quarta-feira, 22 de julho de 2009
sobre o livro digital
O Clã do Urso das Cavernas

O Clã do Urso das Cavernas, publicado em 1980, é o primeiro livro da colecção Os Filhos da Terra e o ponto de partida para uma viagem épica onde Auel nos leva a conhecer a vida dos nossos antepassados na última fase da Era Glaciar, quando os homens de Neandertal e de Cro-Magnon dividiam a Terra.
A história começa com uma catástrofe natural que deixa à sua sorte Ayla, a heroína do romance. A menina de cinco anos é inesperadamente encontrada pelo Clã, que fica apreensivo por esta ser dos Outros. Iza, a curandeira do Clã apieda-se da menina e não consegue seguir em frente sem cuidar dela. Naquele instante e inconscientemente, Iza adopta Ayla como sua filha, a filha que sempre quis ter. Autorizada a ficar com ela, tudo faz para que esta recupere rapidamente das suas mazelas. Os cabelos loiros, os olhos azuis inspiram surpresa a todos os membros do Clã por ser tão diferente deles e feia, mas acaba por ser aceite.
Creb, o Homem Santo também não lhe fica indiferente e junto com Iza procuram ensinar-lhe a linguagem, os costumes e tradições do Clã, o que não se revela tarefa fácil. Apesar dos progressos notáveis, Ayla não consegue anular a sua natureza, a sua essência, e vai sentir na pele o quanto é diferente, às mãos de Broud que sente por ela um ódio de tal forma profundo que o consome até ao espírito.
A curiosidade de Ayla por tudo o que a rodeia leva-a a interessar-se pela caça e pelo manejo das armas, algo que estava proibido às mulheres mas que ela passa a dominar com notável mestria, não sem contudo ser castigada por desobedecer aos costumes profundamente enraizados, que conferem sentido e permitem a sobrevivência do Clã.
Ayla torna-se mulher, forte e determinada em ser mãe. Ainda que bela e sensível, quem iria querer acasalar com alguém tão feio? Assim, Iza resolve ensinar-lhe tudo o que sabe sobre a magia curativa de forma a conferir-lhe um estatuto no seio do Clã.
Contudo, contra todas as convicções o milagre da vida acontece e, desafiando tudo e todos, é permitido a Ayla ficar com Durc – o seu bebé. O totem de Ayla é forte e tem-lhe dado sorte mas o curso dos acontecimentos não pode ser interrompido. O inevitável acontece. Alguém enfurece os espíritos e teme-se o pior. Ayla sofre mais uma vez o estigma de ser diferente e, de novo, é abandonada à sua sorte.
Fica a vontade de descobrir o que acontece a Ayla, as novas aventuras que ela vai viver e, para isso basta ler as sequelas: O Vale dos Cavalos, Os Caçadores de Mamutes (vol I e II), Planícies de Passagem (vol. I e II) e O Abrigo de Pedra.
--
O livro foi adaptado a filme com Daryl Hannah no papel de Ayla e chegou a ser nomeado em 1987 para Óscar de melhor Caracterização. Um à parte, nesse ano, Paul Newman ganhou o Óscar de melhor actor com o filme "A Cor do Dinheiro".
---
Entre 24 e 26 de Junho, Jean Auel esteve em Portugal para conhecer alguns dos sítios paleolíticos mais importantes do território nacional. A informação recolhida vai ser usada na produção do próximo romance da colecção Os Filhos da Terra, que relata o momento em que o Clã do Urso das Cavernas, personagens centrais da colecção, atravessam a Europa e chegam à costa Atlântica, actual território português.
terça-feira, 21 de julho de 2009
O Sonho de Inocêncio
Há livros que nos agarram de formas difíceis de explicar.Vou sensivelmente a meio, e infelizmente estou a lê-lo mais lentamente do que desejaria e do que a história exige, mas é uma história grandiosa.
Um homem, de famílias privilegiadas, que sempre esteve ligado à Igreja. Com menos de 40 anos ascende ao topo da hierarquia eclesial, e, fruto do entendimento que faz do que deve ser o papel do Papa - unificar toda a cristandade - centraliza tudo, decide tudo, é um activista político na defesa dos interesses da Igreja.
