A Feira do Livro de Lisboa, com abertura prevista para 30 de Abril, irá contar com novos pavilhões (de acordo com o Bibliotecário de Babel).
terça-feira, 14 de abril de 2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Por páginas perdidas
Por vezes há palavras que insistem em não entrar.
Foi o que se passou enquanto ia lendo "O Labirinto", de Panos Karnezis. Lia, lia, e não conseguia embrenhar-me na história, criar afinidade com as personagens...
Após alguma luta a cada parágrafo, e não conseguindo definitivamente entrar na história, abandonei-o quase às 90 páginas. Volta para a estante à espera de melhores dias.
Entretanto, fui espreitar a carregada estante e de lá saltou um livro que quero reler há algum tempo. O início reza assim:
"A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela Casa do Ramalhete, ou simplesmente o Ramalhete."
De páginas amarelecidas pelos anos (comprei-o nos idos de Junho de 1992), comecei a reler ansioso este excelente retrato da Lisboa do séc. XIX. Espero que "Os Maias" mantenha o encanto da primeira vez (apesar de só ter conseguido lê-lo à terceira tentativa... no espaço de poucos meses, e antes da obrigatoriedade escolar). Com uma particularidade: agora conheço a Lisboa que serve de cenário ao - provavelmente - melhor romance português.
Até às próximas páginas.
Foi o que se passou enquanto ia lendo "O Labirinto", de Panos Karnezis. Lia, lia, e não conseguia embrenhar-me na história, criar afinidade com as personagens...
Após alguma luta a cada parágrafo, e não conseguindo definitivamente entrar na história, abandonei-o quase às 90 páginas. Volta para a estante à espera de melhores dias.
Entretanto, fui espreitar a carregada estante e de lá saltou um livro que quero reler há algum tempo. O início reza assim:
"A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa, no Outono de 1875, era conhecida na vizinhança da Rua de S. Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela Casa do Ramalhete, ou simplesmente o Ramalhete."
De páginas amarelecidas pelos anos (comprei-o nos idos de Junho de 1992), comecei a reler ansioso este excelente retrato da Lisboa do séc. XIX. Espero que "Os Maias" mantenha o encanto da primeira vez (apesar de só ter conseguido lê-lo à terceira tentativa... no espaço de poucos meses, e antes da obrigatoriedade escolar). Com uma particularidade: agora conheço a Lisboa que serve de cenário ao - provavelmente - melhor romance português.
Até às próximas páginas.
Etiquetas:
Eça de Queirós,
O Labirinto,
Os Maias,
Panos Karnezis
sábado, 4 de abril de 2009
Dez Discursos Históricos
Que Obama tem o dom da palavra, já todos o sabemos. E nem é só o dom da palavra. É, sim, aquele jeito sincopado de falar que nos embala.Enquanto lia este livro, ouvia a voz de Obama a discursar. E era uma energia positiva bebida pelos olhos. Quando lia a caminho do trabalho, parece que ficava com super-poderes e que tudo só podia correr bem.
A magia do actual presidente americano advém da sinceridade que transmite, da sensação de tudo ser possível, da capacidade de quebrar os padrões habituais e olhar mais além.
Neste conjunto de discursos Obama fala de esperança, de futuro, da guerra, da questão da raça, de patriotismo, de união, do legado de Martin Luther King…
Há coisas que Obama repete em todos os discursos (não fosse um político) e há ideias recorrentes, envoltas sempre num embrulho aparentemente diferente, que visam inspirar. Por exemplo, em cada parágrafo transpira a ideia que as coisas não são como os outros as fazem, e que não há apenas dois lados das questões. Não há só o “a favor” e o “contra”, o preto e o branco… há todo um arco-íris de possibilidades que pode e deve ser explorado. E é nessa porta de possibilidades que ele incute o desejo de fazer um caminho diferente do habitual, olhando sempre para além do que parece já estar decidido. É preciso quebrar os limites do horizonte.
Frequentemente brada contra os “cínicos” que dizem não ser possível. Ele diz sempre que há um outro caminho, que há esperança, que no passado já se fizeram grandes coisas, pelo que agora também é possível.
