domingo, 8 de agosto de 2010

Filhos da Fortuna

Não há muito a dizer sobre o livro além daquilo com que o autor nos brinda na contra-capa deste. Resume em algumas linhas 400 páginas que nos relatam uma história simplesmente genial.

"Finais dos anos 40, Connecticut. Dois irmãos gémeos são separados pouco depois do nascimento. Nat vai para a casa dos pais, uma professora de liceu e um vendedor de seguros, enquanto o irmão começa os seus dias como Fletcher Andrew Davenport, o filho único de um casal de milionários."

Archer conta-nos o percurso de um e outro com uma mestria, que mantem ao longo de cada capítulo, quase temos vontade de dizer-lhe que se apresse em contar-nos tudo, mas ele apenas levanta a ponta do véu e ficamos, assim, a salivar por mais desenvolvimentos. Entrelaça a história de um e outro como se fosse uma só e, chegamos de facto ao fim e vemos que a história de um é a história do outro.
-
Ambos constróiem uma vida de sucesso, ambos ao lado da mulher que sempre amaram. Nat serve no Vietname, com apenas 19 anos, de onde regressa coberto de glória, sendo condecorado com uma Medalha de Honra. Termina o curso em Harvard com distinção e casa com a "sua pequena flor", a única mulher que lhe roubou verdadeiramente o coração. Torna-se um banqueiro de sucesso. Fletcher, por seu lado, forma-se em Yale e distingue-se como um dos melhores advogados de direito penal, antes de ser eleito senador.
-
Os seus caminhos acabam por cruzar-se a certa altura (não sem antes Archer dar-nos conta de vários indícios que juntamos e a estranha ligação que Fletcher parece sentir em relação a Cartwright quando descobre que nasceram ambos no mesmo dia, ano e hospital) quando Fletcher tem de defender Nat de uma acusação de homicídio. Fá-lo com mestria, apesar das circunstâncias, criando um laço que acabará por salvar-lhe a própria vida.
-
Por fim deixo-vos uma passagem do livro que, embora Flecher a tenha levado mais à letra, também Nat fez dela mote para a sua vida (e vão com certeza descobrir também o único ponto que este livro tem de mau):

"Não desperdicem um único momento do vosso tempo enquanto estiverem em Yale, caso contrário arrepender-se-ão o resto da vida de não terem aproveitado tudo o que esta universidade tem para oferecer. Um tolo sai de Yale com apenas um curso, um homem sábio sai com conhecimentos suficientes para enfrentar tudo o que a vida lhe colocar pela frente. Agarrem todas as oportunidades que vos forem oferecidas. Não tenham medo de nada. Desafiem todas as ordens e não permitem que se diga que percorreram um caminho mas não deixaram uma marca."
-
Já descobriram? Não..."permitem"?
Não sei quem foi o responsável pela revisão do livro ou se sequer foi feita alguma no pós tradução, mas este devia ser, no mínimo, FUZILADO!! Faltam palavras ou há palavras a mais, palavras sem sentido ou fora do sítio. É uma pena que isto manche um dos melhores romances que já li, mas pelo que sei ainda há mais dois best-sellers à minha espera!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Teoria da Viagem - uma poética da geografia

Porquê uma teoria da viagem? O que tem uma viagem de tão transcendente que seja necessária uma teoria?
Cá está um livrinho diferente do habitual...

"Os caminhantes, os pastores, os corredores, os viajantes, os deambuladores, os errantes, os passeantes, os agrimensores, uma vez mais, ainda e sempre, em oposição aos enraizados, aos imóveis, aos petrificados, aos empedernidos."