Embora vivendo à volta de 1200, Inocêncio III é um maquiavélico avant la letre. Sabe e joga com prazer o jogo da política, da guerra, dos interesses terrenos.
Duvida ele mesmo da existência de Deus, mas não duvida dos seus poderes enquanto chefe de um Estado. Manipula, mente, combate para atingir os seus objectivos, e alargar o seu poder. Contra quase tudo o que disse antes de ser Papa - em que valorizava a livre discussão de textos variados, em que era um livre pensador - ao chegar ao trono da Igreja é profundamente centralizador.
Entende que não é um simples sucessor de Pedro, mas sim o representante directo de Deus na Terra.
Estou a saborear cada página deste extraordinário romance.
Há alguns elementos históricos do seu papel que explicam pormenores que hoje damos como adquiridos na Igreja e na sua doutrina. De acordo com este romance, foi Inocêncio III que os introduziu. Mas falarei disso numa avaliação final.
Espero terminar a sua leitura antes das férias... de qualquer forma, entusiasticamente, deixo esta sugestão para leitura de verão!
quarta-feira, 15 de julho de 2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Dorothy Koomson
Hoje vou fazer uma coisa diferente, não vou falar da história dos livros mas apresentar a autora dos mesmos. Das obras editadas por esta romancista, tive o prazer de ler:
"A filha da Minha Melhor Amiga" (cuja leitura deixou um bichinho difícil de calar) e "Pedaços de Ternura" que acabei de ler há dias.
«Olá! O meu nome é Dorothy Koomson e vou tentar tornar este texto sobre mim o mais interessante possível. Escrevi o meu primeiro romance aos 13 anos, que se chamava There's A Thin Line Between Love And Hate. Costumava escrever um capítulo todas as noites, que depois circulava entre as minhas colegas de escola, todas as manhãs. E elas adoravam! Cresci em Londres e depois voltei a crescer em Leeds, quando ingressei na faculdade. Mais tarde acabei por regressar a Londres, para fazer o mestrado, e fiquei por lá durante alguns anos. Passei por alguns empregos temporários, até conseguir a minha grande oportunidade no mundo da escrita, escrevendo, editando e substituindo colegas em várias redacções de publicações femininas e de jornais nacionais. Contar histórias e escrever ficção são uma ENORME paixão na minha vida, pelo que fui aproveitando cada segundo do meu tempo para escrever contos e romances. Em 2001 tive a ideia que inspirou o "The Cupid Effect", e assim começou a minha carreira de romancista. E tem sido espectacular! Em 2006, foi publicado o meu terceiro romance, "A Filha da Minha Melhor Amiga" – que teve um sucesso imenso, vendendo quase 90 mil exemplares no Reino Unido, só nas primeiras semanas. Seis semanas depois, o livro foi seleccionado para o Richard & Judy Summer Reads Book Club e as vendas do livro aumentaram para mais de meio milhão de exemplares. E pronto, lá estou eu a fazer asneira outra vez. Isto devia ser sobre mim e não sobre os meus romances… OK, voltemos à minha pessoa/a mim! Vivi dois anos em Sidney, na Austrália, e agora estou de volta a Inglaterra. Mas não sei dizer por quanto tempo ficarei no Reino Unido, porque me parece que fui mordida pelo bichinho das viagens…» (in Wook)---


Não vou revelar detalhes, porque simplesmente não consigo encontrar palavras que possam definir a profundidade e sensibilidade com que Dorothy Koomson conta a história de Kamryn Matika e Adele Brannon ("A filha da Minha Melhor Amiga") e ainda de Kendra Tamale ("Pedaços de Ternura"). É quase penoso parar de ler, mas e porque temos de o fazer, o nosso pensamento fica inebriado, suspenso entre cada página, até que possamos retomar a leitura.

Hoje alguém é pequenino
Possivelmente vais querer passar a esquecer este dia ... mas há quem não deixe! Vamos festejar, não a idade, mas o momento, a amizade, o sentimento de que o tempo passa sim e por isso há que aproveitar cada instante.
Assim, aproveita o bolinho de chocolate, a cobertura de chocolate e o recheio de chocolate e não esqueças o desejo quando apagares as velas. Não podemos perder a oportunidade de pedir que os nossos sonhos se tornem realidade.
