terça-feira, 16 de junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Revolutionary Road

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Assim que ficamos a saber que determinado livro vai ser adaptado a filme, apressamo-nos a ler o mesmo com o intuito de podermos depois compará-lo à produção cinematográfica. E, regra geral, ficamos decepcionados.
Ou porque o filme não destaca este ou aquele detalhe que nos pareceu importante no livro ou porque deturpa de tal forma a história que ficamos na dúvida se estamos de facto a falar de uma adaptação na verdadeira acepção da palavra.
Ficamos à espera que aquela cena desperte em nós a mesma imagem que construímos fruto da nossa imaginação alimentada pelas descrições do autor. Mas quando isso não acontece, ficamos simplesmente com uma sensação de vazio, com uma sensação de que fomos enganados.
Não é o caso de Revolutionary Road. O filme segue à letra o livro de Richard Yates. Associamos sem dificuldade cada um dos capítulos a cada um dos episódios que nos foram apresentados na tela. O livro permite-nos descodificar os sentimentos envolvidos nas cenas mais emocionantes, relegando para segundo plano o [bom ou mau] desempenho dos actores, uma vez que não restam dúvidas quanto aquilo que queriam transmitir.
Por outro lado e porque nos é apresentado no livro o background de cada uma das personagens, ficamos definitivamente esclarecidos em relação ao que são, ao que sentem, à forma como reagem e a tudo aquilo que as move e moveu para chegarem aquele preciso instante das suas vidas.
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Sam Mendes conseguiu e com mestria compor um cenário em que reconhecemos a essência do livro – a história de um casal em que um e outro anda perdido no limbo do que é e do que gostaria de ter sido. E quando finalmente percebem que não é possivel continuar a viver na ilusão que criaram, o sonho transforma-se num pesadelo.
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Sobre o livro:
«O primeiro romance de Richard Yates [Revolutionary Road] tornou-se um clássico logo após a sua publicação em 1961. Nele, Yates oferece um retrato definitivo das promessas por cumprir e do desabar do sonho americano. Continua hoje a ser o retrato da sociedade americana.
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Um casal jovem e promissor, Frank [Leonardo DiCaprio] e April Wheeler [Kate Winslet], vive com os dois filhos num subúrbio próspero de Connecticut, em meados dos anos 50. Porém, a aparência de bem-estar esconde uma frustração terrível resultante da incapacidade de se sentirem felizes e realizados tanto no seu relacionamento como nas respectivas carreiras. Frank está preso num emprego de escritório bem pago mas entediante e April é uma dona de casa frustrada por não ter conseguido seguir uma promissora carreira de actriz. Determinados a identificarem-se como superiores à crescente população suburbana que os rodeia, decidem ir para a França, onde estariam mais aptos a desenvolver as suas capacidades artísticas, livres das exigências consumistas da vida numa América capitalista. Contudo, o seu relacionamento deteriora-se num ciclo interminável de discussões, ciúmes e recriminações, o que irá colocar em risco a viagem e os sonhos de auto-realização.»
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Sobre o Filme:

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Brian Dettmer – Esculturas em Livros

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> Brian Dettmer revela-nos as entranhas destes livros antigos com uma mestria tri-dimensional, apresentando esculturas complexas e criativas.
Um trabalho muito interessante.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Apelo ao regresso dos Livros de Bolso

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Descobri este fim-de-semana, na rua transversal à Bertrand do Chiado, uma mini Feira do Livro que se realiza todos os Sábados, vim a saber, até às 18H00.
Não são mais do que meia dúzia de bancas, é verdade, mas para alguém que vive viciado em livros é o quanto baste.
Esta feira tem no entanto uma particularidade, só encontramos livros antigos, fora de circulação, daqueles que fazem parte da memória de muitos e que só encontramos em alfarrabistas. Uma boa oportunidade para encontrar um ou outro livro interessante e o preço é quase dado. Foi o caso dos livros que comprei (por apenas 2€ cada): Amok de Stefan Zweig; A Cidadela de A. J. Cronin; O Americano Tranquilo de Graham Greene; Pierrette de Honoré de Balzac e Teresa Raquin de Émile Zola.
Estes livros fazem parte de uma colecção que surgiu em finais dos anos sessenta, editada por um grupo de editores associados, a que deram o nome de "Livros Unibolso".

O clássico de W. Somerset Maugham "O Fio da Navalha", foi o primeiro livro desta colecção com mais de cem títulos.
Se a ideia que preside à edição deste tipo de livro é a de ajudar a
"massificar a leitura e a difundir autores e livros", julgo que não seria de todo despropositado recuperar e reeditar estes livros na sua forma original (ver colecção aqui).