Michel Onfray, filósofo francês, discorre sobre vários aspectos da viagem. O destino. A preparação. As expectativas. A descoberta. O regresso.
“Não escolhemos os lugares predilectos, somos solicitados por eles.”
“Há sempre uma geografia que corresponde a um temperamento. Resta encontrá-la.”
“A viagem começa numa biblioteca. Ou numa livraria.” Ou numa folha de jornal, acrescento eu.
“Chegar a um lugar sobre o qual nada sabemos condena à indigência existencial. Na viagem, apenas se descobre aquilo que trazemos connosco. O vazio do viajante produz a vacuidade da viagem; a sua riqueza produz a sua excelência.” Mas apenas saber não é suficiente. É necessária “uma polpa adicionada pela literatura e pela poesia.”
“… viajar pressupõe a confusão de todos os sentidos.”
E a pergunta impõe-se: “em que momento começa realmente a viagem?” A resposta é básica: quando damos a volta à chave e deixamos para trás a casa. E nesse instante começamos a viver entre-dois. Já não é o ponto de partida, mas ainda não é o ponto de chegada.
“É certo que podemos viajar sozinhos, mas com a certeza de estarmos incansavelmente connosco próprios, nos mais ínfimos pormenores, dia e noite, nas horas faustas e nefastas.” No entanto… “penso que viajar a dois ilustra uma fórmula romana, pois permite uma amizade construída, que cresce dia após dia, pouco a pouco.”
“Viajar a dois pressupõe a eleição”… “viajar a dois permite deixar à distância os indesejáveis, bem como escolher os indivíduos eleitos.”
Quando viajamos a dois… “com ele experimentamos a partilha, a troca, o silêncio, o cansaço, o projecto, a realização, o riso, a tensão, o relaxamento, a emoção, a cumplicidade. A sua presença manifesta-se antes da viagem, depois e durante.” Assim, “no pormenor da viagem, a amizade permite a descoberta de si e do outro.”

Para além disto, viajar exige memória, guardar o que vemos, enganar a memória.
“Como lidar com a embriaguez induzida pela viagem? Escrever? Tomar notas? Desenhar? Enviar cartas? E, se for o caso, breves ou longas? Optar pelos postais? Fotografar?”…
“Com efeito, a viagem oferece uma oportunidade para desenvolver os cinco sentidos: sentir e escutar mais profundamente, olhar e ver com mais intensidade, degustar e tocar com mais atenção – o corpo desassossegado, tenso e aberto a novas experiências, regista mais informações do que habitualmente.”
Mas nada de exageros para assegurar a nossa persistência da memória. “Só deveriam restar de uma viagem dois ou três sinais, cinco ou seis, nada mais. Com efeito, tantos quantos os pontos cardeais necessários à orientação.”

“Partir para um sítio é na maioria das vezes ir ao encontro dos lugares-comuns associados desde sempre ao destino eleito” Isto é empobrecedor e limita a descoberta. Não devemos nunca partir com o intuito de verificar em que medida o local visitado corresponde à ideia que dele fazemos. “Entre o desejo de encontrar os lugares-comuns que habitam o nosso espírito e o de visitar uma terra absolutamente virgem existe um meio-termo.”
“Viajar pressupõe não tanto um espírito missionário, nacionalista, eurocentrado e limitado, mas uma vontade etnológica, cosmopolita, descentrada e aberta. O turista compara, o viajante separa. O primeiro fica à porta de uma civilização, aflora uma cultura e contenta-se em vislumbrar a sua espuma, em apreender os epifenómenos, à distância, qual espectador empenhado, militante do seu próprio enraizamento; o segundo esforça-se por entrar num mundo desconhecido, desacautelado, qual espectador liberto, preocupado não em rir ou chorar, julgar ou condenar, absolver ou resolver anátemas, mas sim desejoso de apreender esse mundo interior, compreender. O comparador designa sempre um turista, o anatomista indica um viajante.”
Embora as cidades sejam “todas iguais”, há algo que não conseguem suprimir: a geografia. “A modernidade reduziu a história, mas poupou a geografia.”
E temos a percepção dessa realidade se atravessarmos o mundo em poucas horas. O avião, sobretudo este, contribuiu para uma nova percepção do tempo e do espaço.

“Nós próprios, eis a grande questão da viagem. Nós próprios e nada mais. Ou pouco mais. Pretextos, ocasiões, múltiplas justificações, sem dúvida, mas de facto fazemo-nos à estrada movidos unicamente pelo desejo de nos reencontramos, ou mesmo de nos encontrarmos.”
“Toda a viagem é iniciática – do mesmo modo que qualquer iniciação não deixa de ser uma viagem. Antes, durante e depois descobrem-se verdades essenciais que estruturam a identidade.”
“Longe de constituir uma terapia, a viagem define uma ontologia, uma arte de ser, uma poética do eu.”

Depois, é tempo de regressar. “Voltar para é também regressar de.”
E “voltar é decidir não permanecer.”
“Basta sentirmo-nos nómadas uma vez, para sabermos que voltaremos a partir, que a última viagem não será a derradeira.” Mas sempre para um lugar outro.”Rever impede de ver outras coisas, estacionar repetidamente, mesmo nos antípodas, afasta as possibilidades nómadas e os efeitos violentos da viagem sobre o corpo e a alma. Corre-se o risco de instalar a sedentariedade no próprio coração do princípio nómada.”
“Ponderar uma nova partida pressupõe assim uma inovação e não uma repetição.”