PARABÉNSSSSSSS!
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Laureano Barros: O homem e a sua biblioteca
Para ele, eram um salvo-conduto contra a efemeridade de tudo o resto. E também contra a desilusão, como se nada, além dos livros, estivesse à altura dos padrões de excelência que estabeleceu. Do grau de pureza que cedo definiu para a sua vida.
(...) mas à medida que se aproximava do fim, e ia perdendo o interesse por tudo excepto pelos livros, apercebia-se também de que os filhos não queriam a biblioteca. Pensou em várias soluções - doar as obras a uma instituição, criar uma fundação (ideia do filho Carlos). Mas nenhuma lhe agradou. Por fim, deixou de pensar no assunto. Mergulhou numa estranha apatia, uma inconsciência meticulosa e desesperada, que apenas aos seus "meninos" era visível. E os fazia sofrer.
Como pôde aquele homem que tudo calculava e tudo prevenia ter cometido um erro tão grosseiro? No seu afã de tudo medir pela beleza dos livros, de sublimar neles os seus dias e o seu futuro, nunca lhe passou pela cabeça que a biblioteca pudesse não ser eterna.
Mas não deixou, mesmo sabendo (e decerto aceitando) que em breve tudo aquilo seria vendido em leilão, de folhear, tratar e acariciar os seus livros, com a leveza confiante com que uma criança diz adeus a quem ama.»
domingo, 28 de junho de 2009
Toldos e Poemas
De 20 Junho a 30 SetembroTodos dos dias, das 08h às 20h
Entrada livre
sexta-feira, 26 de junho de 2009
A magia das palavras
"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.
Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo.
Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento.
Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.
Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo.
Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.
Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.
Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.
Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais.
Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.
Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisto a porta abriu-se repentinamente.
Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.
Que loucura, meu Deus!
Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que, as condições eram estas:
Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."
Fernanda Braga da Cruz
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Os Maias
E eis que, ao fim de não sei quanto tempo, conclui a releitura de Os Maias. No meu já velhinho livro, comprado em Junho de 1992, de páginas amarelecidas. Acho até que foi o primeiro livro que comprei… custou 463,00 escudos...Não vou pormenorizar muito a história deste livro grande da literatura portuguesa, no entanto, deixo algumas impressões.
Sob a apurada luneta de Eça de Queirós, traça-se uma deliciosa e cruel sátira social da Lisboa do final do séc. XIX, à sua burguesia, à sua vivência.
No início, ainda jovens, Carlos da Maia e João da Ega são o símbolo do futuro, do desejo de fazer, de mudar. Pululam de ideias fantásticas, de ideais nobres, aspiram a grandes feitos.
Como passar do tempo, tudo se vai esboroando. Carlos não consegue impor-se como médico no seu luxuoso consultório; Ega, um diletante, não vinga com os seus ideais elevados, e volta a Celorico. Depois regressará à capital.
No início, quando Carlos opta por ser médico, temos este diálogo:
“- Ora essa! – exclamou Afonso. – E porque não há-de ser médico a sério? Se escolhe uma profissão, é para exercer com sinceridade e com ambição, como os outros. Eu não o educo para vadio, muito menos para amador; educo-o para ser útil ao seu país…
- Todavia – arriscou o Dr. Juiz de Direito com um sorriso fino –, não lhe parece a Vossa Excelência que há outras coisas, importantes também, e mais próprias talvez, em que seu neto se poderia tornar útil?...
- Não vejo – replicou Afonso da Maia. – Num país em que a ocupação geral é estar doente, o maior serviço patriótico é incontestavelmente saber curar.”
Ao longo do romance, sucedem-se encontros e desencontros sociais. Todos feitos de fogos-fátuos, altamente moralistas, com ideias para mudar Portugal. Mas nada fazem.. Gastam o tempo em convívios, jantares, noitadas, soirées, charutadas, patuscadas, hotéis… Ninguém concretiza nada. É tudo platónico, longínquo, perfeito, idealista. E o país continua uma choldra.