No discurso da vitória, em Chicago (4 Nov 2008), diz: “Porque este é o verdadeiro génio da América: a capacidade de mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. E aquilo que já conseguimos enche-nos de esperança para quilo que podemos e devemos conseguir amanhã.”
E ainda: ”Esta é a nossa oportunidade de respondermos a esses desafios. Este é o nosso momento. Este é o nosso tempo – o de regressarmos ao trabalho e abrirmos as portas da oportunidade aos nosso filhos; de restaurarmos a prosperidade e promovermos a causa da paz; de reclamarmos o sonho americano e reafirmarmos esta verdade fundamental: a de que, sendo muitos, somos um só; e que, enquanto houver vida, há esperança; e que, quando enfrentarmos o cinismo, a dúvida e aqueles que nos dizem que não podemos, havemos de responder com aquele grito intemporal que resume o espírito de um povo: Sim, nos podemos.”
No “Discurso sobre a raça” (Filadélfia, 18 Mar 2008), diz: “Decidi candidatar-me à presidência neste momento da História porque acredito firmemente que não conseguiremos resolver os desafios do nosso tempo se não os resolvermos juntos; se não aperfeiçoarmos a nossa união através da compreensão de que podemos ter histórias diferentes, mas as nossas esperanças são comuns; de que podemos ter aparências muito diferentes e não ter tido a mesma proveniência, mas queremos ir todos na mesma direcção; a de um futuro melhor para os nossos filhos e netos.”
Ou, mais adiante, uma grande frase unificadora: “Isto exige que todos os americanos percebam que a realização dos sonhos de uns não tem de ser feita à custa dos sonhos dos outros;”
No início da campanha para a nomeação democrata, Obama é vencido por pouco em New Hampshire por Hillary Clinton. Nessa noite (8 Jan 2008), surge o grande slogan da campanha “sim, nós podemos”: “Mas, ao longo da improvável história da América, a esperança nunca foi uma coisa falsa. Porque quando enfrentámos situações aparentemente impossíveis; quando nos disseram que não estávamos prontos, ou que não devíamos tentar, ou que não íamos conseguir, gerações de americanos responderam com o credo que resume o espírito de um povo: Sim, nós podemos.”
Quando, a meio da campanha, começou a ser posto em causa o seu patriotismo, Obama volta a olhar em frente e, no Missouri (30 Jun 2008), afirma: “aprendi que o que fez a grandeza da América nunca foi a sua perfeição, mas a crença de que se pode sempre torná-la melhor. Cheguei à conclusão de que a nossa revolução foi desencadeada em nome dessa crença – a de que podíamos ser regidos por leis, e não por homens; de que podíamos ser iguais aos olhos dessas leis; de que podíamos ter liberdade de dizermos o que quiséssemos, de nos associarmos com quem quiséssemos e de rezamos como bem entendêssemos; de que podíamos ter o direito de tentar realizar os nossos sonhos, mas que temos a obrigação de ajudar os nossos concidadãos a realizar os seus.”
Ainda no mesmo discurso: “é esta a ideia essencial da América – a de que não estamos presos pelas circunstâncias do nosso nascimento, e podemos fazer das nossas vidas o que quisermos”
E finaliza: “Essa é a liberdade que defendemos: a liberdade de cada um ir atrás dos seus sonhos. Essa é a igualdade a que aspiramos: não uma igualdade de resultados, mas a oportunidade de cada um de nós ter sucesso, se tentar. Essa é a comunidade que lutamos por criar – uma comunidade em que confiamos, nesta nossa por vezes caótica democracia; em que continuamos a insistir em que não há nada que não possamos fazer quando nos dispomos a isso; na qual nos revemos como fazendo parte de uma história mais vasta, em que o nosso destino se envolve com o destino daqueles com quem partilhamos a fidelidade ao feliz e singular credo da América.”