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Saldos de Verão ...


... para os amantes da literatura, na Feira do Livro, de 26 de Junho a 11 de Julho, no Mercado da Ribeira.

domingo, 20 de junho de 2010

A Papisa Joana

Este primeiro romance de Donna Wollfolk Cross agarra a vida desta personagem histórica ou lendária e dá-lhe contornos de aventura e romance, construindo um livro muito interessante.
Desde o seu nascimento, no seio de uma família constituída por um rígido cónego inglês, pela mãe saxónica, Gudrum, convertida à força ao catolicismo, e ainda dois irmãos mais velhos, Mateus e João, Joana teve de lutar para poder afirmar-se. De feitio firme, com uma perspicácia e inteligência mal vista por muitos, ela foi crescendo, tendo uma educação rara entre as mulheres do seu tempo (às quais era vedada a instrução). Aprendeu a ler, secretamente, com o seu irmão Mateus. Depois teve a sorte de contactar com o grego Asclépios, que passou a ser seu tutor contra a raiva do pai.
Os anos passam, entre inúmeras peripécias improváveis, e Joana vai aprendendo ainda mais. Torna-se uma espécie de médico, conhecedora dos efeitos de inúmeras ervas e ingredientes.
Numa época de profunda misoginia, uma vez que a mulher é o símbolo do pecado e do mal, Joana percebe que só conseguirá realizar-se como homem. Por isso, passa a viver sob disfarce como João Anglicus, um monge que mantém as suas características pessoais: inteligência, perspicácia, insubmissão, espírito aberto à novidade.
Joana – ou João… - vai parar a Roma, onde acompanha dois papados de perto e vive bem de perto com toda a intriga e jogos de poder que rodeiam o topo da Igreja Católica. Também é vítima dessa teia, mas sabe jogar com as circunstâncias… e, sem ser vontade sua, acaba no trono de Roma.

No fim, o livro traz ainda uma espécie de enquadramento histórico de factos que confirmam a existência deste Papa, que afinal foi Papisa.
“Em 1276, depois de ter ordenado uma investigação aturada dos registos papais, o Papa João XX mudou o seu título para João XXI, reconhecendo oficialmente o reinado de Joana como Papa João VIII.”

De contornos historicamente imprecisos, quer por acção da própria Igreja, que os eliminou, quer por se tratar apenas de uma lenda, a curiosidade sobre quem foi a Papisa Joana permanece.

Outra resenha aqui.

sábado, 19 de junho de 2010

José Saramago

Com o desaparecimento de Saramago perde-se um grande escritor.
Sempre apreciei a sua obra. Descobri-o um ano antes do Nobel, através de “Ensaio sobre a Cegueira”.
A sua escrita muito própria, de longos parágrafos e muitas vírgulas, não representou uma dificuldade. Pelo contrário, era uma continuidade, uma história contada sem pausas. De tirar o fôlego. A mim, agarrava-me.
Este livro que me permitiu descobrir um grande escritor, está entre os meus preferidos. Ali ao lado de “Cem Anos de Solidão”, por exemplo.
Depois deste magnífico livro-metáfora, fui lendo quase tudo: “O Memorial do Convento” (que não me pareceu maravilhoso), “As Intermitências da Morte”, “Ensaio sobre a Lucidez”, “Todos os Nomes”, “A Caverna”, “O Homem Duplicado”, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (uma fabulosa interpretação da vida de Jesus), “A Jangada de Pedra”… faltam-me os dois últimos: “A Viagem do Elefante” e “Caim”. E talvez alguns mais antigos.
Como escritor, é genial. Normalmente parte de um absurdo e cria um romance sólido e perfeitamente possível. Ainda o ano passado reli “Ensaio sobre a Cegueira” e mantive a opinião de que se trata de uma obra maior da língua portuguesa.
Politicamente, Saramago não me agrada. Sou do lado oposto, e nunca compreendi a forma como ele defendia ditaduras até ao limite. Basta olhar para Cuba. Politicamente, o comunista Saramago era o que a ideologia é: intolerante, totalitária, anti-democrático.
Sempre polémico, facto é que Portugal perdeu um grande escritor e contador de histórias.

domingo, 9 de maio de 2010

"Leilão organizado pela Livraria Manuel Ferreira, a realizar no Porto, entre os dias 20 a 29 de Maio de 2010, no Salão Nobre da Junta de Freguesia do Bonfim, no Porto, pelas 21 horas.