Mas vão sendo escalpelizados os problemas que já então afectavam o país. Numa dessas soirées…
“Os empréstimos em Portugal constituíam hoje uma das fontes de receita, tão regular, tão indispensável, tão sabida como o imposto. A única ocupação mesmo dos ministérios era esta – “cobrar imposto” e “fazer o empréstimo”. E assim se haveria de continuar…”
(…)
“Então Ega protestou com veemência. Como não convinha a ninguém? Ora essa! Era justamente o que convinha a todos! À bancarrota seguia-se uma revolução, evidentemente. Um país que vive da “inscrição”, em não lha pagando, agarra o cacete; e procedendo por princípio, ou procedendo apenas por vingança – o primeiro cuidado que tem é varrer a monarquia que lhe representa o “calote”, e com ela o crasso pessoal do constitucionalismo. E passada a crise, Portugal, livre da velha dívida, da velha gente, dessa colecção grotesca de bestas…”
Todos têm grandes frases, verve, retórica, “veia”. Em linguagem actual, seria tão-só show off.
São todos cultos, com grandes referências literárias e artísticas. Querem repetir, celebrar essas grandezas, mas não passam da retórica, da frase sonante. AA certa altura, já quase no fim do romance, Carlos sonha converter um quarto do Ramalhete num fumoir, onde surgiria um cenáculo de diletantismo e de arte… “e passa-se a noite numa medonha orgia de ideal!...”
É a grandiloquência permanente.
Em cada página reconhecemos o Portugal actual: os mesmos discursos sonantes, os mesmos moralismos vazios, as mesmas "públicas virtudes/vícios privados", os grandes ideais... mas o país sendo "a choldra".
No fim, o último capítulo, é o retrato perfeito do país sem futuro, sem ideias, molengo, caricatural de tudo o que vem do estrangeiro.
A passagem de Carlos e Ega pelo Ramalhete, volvidos 10 anos sobre os trágicos acontecimentos que dão desenlace à história, são a imagem da desolação, da desilusão, do abandono, do fim. O próprio Ega o diz:
“- falhámos na vida, menino!”
Este é o pano de fundo social, político, cultural em que decorre a história da família Maia.
Carlos da Maia é filho de Pedro da Maia e de Maria Monforte. Pedro, por sua vez, é filho de Afonso da Maia.
Quando Maria Monforte foge com o italiano Tancredo, leva consigo a pequena Maria Eduarda, deixando o filho Carlos da Maia. Pedro da Maia, desolado, suicida-se.
O velho Afonso da Maia fica a cuidar do seu neto, ocultando-lhe todo o seu passado, a história da sua mãe. E, convencido da morte da sua neta, garante a Carlos que a irmã morreu.
Passados muitos anos, já homem feito e de paixões fáceis, o destino põe no caminho de Carlos uma bela senhora vinda do estrangeiro, mãe de uma menina. A paixão sobrevém… mas há um segredo que ambos desconhecem e os vai marcar tragicamente.
o Mundo de Sofia
O PÚBLICO resolveu fazer uma pequena homenagem ao revelar-nos algumas intimidades do seu espólio. É comovedor!
terça-feira, 16 de junho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Revolutionary Road
>Assim que ficamos a saber que determinado livro vai ser adaptado a filme, apressamo-nos a ler o mesmo com o intuito de podermos depois compará-lo à produção cinematográfica. E, regra geral, ficamos decepcionados.
Ou porque o filme não destaca este ou aquele detalhe que nos pareceu importante no livro ou porque deturpa de tal forma a história que ficamos na dúvida se estamos de facto a falar de uma adaptação na verdadeira acepção da palavra.
Ficamos à espera que aquela cena desperte em nós a mesma imagem que construímos fruto da nossa imaginação alimentada pelas descrições do autor. Mas quando isso não acontece, ficamos simplesmente com uma sensação de vazio, com uma sensação de que fomos enganados.
Não é o caso de Revolutionary Road. O filme segue à letra o livro de Richard Yates. Associamos sem dificuldade cada um dos capítulos a cada um dos episódios que nos foram apresentados na tela. O livro permite-nos descodificar os sentimentos envolvidos nas cenas mais emocionantes, relegando para segundo plano o [bom ou mau] desempenho dos actores, uma vez que não restam dúvidas quanto aquilo que queriam transmitir.