Neste sentido, destaco quer a iniciativa da editora
Dom Quixote que quis "tornar a leitura mais acessível a todos" e "acompanhar as tendências que já se verificam noutros países europeus", depois de ter constatado que "não existia no mercado português uma oferta de livros de bolso sólida e diversificada" (ver lançamento aqui e títulos aqui), quer a da Biblioteca Independente, que em parceria entre a Assírio & Alvim, a Cotovia e a Relógio d’Água tem vindo a reunir, em formato bolso, títulos e autores escolhidos de entre os catálogos das três editoras.

Embora a lista de livros editados neste formato contenha títulos bem interessantes (já escrevi aqui sobre três deles), não há nada que possa equiparar-se aos clássicos, essenciais em qualquer biblioteca.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

"Em muitas ocasiões a leitura de um livro fez a fortuna de um homem, decidindo o curso de sua vida."

Ralph Waldo Emerson

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A Família

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Puzo começa por abrir-nos a porta do Vaticano e apresenta-nos o cardeal Rodrigo Bórgia e respectiva Família. Antevemos de imediato que vamos privar com eles e conhece-los intimamente ao cabo de algumas linhas. César, João, Lucrécia e Godofredo, os filhos que, sendo Cardeal, não lhe era permitido ter. Mas, à semelhança de outros nesta época, não se imiscuiu de manter uma vida de prazeres carnais e de hábitos mundanos. E continuaria a pratica-los, apesar das acusações frequentes de que era alvo, entre outros pelo padre Girolamo Savonarola que viria a ser excomungado e condenado à morte por pregar violentamente contra a Igreja de Roma e por recusar-se a obedecer ficando calado.

A história desta família começa com a elevação do cardeal Rodrigo Bórgia a sumo pontífice da Igreja Católica, Alexandre VI, após manipular as eleições papais de 1492. Quando o papa Inocêncio faleceu, Julião (Giuliano) della Rovere era considerado por todos como a escolha natural para o suceder. Apercebendo-se disso, Rodrigo Bórgia apressa-se a fazer um acordo secreto com Ascanio Sforza e acaba por ser eleito Papa, com grande maioria no conclave, em detrimento de Julião della Rovere, comprando desta forma um inimigo que conspiraria contra ele durante os 11 anos que durou o seu papado.

Após a coroação, Alexandre VI faz de César cardeal com apenas 16 anos. A nomeação não foi inesperada, mas César não ficou contente com ela. Corria nas suas veias sangue de soldado e César não deixava de pensar que o cargo de comandante do exército ocupado pelo seu irmão João lhe pertencia por direito. Mas Alexandre conjecturava noutro sentido.
Assegurar o futuro (entenda-se fortuna) dos filhos e, por meio destes o seu, era mesmo o seu único propósito na terra. O destino de César seria sucedê-lo como Papa.
E, sob o pretexto de que a família deve ser preservada acima de qualquer sacrifício, transforma-os em verdadeiras peças de xadrez, que move a seu bel-prazer tal qual peões que coloca ardilosamente em jogo num tabuleiro gigantesco com o fim de conseguir e firmar, através do casamento, a aliança política mais vantajosa.
A sua ganância não conhece limites e em nome da Família, Alexandre VI leva César e Lucrécia a cometerem o pecado do incesto, antes de casá-la com Giovanni Sforza.
A forma como depois Puzo conduz a relação dos dois irmãos quase nos leva a sentir compaixão pela impossibilidade de estes viverem abertamente o seu amor, apesar da sua natureza.

Por altura da anulação do enlace de Lucrécia com Giovanni Sforza, João é brutalmente assassinado. O acto vinga o ódio daquele que o comete e o ódio de todos aqueles que sofreram às mãos da sua crueldade.
A dor da perda assola profundamente Alexandre VI, mas não tanto quanto a suspeita de que João possa ter sido assassinado pelo seu próprio irmão César.
Apesar disso, César vê aqui a oportunidade de tornar-se general do papa e unir os Estados Papais de uma vez, dilatando a Santa Igreja Católica Romana pelo mundo fora, como era desejo do pai. E consegue, ainda que por pouco tempo.
As vitórias sucedem-se. César consegue destruir o poder dos Orsini e conquista finalmente a Romagna. (César priva durante este período com Maquiavel. O fascínio deste por César é tão grande que serviu de inspiração para escrever "O Príncipe").