Esta é a terceira e última parte do leilão da biblioteca, pertencente ao distinto bibliófilo Dr. Laureano Barros, um dos mais importantes leilões de livros efectuados em Portugal nas últimas décadas."

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Muitos livros, muitos mundos

Ir à feira do livro é partir numa viagem de múltiplos destinos, cheia de cores, tamanhos, letras....













terça-feira, 27 de abril de 2010

Livros com garantia

"E se comprasse um livro, o lesse e pudesse devolver apenas porque não gostou? Pode aparecer-lhe impossível, mas com a campanha «Livros com Garantia», da Editorial Presença ,já o pode fazer.

A livraria oferece a possibilidade aos leitores que comprem livros através do site da editora, de lhes ser devolvido o dinheiro ou acumularem crédito em conta-cliente, se não gostarem do livro." (IOL Diário)



Pensem na praia, no sol e no prazer de ler e adquirir bons livros a preço de Feira.
Tudo isto, em Cascais até dia 2 de Maio, no Jardim Visconde da Luz.
Apareçam que vale a pena!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

sábado, 17 de abril de 2010

O Poder do Agora

Ler este pequeno livro transporta-nos para uma outra perspectiva de abordagem da vida, do dia-a-dia.
Sou incapaz de fazer uma espécie de resumo deste livro de Eckhart Tolle. É muito profundo, muito complexo. Daqui a alguns anos tenho de voltar a ele.
De qualquer forma, houve uma coisa que me chamou a atenção, por assim dizer. Frequentemente andamos a falar sozinhos na nossa cabeça: a nossa mente diz o que deveríamos ter dito na situação A, ou o que vamos dizer na situação B, ou o que pensamos fazer no caso X. Ouvimos a nossa mente permanente a falar. Nunca se cala com as suas certezas. E, assim, não nos permite centrar em nós, no Agora. Mas é possível calá-la. Basta que nos imaginemos como um observador da mente, um outro a olhar para ela. Às tantas, estamos a sorrir do que a nossa mente diz. Muitos disparates, muito ruído, muitas divagações vãs. Quase sem darmos por isso, a mente cala-se quando é observada de fora. Fica serena. Apaga-se. E conseguimos centrar-nos em nós. Aqui e agora.
Já fiz este exercício várias vezes e funciona.

Deixo algumas frases em jeito de convite/sugestão de leitura:

- "Nunca nada aconteceu no passado; acontece no Agora. Nunca nada acontecerá no futuro; acontece no Agora."
- "distinguir entre a sua vida e a sua situação de vida."
- "Submeta-se àquilo que é. Diga "sim" à vida - e verá como de repente a vida começará a trabalhar para si em vez de contra si."

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Leitura da Aura

Embora este blogue esteja vocacionado para a leitura de livros, por que não ser um pouco heterodoxo?
As pessoas, qualquer um de nós, contém informações. Há até aquela expressão "ser um livro aberto"... vai daí, sugiro esta interessante entrevista da Susana Belo, na TSF, na qual aborda a leitura da aura, o reiki, as terapias alternativas... no fundo, as pessoas.
A Susana tem alguns blogues:
- Pensamentos de Borboleta
- Caminhos para a Paz

quinta-feira, 8 de abril de 2010

...últimas

A book.it apresenta-se no mercado como a primeira insígnia de retalho especializado em Portugal a colocar num só espaço três conceitos de negócio: livraria, papelaria e tabaco. Um ponto de referência cultural, pela variedade de livros e revistas e pela possibilidade de encomenda de outros títulos, dificilmente disponíveis no mercado local.*

A sua oferta distribui-se por uma área de venda média de 300 m2 localizando-se preferencialmente em centros comerciais e revestindo-se de um cariz jovem, informal, com uma segmentação clara e de fácil assimilação pelo cliente.







* o sublinhado é meu. Artigo aqui

domingo, 28 de março de 2010

Alice no País das Maravilhas

Apenas uma palavra para descrever este livro de Lewis Carroll: mirabolante!
A história (sonho?) de Alice acontece tão rapidamente, que é frequente perdermos o fio à meada. Mudam os cenários, as personagens, tudo, a uma velocidade estonteante. Basta distrairmo-nos um pouco, e já perdemos um pormenor que nos fará falta mais à frente.

Uma história desconcertante, com rasgos inesperados, com humor, com apartes.