Por outro lado e porque nos é apresentado no livro o background de cada uma das personagens, ficamos definitivamente esclarecidos em relação ao que são, ao que sentem, à forma como reagem e a tudo aquilo que as move e moveu para chegarem aquele preciso instante das suas vidas.
>
Sam Mendes conseguiu e com mestria compor um cenário em que reconhecemos a essência do livro – a história de um casal em que um e outro anda perdido no limbo do que é e do que gostaria de ter sido. E quando finalmente percebem que não é possivel continuar a viver na ilusão que criaram, o sonho transforma-se num pesadelo.
>
Sobre o livro:
...
Um casal jovem e promissor, Frank [Leonardo DiCaprio] e April Wheeler [Kate Winslet], vive com os dois filhos num subúrbio próspero de Connecticut, em meados dos anos 50. Porém, a aparência de bem-estar esconde uma frustração terrível resultante da incapacidade de se sentirem felizes e realizados tanto no seu relacionamento como nas respectivas carreiras. Frank está preso num emprego de escritório bem pago mas entediante e April é uma dona de casa frustrada por não ter conseguido seguir uma promissora carreira de actriz. Determinados a identificarem-se como superiores à crescente população suburbana que os rodeia, decidem ir para a França, onde estariam mais aptos a desenvolver as suas capacidades artísticas, livres das exigências consumistas da vida numa América capitalista. Contudo, o seu relacionamento deteriora-se num ciclo interminável de discussões, ciúmes e recriminações, o que irá colocar em risco a viagem e os sonhos de auto-realização.»
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Brian Dettmer – Esculturas em Livros
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Apelo ao regresso dos Livros de Bolso
Não são mais do que meia dúzia de bancas, é verdade, mas para alguém que vive viciado em livros é o quanto baste.
Esta feira tem no entanto uma particularidade, só encontramos livros antigos, fora de circulação, daqueles que fazem parte da memória de muitos e que só encontramos em alfarrabistas. Uma boa oportunidade para encontrar um ou outro livro interessante e o preço é quase dado. Foi o caso dos livros que comprei (por apenas 2€ cada): Amok de Stefan Zweig; A Cidadela de A. J. Cronin; O Americano Tranquilo de Graham Greene; Pierrette de Honoré de Balzac e Teresa Raquin de Émile Zola.
Estes livros fazem parte de uma colecção que surgiu em finais dos anos sessenta, editada por um grupo de editores associados, a que deram o nome de "Livros Unibolso".
O clássico de W. Somerset Maugham "O Fio da Navalha", foi o primeiro livro desta colecção com mais de cem títulos.Se a ideia que preside à edição deste tipo de livro é a de ajudar a "massificar a leitura e a difundir autores e livros", julgo que não seria de todo despropositado recuperar e reeditar estes livros na sua forma original (ver colecção aqui).
Neste sentido, destaco quer a iniciativa da editora Dom Quixote que quis "tornar a leitura mais acessível a todos" e "acompanhar as tendências que já se verificam noutros países europeus", depois de ter constatado que "não existia no mercado português uma oferta de livros de bolso sólida e diversificada" (ver lançamento aqui e títulos aqui), quer a da Biblioteca Independente, que em parceria entre a Assírio & Alvim, a Cotovia e a Relógio d’Água tem vindo a reunir, em formato bolso, títulos e autores escolhidos de entre os catálogos das três editoras.
Embora a lista de livros editados neste formato contenha títulos bem interessantes (já escrevi aqui sobre três deles), não há nada que possa equiparar-se aos clássicos, essenciais em qualquer biblioteca.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Ralph Waldo Emerson
quinta-feira, 14 de maio de 2009
A Família

Puzo começa por abrir-nos a porta do Vaticano e apresenta-nos o cardeal Rodrigo Bórgia e respectiva Família. Antevemos de imediato que vamos privar com eles e conhece-los intimamente ao cabo de algumas linhas. César, João, Lucrécia e Godofredo, os filhos que, sendo Cardeal, não lhe era permitido ter. Mas, à semelhança de outros nesta época, não se imiscuiu de manter uma vida de prazeres carnais e de hábitos mundanos. E continuaria a pratica-los, apesar das acusações frequentes de que era alvo, entre outros pelo padre Girolamo Savonarola que viria a ser excomungado e condenado à morte por pregar violentamente contra a Igreja de Roma e por recusar-se a obedecer ficando calado.