Perante tal cenário e o fracasso de todas as tentativas levadas a cabo para travar César e abalar a influência de Alexandre VI, o cardeal Julião della Rovere resolve que está na hora de tratar pessoalmente do assunto e pôr fim à era dos Bórgia.
A oportunidade não tardou em surgir, e Alexandre VI sucumbe finalmente às mãos dos seus inimigos, não sem antes confessar que o seu único pecado foi amar a sua família acima de tudo, quase querendo ser perdoado pelo leitor e definitivamente pelos filhos.

Para Puzo, tenho apenas uma palavra, simplesmente – sublime – para caracterizar a forma como este imortaliza, séculos depois esta família.
Como já confessei aqui, sinto um fascínio especial pela Itália Renascentista e em especial pela família Bórgia. Intriga-me a facilidade com que esta família e em especial Alexandre VI (um estrategista nato), move o Mundo e o faz rodar à volta dos seus interesses.

Recomendo igualmente a leitura do livro "A Noiva Bórgia" de Jeanne Kalogridis, apenas pela curiosidade em constatar que factos históricos e ficção podem ser mesclados e o resultado final ser igualmente prodigioso.

Jeanne Kalogridis explora o lado mais feminino da trama colocando em destaque Sancha de Aragão e Lucrécia, destacando a primeira ao narrar a sua história e peripécias vividas no seio desta família singular.

A título de curiosidade, Jeanne Kalogridis, é autora de inúmeros romances históricos e costuma escrever, também, sob o pseudónimo J. M. Dillard. Das suas obras destaco a série Star Trek adaptada ao cinema e à televisão com um enorme sucesso.

domingo, 3 de maio de 2009

Uma mãe lê um livro

"Uma mãe não se esgota nos filhos. É mais, muito mais. É mais do que a família, mais do que a puericultura, os cuidados, os medos, as madrugadas, as palavras. É ridículo que, quando se fale de mãe, se fale necessariamente de filhos. Às vezes os filhos não merecem as mães, note-se. Por isso, a identidade de mãe não se esgota quando lhe atribuem a licença de uso & porte de filhos – é uma identidade que passa por outras coisas. Coisas amargas e profundas, inesquecíveis, dolorosas, cheias de risos, de nomes perdidos, de sacrifícios inteiros ou repartidos, memórias de outras mães antigas. Há uma bondade de mãe, tal como uma maldade de mãe. E, curiosamente, tudo vem nos livros. Uma mãe lê um livro – não há muitas coisas tão de mãe como essa."

Francisco José Viegas, no catálogo de sugestões para o Dia da Mãe da Bertrand

terça-feira, 28 de abril de 2009

sábado, 25 de abril de 2009

A Casa dos Budas Ditosos

Em dia de liberdade, o Expresso traz na sua capa este título:
"Grupo Auchan volta a censurar João Ubaldo Ribeiro"
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O livro em causa chama-se "A Casa dos Budas Ditosos" e foi considerado pornográfico pela cadeia de supermercados.

O editor Nelson de Matos deve agradecer a publicidade gratuita que este lamentável episódio lhe proporciona. E aproveitar a feira do livro para divulgar este delicioso e divertido livro.

A edição actual (da editora Nelson de Matos) não tem uma capa tão sugestiva como a que tenho, de 1999, da D. Quixote:


sexta-feira, 24 de abril de 2009

Ler Devagar em Alcântara

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A livraria Ler Devagar abriu ontem as portas, no pólo de indústrias culturais de Alcântara Lx Factory, no dia em que se comemorou o Dia Mundial do Livro.
Milhares de livros estão agora disponíveis no meio de uma enorme rotativa de jornais desactivada.
Mais aqui e aqui

A livraria promove quadro dias de festa para assinalar a data.
Clica aqui para aceder ao programa.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

terça-feira, 21 de abril de 2009

Um sonho que se torna realidade

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"Não se pode julgar um livro pela capa."
- Susan Boyle

“I know what they were thinking, but why should it matter as long as I can sing? It’s not a beauty contest.”
- Susan Boyle, The Sunday Times


Pelas impressões que causou e continua a causar, pela força, pela coragem e principalmente pela confiança em si mesma que Susan Boyle demonstrou ao enfrentar uma audiência para lá de céptica, não podia deixar de, também aqui, fazer uma pequena referência a este fenómeno nunca visto.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

"O que a Censura Cortou"


O Expresso vai lançar o livro "O que a Censura Cortou".
Descubra as reportagens, as histórias, as entrevistas, as fotografias, as notícias, as opiniões e até as palavras cruzadas e cartoons que antes do 25 de Abril a censura não deixou que fossem publicadas e que o célebre lápis azul cortou.
Um livro de José Pedro Castanheira sobre a actuação da censura no Expresso com prefácio de Francisco Pinto Balsemão.
A não perder dia 25 de Abril, por apenas + € 9,90 com o Expresso.

terça-feira, 14 de abril de 2009

79ª Feira do Livro de Lisboa

A Feira do Livro de Lisboa, com abertura prevista para 30 de Abril, irá contar com novos pavilhões (de acordo com o Bibliotecário de Babel).