Em Berlin (24 Julh 2008), recordando a História que marca a cidade, foi mais uma vez inspirador: “Povo de Berlim, povos do mundo: este é o nosso momento. Esta é a nossa hora. (…) Aquilo que sempre nos uniu – aquilo que sempre inspirou o nosso povo, aquilo que atraiu o meu pai às costas americanas – é um conjunto de ideais que vão de encontro às aspirações de todas as pessoas: a possibilidade de vivermos sem medo e sem privações, de podermos dizer o que pensamos, reunir com quem quisermos e rezar como bem entendermos.”
E encerra: “Povo de Berlim, povos do mundo: é grande a dimensão do nosso desafio. O caminho que temos pela frente vai ser longo. Mas apresento-me perante vós para dizer que somos herdeiros de uma luta pela liberdade. Somos um povo de esperança improvável. Como os olhos no futuro, com determinação nos nossos corações, lembremo-nos da história desta cidade, respondamos ao nosso destinos e refaçamos, uma vez mais, o mundo.”
Não ficaram com uma força enorme e com a crença de que, sim, é possível mudar?
Frases simples, esperança, olhar sempre para além das pequenas questiúnculas, ultrapassar pequenas divisões e focar o que une, não o que separa.
Pena que na Europa não haja políticos capazes de inspirar desta maneira. (Dou de barato que nenhum destes discursos passava em qualquer país europeu. Devido ao peso da História que temos aos ombros, à força dos cínicos, à dificuldade em olhar mais além).
Este é, sem qualquer dúvida, um inspirador livro de cabeceira.
A magia do actual presidente americano advém da sinceridade que transmite, da sensação de tudo ser possível, da capacidade de quebrar os padrões habituais e olhar mais além.
Neste conjunto de discursos Obama fala de esperança, de futuro, da guerra, da questão da raça, de patriotismo, de união, do legado de Martin Luther King…
Há coisas que Obama repete em todos os discursos (não fosse um político) e há ideias recorrentes, envoltas sempre num embrulho aparentemente diferente, que visam inspirar. Por exemplo, em cada parágrafo transpira a ideia que as coisas não são como os outros as fazem, e que não há apenas dois lados das questões. Não há só o “a favor” e o “contra”, o preto e o branco… há todo um arco-íris de possibilidades que pode e deve ser explorado. E é nessa porta de possibilidades que ele incute o desejo de fazer um caminho diferente do habitual, olhando sempre para além do que parece já estar decidido. É preciso quebrar os limites do horizonte.
Frequentemente brada contra os “cínicos” que dizem não ser possível. Ele diz sempre que há um outro caminho, que há esperança, que no passado já se fizeram grandes coisas, pelo que agora também é possível.
No discurso da vitória, em Chicago (4 Nov 2008), diz: “Porque este é o verdadeiro génio da América: a capacidade de mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. E aquilo que já conseguimos enche-nos de esperança para quilo que podemos e devemos conseguir amanhã.”
E ainda: ”Esta é a nossa oportunidade de respondermos a esses desafios. Este é o nosso momento. Este é o nosso tempo – o de regressarmos ao trabalho e abrirmos as portas da oportunidade aos nosso filhos; de restaurarmos a prosperidade e promovermos a causa da paz; de reclamarmos o sonho americano e reafirmarmos esta verdade fundamental: a de que, sendo muitos, somos um só; e que, enquanto houver vida, há esperança; e que, quando enfrentarmos o cinismo, a dúvida e aqueles que nos dizem que não podemos, havemos de responder com aquele grito intemporal que resume o espírito de um povo: Sim, nos podemos.”
No “Discurso sobre a raça” (Filadélfia, 18 Mar 2008), diz: “Decidi candidatar-me à presidência neste momento da História porque acredito firmemente que não conseguiremos resolver os desafios do nosso tempo se não os resolvermos juntos; se não aperfeiçoarmos a nossa união através da compreensão de que podemos ter histórias diferentes, mas as nossas esperanças são comuns; de que podemos ter aparências muito diferentes e não ter tido a mesma proveniência, mas queremos ir todos na mesma direcção; a de um futuro melhor para os nossos filhos e netos.”
