de Donna Wollfolk Cross agarra a vida desta personagem histórica ou lendária e dá-lhe contornos de aventura e romance, construindo um livro muito interessante.
Desde o seu nascimento, no seio de uma família constituída por um rígido cónego inglês, pela mãe saxónica, Gudrum, convertida à força ao catolicismo, e ainda dois irmãos mais velhos, Mateus e João, Joana teve de lutar para poder afirmar-se. De feitio firme, com uma perspicácia e inteligência mal vista por muitos, ela foi crescendo, tendo uma educação rara entre as mulheres do seu tempo (às quais era vedada a instrução). Aprendeu a ler, secretamente, com o seu irmão Mateus. Depois teve a sorte de contactar com o grego Asclépios, que passou a ser seu tutor contra a raiva do pai.
Os anos passam, entre inúmeras peripécias improváveis, e Joana vai aprendendo ainda mais. Torna-se uma espécie de médico, conhecedora dos efeitos de inúmeras ervas e ingredientes.
Numa época de profunda misoginia, uma vez que a mulher é o símbolo do pecado e do mal, Joana percebe que só conseguirá realizar-se como homem. Por isso, passa a viver sob disfarce como João Anglicus, um monge que mantém as suas características pessoais: inteligência, perspicácia, insubmissão, espírito aberto à novidade.
Joana – ou João… - vai parar a Roma, onde acompanha dois papados de perto e vive bem de perto com toda a intriga e jogos de poder que rodeiam o topo da Igreja Católica. Também é vítima dessa teia, mas sabe jogar com as circunstâncias… e, sem ser vontade sua, acaba no trono de Roma.

No fim, o livro traz ainda uma espécie de enquadramento histórico de factos que confirmam a existência deste Papa, que afinal foi Papisa.
“Em 1276, depois de ter ordenado uma investigação aturada dos registos papais, o Papa João XX mudou o seu título para João XXI, reconhecendo oficialmente o reinado de Joana como Papa João VIII.”

De contornos historicamente imprecisos, quer por acção da própria Igreja, que os eliminou, quer por se tratar apenas de uma lenda, a curiosidade sobre quem foi a Papisa Joana permanece.

Outra resenha aqui.

sábado, 19 de junho de 2010

José Saramago

Com o desaparecimento de Saramago perde-se um grande escritor.
Sempre apreciei a sua obra. Descobri-o um ano antes do Nobel, através de “Ensaio sobre a Cegueira”.
A sua escrita muito própria, de longos parágrafos e muitas vírgulas, não representou uma dificuldade. Pelo contrário, era uma continuidade, uma história contada sem pausas. De tirar o fôlego. A mim, agarrava-me.
Este livro que me permitiu descobrir um grande escritor, está entre os meus preferidos. Ali ao lado de “Cem Anos de Solidão”, por exemplo.
Depois deste magnífico livro-metáfora, fui lendo quase tudo: “O Memorial do Convento” (que não me pareceu maravilhoso), “As Intermitências da Morte”, “Ensaio sobre a Lucidez”, “Todos os Nomes”, “A Caverna”, “O Homem Duplicado”, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (uma fabulosa interpretação da vida de Jesus), “A Jangada de Pedra”… faltam-me os dois últimos: “A Viagem do Elefante” e “Caim”. E talvez alguns mais antigos.
Como escritor, é genial. Normalmente parte de um absurdo e cria um romance sólido e perfeitamente possível. Ainda o ano passado reli “Ensaio sobre a Cegueira” e mantive a opinião de que se trata de uma obra maior da língua portuguesa.
Politicamente, Saramago não me agrada. Sou do lado oposto, e nunca compreendi a forma como ele defendia ditaduras até ao limite. Basta olhar para Cuba. Politicamente, o comunista Saramago era o que a ideologia é: intolerante, totalitária, anti-democrático.
Sempre polémico, facto é que Portugal perdeu um grande escritor e contador de histórias.

domingo, 9 de maio de 2010

"Leilão organizado pela Livraria Manuel Ferreira, a realizar no Porto, entre os dias 20 a 29 de Maio de 2010, no Salão Nobre da Junta de Freguesia do Bonfim, no Porto, pelas 21 horas.

Esta é a terceira e última parte do leilão da biblioteca, pertencente ao distinto bibliófilo Dr. Laureano Barros, um dos mais importantes leilões de livros efectuados em Portugal nas últimas décadas."

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Muitos livros, muitos mundos

Ir à feira do livro é partir numa viagem de múltiplos destinos, cheia de cores, tamanhos, letras....













terça-feira, 27 de abril de 2010

Livros com garantia

"E se comprasse um livro, o lesse e pudesse devolver apenas porque não gostou? Pode aparecer-lhe impossível, mas com a campanha «Livros com Garantia», da Editorial Presença ,já o pode fazer.

A livraria oferece a possibilidade aos leitores que comprem livros através do site da editora, de lhes ser devolvido o dinheiro ou acumularem crédito em conta-cliente, se não gostarem do livro." (IOL Diário)



Pensem na praia, no sol e no prazer de ler e adquirir bons livros a preço de Feira.
Tudo isto, em Cascais até dia 2 de Maio, no Jardim Visconde da Luz.
Apareçam que vale a pena!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

sábado, 17 de abril de 2010

O Poder do Agora

Ler este pequeno livro transporta-nos para uma outra perspectiva de abordagem da vida, do dia-a-dia.
Sou incapaz de fazer uma espécie de resumo deste livro de Eckhart Tolle. É muito profundo, muito complexo. Daqui a alguns anos tenho de voltar a ele.
De qualquer forma, houve uma coisa que me chamou a atenção, por assim dizer. Frequentemente andamos a falar sozinhos na nossa cabeça: a nossa mente diz o que deveríamos ter dito na situação A, ou o que vamos dizer na situação B, ou o que pensamos fazer no caso X. Ouvimos a nossa mente permanente a falar. Nunca se cala com as suas certezas. E, assim, não nos permite centrar em nós, no Agora. Mas é possível calá-la. Basta que nos imaginemos como um observador da mente, um outro a olhar para ela. Às tantas, estamos a sorrir do que a nossa mente diz. Muitos disparates, muito ruído, muitas divagações vãs. Quase sem darmos por isso, a mente cala-se quando é observada de fora. Fica serena. Apaga-se. E conseguimos centrar-nos em nós. Aqui e agora.
Já fiz este exercício várias vezes e funciona.

Deixo algumas frases em jeito de convite/sugestão de leitura:

- "Nunca nada aconteceu no passado; acontece no Agora. Nunca nada acontecerá no futuro; acontece no Agora."
- "distinguir entre a sua vida e a sua situação de vida."
- "Submeta-se àquilo que é. Diga "sim" à vida - e verá como de repente a vida começará a trabalhar para si em vez de contra si."