Transcrevo uma das partes mais conhecidas:

"(...) pensou Alice, e continuou a falar: - Diga-me, por favor, a partir daqui, que caminho devo seguir?
- Isso depende bastante do sítio onde queres ir, respondeu o Gato.

- Pouco me importa onde - disse Alice.

- Então não tem importância para que lado vais - disse o Gato.

- Contando que vá dar a qualquer parte - acrescentou Alice, explicando-se melhor.

- Ah, isso é que vais, de certeza - disse o Gato - , se andares o suficiente...
Alice achou que contra isso não havia nada a dizer: tentou, pois, fazer-lhe outra pergunta:

- Que género de pessoas vivem por aqui?
- Naquela direcção - disse o Gato, apontando com a pata direita - vive o Chapeleiro e além - e apontava com a outra pata - vive a Lebre de Março. Podes visitar qualquer deles; são ambos malucos.
- Mas eu não quero andar no meio de gente maluca - observou Alice.
- Oh, não podes evitá-lo - disse o Gato -, nós aqui somos todos malucos. Eu sou maluco. Tu és maluca."


E por vezes é difícil ultrapassar a furiosa Rainha, permanentemente a gritar: "cortem-lhe a cabeça!"...
Mas o leque de personagens fantásticas é fabuloso: o Coelho Branco, o Gato de Cheshire, o Rei, a Rainha, a Lagarta Azul, as cartas que têm vida, o Chapeleiro, a Duquesa... É todo um desfile de cores e imaginação.

sábado, 27 de março de 2010

As Oito Dádivas Eternas da Vida

“Mas o que significa satisfação pessoal, afinal de contas? Satisfação pessoal significa sentirmo-nos bem com aquilo que temos e com o que somos. Contudo, a satisfação pessoal não pode ser alcançada sem harmonia. Como é que podemos alcançar a satisfação e a harmonia interior?”

"As Oito Dádivas Eternas da Vida", de Paulo Carvalho, é um livro muito interessante, prático e útil no sentido de eliminarmos a ansiedade em que estamos mergulhados diariamente. Quando passamos a olhar o dia-a-dia, as coisas, de uma forma menos cristalizada, ganhamos uma liberdade, uma leveza, que muda a nossa vida. Sentimo-nos libertos, renascidos, abertos às inúmeras possibilidades da Vida. Começamos a sentir a harmonia naturalmente no nosso interior. Porque é aí a sua fonte natural, não qualquer factor externo a cada um de nós, seja na relação com os outros, no trabalho, as coisas que obtemos. “A harmonia é algo interior”.

Sucintamente, as dádivas são as seguintes:

- a dádiva da escolha
“não importa qual seja a nossa situação, temos sempre uma quantidade ilimitada de alternativas na vida.” Não acreditamos nisto, quando o lemos assim. No entanto, “o verdadeiro problema nunca é a nossa falta de escolhas – é a nossa falta de coragem”.

- a dádiva do prazer
Neste ponto é importante distinguir prazer de felicidade. “Para se sentir feliz, deverá envolver-se em actividades que o façam crescer por dentro.”
“De cada vez que temos a coragem de dizer ou fazer o que realmente queremos, aprendemos e desenvolvemo-nos. Todas as vezes que não o fazemos, murchamos e morremos um pouco”.
O maior prazer é sempre a auto-realização, o sermos nós mesmos. Sem medos. “A vida foi-lhe dada para retirar prazer dela. Abandone os seus medos e desculpas e exija o seu quinhão”.

- a dádiva de dar
“Não esqueça: não obtém o que deseja, obtém aquilo que der. Portanto, se quer mais, dê mais”. Dar não apenas coisas, mas atenção, respeito. Mesmo àqueles que nos prejudicaram. É difícil. Mas… “perdoar significa ter autoconfiança suficiente para continuar com as nossas vidas, em vez de utilizar continuamente os maus comportamentos dos outros para nos justificarmos.” Assim, “libertamos os outros e a nós próprios do ódio e da mágoa”.

- a dádiva do aqui e agora
Antes de mais, é preciso aprender a viver no presente. Mas é muito mais do que isso.
Este capítulo é absolutamente inspirador. E foram poucas as linhas que não sublinhei no livro.
“Pare com a sua busca da felicidade. Nunca a encontrará até deixar de procurar. A tragédia de procurar a felicidade é que ela se nos escapa precisamente porque a procuramos. Uma pessoa precisa de procurar o seu nariz? Portanto, pare! De cada vez que procura a felicidade, está a penas a distanciar-se dela”.
“A história dos seus dias é a história da sua vida. Um dia de cada vez é tudo o que alguma vez terá.”
Citando Maya Angelou: “se não gostar de alguma coisa, modifique-a. Se não pode modificá-la, mude a sua atitude. Não se queixe”.