Ver imagens dos módulos aqui.

Digamos que... gosto!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Por páginas perdidas

Por vezes há palavras que insistem em não entrar.
Foi o que se passou enquanto ia lendo "O Labirinto", de Panos Karnezis. Lia, lia, e não conseguia embrenhar-me na história, criar afinidade com as personagens...
Após alguma luta a cada parágrafo, e não conseguindo definitivamente entrar na história, abandonei-o quase às 90 páginas. Volta para a estante à espera de melhores dias.

Entretanto, fui espreitar a carregada estante e de lá saltou um livro que quero reler há algum tempo. O início reza assim:
"A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela Casa do Ramalhete, ou simplesmente o Ramalhete."

De páginas amarelecidas pelos anos (comprei-o nos idos de Junho de 1992), comecei a reler ansioso este excelente retrato da Lisboa do séc. XIX. Espero que "Os Maias" mantenha o encanto da primeira vez (apesar de só ter conseguido lê-lo à terceira tentativa... no espaço de poucos meses, e antes da obrigatoriedade escolar). Com uma particularidade: agora conheço a Lisboa que serve de cenário ao - provavelmente - melhor romance português.

Até às próximas páginas.

sábado, 4 de abril de 2009

Dez Discursos Históricos

Que Obama tem o dom da palavra, já todos o sabemos. E nem é só o dom da palavra. É, sim, aquele jeito sincopado de falar que nos embala.
Enquanto lia este livro, ouvia a voz de Obama a discursar. E era uma energia positiva bebida pelos olhos. Quando lia a caminho do trabalho, parece que ficava com super-poderes e que tudo só podia correr bem.
A magia do actual presidente americano advém da sinceridade que transmite, da sensação de tudo ser possível, da capacidade de quebrar os padrões habituais e olhar mais além.
Neste conjunto de discursos Obama fala de esperança, de futuro, da guerra, da questão da raça, de patriotismo, de união, do legado de Martin Luther King…

Há coisas que Obama repete em todos os discursos (não fosse um político) e há ideias recorrentes, envoltas sempre num embrulho aparentemente diferente, que visam inspirar. Por exemplo, em cada parágrafo transpira a ideia que as coisas não são como os outros as fazem, e que não há apenas dois lados das questões. Não há só o “a favor” e o “contra”, o preto e o branco… há todo um arco-íris de possibilidades que pode e deve ser explorado. E é nessa porta de possibilidades que ele incute o desejo de fazer um caminho diferente do habitual, olhando sempre para além do que parece já estar decidido. É preciso quebrar os limites do horizonte.
Frequentemente brada contra os “cínicos” que dizem não ser possível. Ele diz sempre que há um outro caminho, que há esperança, que no passado já se fizeram grandes coisas, pelo que agora também é possível.

No discurso da vitória, em Chicago (4 Nov 2008), diz: “Porque este é o verdadeiro génio da América: a capacidade de mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. E aquilo que já conseguimos enche-nos de esperança para quilo que podemos e devemos conseguir amanhã.”
E ainda: ”Esta é a nossa oportunidade de respondermos a esses desafios. Este é o nosso momento. Este é o nosso tempo – o de regressarmos ao trabalho e abrirmos as portas da oportunidade aos nosso filhos; de restaurarmos a prosperidade e promovermos a causa da paz; de reclamarmos o sonho americano e reafirmarmos esta verdade fundamental: a de que, sendo muitos, somos um só; e que, enquanto houver vida, há esperança; e que, quando enfrentarmos o cinismo, a dúvida e aqueles que nos dizem que não podemos, havemos de responder com aquele grito intemporal que resume o espírito de um povo: Sim, nos podemos.”