A história desta família começa com a elevação do cardeal Rodrigo Bórgia a sumo pontífice da Igreja Católica, Alexandre VI, após manipular as eleições papais de 1492. Quando o papa Inocêncio faleceu, Julião (Giuliano) della Rovere era considerado por todos como a escolha natural para o suceder. Apercebendo-se disso, Rodrigo Bórgia apressa-se a fazer um acordo secreto com Ascanio Sforza e acaba por ser eleito Papa, com grande maioria no conclave, em detrimento de Julião della Rovere, comprando desta forma um inimigo que conspiraria contra ele durante os 11 anos que durou o seu papado.
Após a coroação, Alexandre VI faz de César cardeal com apenas 16 anos. A nomeação não foi inesperada, mas César não ficou contente com ela. Corria nas suas veias sangue de soldado e César não deixava de pensar que o cargo de comandante do exército ocupado pelo seu irmão João lhe pertencia por direito. Mas Alexandre conjecturava noutro sentido.
Assegurar o futuro (entenda-se fortuna) dos filhos e, por meio destes o seu, era mesmo o seu único propósito na terra. O destino de César seria sucedê-lo como Papa.
E, sob o pretexto de que a família deve ser preservada acima de qualquer sacrifício, transforma-os em verdadeiras peças de xadrez, que move a seu bel-prazer tal qual peões que coloca ardilosamente em jogo num tabuleiro gigantesco com o fim de conseguir e firmar, através do casamento, a aliança política mais vantajosa.
A sua ganância não conhece limites e em nome da Família, Alexandre VI leva César e Lucrécia a cometerem o pecado do incesto, antes de casá-la com Giovanni Sforza.
A forma como depois Puzo conduz a relação dos dois irmãos quase nos leva a sentir compaixão pela impossibilidade de estes viverem abertamente o seu amor, apesar da sua natureza.
Por altura da anulação do enlace de Lucrécia com Giovanni Sforza, João é brutalmente assassinado. O acto vinga o ódio daquele que o comete e o ódio de todos aqueles que sofreram às mãos da sua crueldade.
A dor da perda assola profundamente Alexandre VI, mas não tanto quanto a suspeita de que João possa ter sido assassinado pelo seu próprio irmão César.
Apesar disso, César vê aqui a oportunidade de tornar-se general do papa e unir os Estados Papais de uma vez, dilatando a Santa Igreja Católica Romana pelo mundo fora, como era desejo do pai. E consegue, ainda que por pouco tempo.
As vitórias sucedem-se. César consegue destruir o poder dos Orsini e conquista finalmente a Romagna. (César priva durante este período com Maquiavel. O fascínio deste por César é tão grande que serviu de inspiração para escrever "O Príncipe").
Perante tal cenário e o fracasso de todas as tentativas levadas a cabo para travar César e abalar a influência de Alexandre VI, o cardeal Julião della Rovere resolve que está na hora de tratar pessoalmente do assunto e pôr fim à era dos Bórgia.
A oportunidade não tardou em surgir, e Alexandre VI sucumbe finalmente às mãos dos seus inimigos, não sem antes confessar que o seu único pecado foi amar a sua família acima de tudo, quase querendo ser perdoado pelo leitor e definitivamente pelos filhos.
Para Puzo, tenho apenas uma palavra, simplesmente – sublime – para caracterizar a forma como este imortaliza, séculos depois esta família.
Como já confessei aqui, sinto um fascínio especial pela Itália Renascentista e em especial pela família Bórgia. Intriga-me a facilidade com que esta família e em especial Alexandre VI (um estrategista nato), move o Mundo e o faz rodar à volta dos seus interesses.
Jeanne Kalogridis explora o lado mais feminino da trama colocando em destaque Sancha de Aragão e Lucrécia, destacando a primeira ao narrar a sua história e peripécias vividas no seio desta família singular.A título de curiosidade, Jeanne Kalogridis, é autora de inúmeros romances históricos e costuma escrever, também, sob o pseudónimo J. M. Dillard. Das suas obras destaco a série Star Trek adaptada ao cinema e à televisão com um enorme sucesso.