- a dádiva do amor
“Há muitas e diferentes espécies de amor assim como há diferentes tipos de pessoas.” O amor é uma forma de energia, portanto só é saudável se fluir. “O amor precisa de fluir como a água na natureza para se tornar poderoso. Sem este fluir, a força do amor é limitada, frágil.”
“O amor é uma manifestação de liberdade. (…) Antes de podermos amar, temos de aprender a sentirmo-nos felizes connosco próprios.”

- a dádiva da morte
Não devemos temer a morte, precisamente por ser uma inevitabilidade, e preocuparmo-nos com isso provoca um “inútil e desconfortável sentimento de antecipação e impotência”.
O nosso corpo é um instrumento para realizarmos milhares de coisas diferentes. “A morte foi intencionalmente concebida para nos proteger. (…) A morte física é uma libertação da dor”.

- a dádiva da dor
“A dor é um sistema de alarme excepcional, uma sirene que nos diz quando algo está errado.” Simultaneamente, a dor tem o papel de ensinar-nos. Todos cometemos erros, e como tal devemos aprender com eles.
“A dor nunca é a causa dos nossos problemas, é apenas a consequência”. “A dor emocional é frequentemente apenas o resultados de um modo ineficaz de pensar.”

- a dádiva da compreensão
Cada pessoa é única e tem o seu próprio caminho, daí não devermos julgar ninguém. Devemos tentar compreender cada um, e a própria vida. “A vida não tem um sentido próprio. O sentido da vida vem de nós e das nossas escolhas.” “Os acontecimentos não têm nenhum significado independente. O seu sentido depende sempre da nossa perspectiva e dos nossos objectivos.” Portanto, para a vida ter mais significado, devemos criar objectivos significativos.

Para finalizar, “a sua derradeira finalidade na vida não é conseguir concretizar certos objectivos; a sua derradeira finalidade é conseguir ser feliz e crescer interiormente.”
Tudo o que pensamos determina a nossa acção e a nossa emoção. Portanto, para ser feliz, é necessário ser livre, abrir-se às possibilidades, fluir.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Domingo há poesia

No próximo domingo chega a Primavera.
É também o Dia Mundial da Poesia.
No CCB haverá poesia: "um programa intenso, ao longo do dia, que se inicia, a partir das 11 horas, com a Feira do Livro de Poesia; o indispensável espaço para os espontâneos Diga lá um Poema; e um conjunto de oficinas e actividades que a Fábrica das Artes organiza para todas as idades." (ver programação aqui).

A Fnac também assinala o dia.

Para saborear ainda mais as leituras, o jornal I sugere os melhores sítios para ler fora de casa.
Eu, por mim, voto nos jardins da Gulbenkian.

E há sempre a possibilidade de esquecer pedaços de vida dentro dos livros. É essa a exposição patente em Vila Real: "coisas que aparecem no meio dos livros".

terça-feira, 9 de março de 2010

A próxima vez



Um quadro,
Uma busca,
Um amor que se renova através do tempo,
Um casamento...

Peter recebe um e-mail de Londres, que partilha de imediato com Jonathan, com a indicação de que um coleccionaddor coloca em exposição cinco telas, todas elas da autoria de um certo Vladimir Radskin.

Embora esteja a quatro semanas do seu casamento, Jonathan não pensa duas vezes e ruma a Londres com esperança de que A Jovem de Vestido Vermelho esteja entre eles.
Aí conhece Clara e de imediato nasce entre eles uma cumplicidade estranha, como se se conhecessem de antes, mas sem saberem ambos de onde.
Os quadros vão chegando à galeria e Jonathan espera ansiosamente pelo último - a espera de uma vida. Mas quando este lhe é finalmente revelado, depressa se apercebe que o mesmo não está assinado. Reconhece-lhe a técnica, as cores, os padrões, mas como provar ao mundo que aquele quadro é a obra desaparecida de Vladimir Radskin?
Jonathan utiliza todos os meios ao seu alcance para o conseguir, mas é Peter quem consegue descortinar a história que o quadro encerra.
Provada que fica a autoria do quadro, Jonathan entregua-se ao amor que o une a Clara, um amor de sempre e para sempre...