No “Discurso sobre a raça” (Filadélfia, 18 Mar 2008), diz: “Decidi candidatar-me à presidência neste momento da História porque acredito firmemente que não conseguiremos resolver os desafios do nosso tempo se não os resolvermos juntos; se não aperfeiçoarmos a nossa união através da compreensão de que podemos ter histórias diferentes, mas as nossas esperanças são comuns; de que podemos ter aparências muito diferentes e não ter tido a mesma proveniência, mas queremos ir todos na mesma direcção; a de um futuro melhor para os nossos filhos e netos.”
Ou, mais adiante, uma grande frase unificadora: “Isto exige que todos os americanos percebam que a realização dos sonhos de uns não tem de ser feita à custa dos sonhos dos outros;”

No início da campanha para a nomeação democrata, Obama é vencido por pouco em New Hampshire por Hillary Clinton. Nessa noite (8 Jan 2008), surge o grande slogan da campanha “sim, nós podemos”: “Mas, ao longo da improvável história da América, a esperança nunca foi uma coisa falsa. Porque quando enfrentámos situações aparentemente impossíveis; quando nos disseram que não estávamos prontos, ou que não devíamos tentar, ou que não íamos conseguir, gerações de americanos responderam com o credo que resume o espírito de um povo: Sim, nós podemos.”

Quando, a meio da campanha, começou a ser posto em causa o seu patriotismo, Obama volta a olhar em frente e, no Missouri (30 Jun 2008), afirma: “aprendi que o que fez a grandeza da América nunca foi a sua perfeição, mas a crença de que se pode sempre torná-la melhor. Cheguei à conclusão de que a nossa revolução foi desencadeada em nome dessa crença – a de que podíamos ser regidos por leis, e não por homens; de que podíamos ser iguais aos olhos dessas leis; de que podíamos ter liberdade de dizermos o que quiséssemos, de nos associarmos com quem quiséssemos e de rezamos como bem entendêssemos; de que podíamos ter o direito de tentar realizar os nossos sonhos, mas que temos a obrigação de ajudar os nossos concidadãos a realizar os seus.”
Ainda no mesmo discurso: “é esta a ideia essencial da América – a de que não estamos presos pelas circunstâncias do nosso nascimento, e podemos fazer das nossas vidas o que quisermos”
E finaliza: “Essa é a liberdade que defendemos: a liberdade de cada um ir atrás dos seus sonhos. Essa é a igualdade a que aspiramos: não uma igualdade de resultados, mas a oportunidade de cada um de nós ter sucesso, se tentar. Essa é a comunidade que lutamos por criar – uma comunidade em que confiamos, nesta nossa por vezes caótica democracia; em que continuamos a insistir em que não há nada que não possamos fazer quando nos dispomos a isso; na qual nos revemos como fazendo parte de uma história mais vasta, em que o nosso destino se envolve com o destino daqueles com quem partilhamos a fidelidade ao feliz e singular credo da América.”

Em Berlin (24 Julh 2008), recordando a História que marca a cidade, foi mais uma vez inspirador: “Povo de Berlim, povos do mundo: este é o nosso momento. Esta é a nossa hora. (…) Aquilo que sempre nos uniu – aquilo que sempre inspirou o nosso povo, aquilo que atraiu o meu pai às costas americanas – é um conjunto de ideais que vão de encontro às aspirações de todas as pessoas: a possibilidade de vivermos sem medo e sem privações, de podermos dizer o que pensamos, reunir com quem quisermos e rezar como bem entendermos.”
E encerra: “Povo de Berlim, povos do mundo: é grande a dimensão do nosso desafio. O caminho que temos pela frente vai ser longo. Mas apresento-me perante vós para dizer que somos herdeiros de uma luta pela liberdade. Somos um povo de esperança improvável. Como os olhos no futuro, com determinação nos nossos corações, lembremo-nos da história desta cidade, respondamos ao nosso destinos e refaçamos, uma vez mais, o mundo.”

Não ficaram com uma força enorme e com a crença de que, sim, é possível mudar?

Frases simples, esperança, olhar sempre para além das pequenas questiúnculas, ultrapassar pequenas divisões e focar o que une, não o que separa.
Pena que na Europa não haja políticos capazes de inspirar desta maneira. (Dou de barato que nenhum destes discursos passava em qualquer país europeu. Devido ao peso da História que temos aos ombros, à força dos cínicos, à dificuldade em olhar mais além).

Este é, sem qualquer dúvida, um inspirador livro de cabeceira.

quinta-feira, 2 de abril de 2009






Listagens são o que são e nem sempre consta nelas o que gostaríamos. Estou a referir-me à Lista publicada pelo Guardian >>
Não vou sentir-me mal por ter lido apenas alguns livros em cada uma das categorias.
Se pensarmos que são apenas 1000, com certeza os melhores na sua categoria, ainda assim é quase impossível ler todos antes de morrer...
Há tantos livros e autores de que nunca ouvi falar, outros que não devem encontrar-se facilmente, outros ainda que nem devem estar traduzidos. Mas posso elaborar outra lista, a MINHA lista: Os 1000 Livros que li antes de morrer.
Fica o desafio!

Boas Leituras.