Ou, mais adiante, uma grande frase unificadora: “Isto exige que todos os americanos percebam que a realização dos sonhos de uns não tem de ser feita à custa dos sonhos dos outros;”
No início da campanha para a nomeação democrata, Obama é vencido por pouco em New Hampshire por Hillary Clinton. Nessa noite (8 Jan 2008), surge o grande slogan da campanha “sim, nós podemos”: “Mas, ao longo da improvável história da América, a esperança nunca foi uma coisa falsa. Porque quando enfrentámos situações aparentemente impossíveis; quando nos disseram que não estávamos prontos, ou que não devíamos tentar, ou que não íamos conseguir, gerações de americanos responderam com o credo que resume o espírito de um povo: Sim, nós podemos.”
Quando, a meio da campanha, começou a ser posto em causa o seu patriotismo, Obama volta a olhar em frente e, no Missouri (30 Jun 2008), afirma: “aprendi que o que fez a grandeza da América nunca foi a sua perfeição, mas a crença de que se pode sempre torná-la melhor. Cheguei à conclusão de que a nossa revolução foi desencadeada em nome dessa crença – a de que podíamos ser regidos por leis, e não por homens; de que podíamos ser iguais aos olhos dessas leis; de que podíamos ter liberdade de dizermos o que quiséssemos, de nos associarmos com quem quiséssemos e de rezamos como bem entendêssemos; de que podíamos ter o direito de tentar realizar os nossos sonhos, mas que temos a obrigação de ajudar os nossos concidadãos a realizar os seus.”
Ainda no mesmo discurso: “é esta a ideia essencial da América – a de que não estamos presos pelas circunstâncias do nosso nascimento, e podemos fazer das nossas vidas o que quisermos”
E finaliza: “Essa é a liberdade que defendemos: a liberdade de cada um ir atrás dos seus sonhos. Essa é a igualdade a que aspiramos: não uma igualdade de resultados, mas a oportunidade de cada um de nós ter sucesso, se tentar. Essa é a comunidade que lutamos por criar – uma comunidade em que confiamos, nesta nossa por vezes caótica democracia; em que continuamos a insistir em que não há nada que não possamos fazer quando nos dispomos a isso; na qual nos revemos como fazendo parte de uma história mais vasta, em que o nosso destino se envolve com o destino daqueles com quem partilhamos a fidelidade ao feliz e singular credo da América.”
Em Berlin (24 Julh 2008), recordando a História que marca a cidade, foi mais uma vez inspirador: “Povo de Berlim, povos do mundo: este é o nosso momento. Esta é a nossa hora. (…) Aquilo que sempre nos uniu – aquilo que sempre inspirou o nosso povo, aquilo que atraiu o meu pai às costas americanas – é um conjunto de ideais que vão de encontro às aspirações de todas as pessoas: a possibilidade de vivermos sem medo e sem privações, de podermos dizer o que pensamos, reunir com quem quisermos e rezar como bem entendermos.”
E encerra: “Povo de Berlim, povos do mundo: é grande a dimensão do nosso desafio. O caminho que temos pela frente vai ser longo. Mas apresento-me perante vós para dizer que somos herdeiros de uma luta pela liberdade. Somos um povo de esperança improvável. Como os olhos no futuro, com determinação nos nossos corações, lembremo-nos da história desta cidade, respondamos ao nosso destinos e refaçamos, uma vez mais, o mundo.”
Não ficaram com uma força enorme e com a crença de que, sim, é possível mudar?
Frases simples, esperança, olhar sempre para além das pequenas questiúnculas, ultrapassar pequenas divisões e focar o que une, não o que separa.
Pena que na Europa não haja políticos capazes de inspirar desta maneira. (Dou de barato que nenhum destes discursos passava em qualquer país europeu. Devido ao peso da História que temos aos ombros, à força dos cínicos, à dificuldade em olhar mais além).
Este é, sem qualquer dúvida, um inspirador livro de cabeceira.
quinta-feira, 2 de abril de 2009

Listagens são o que são e nem sempre consta nelas o que gostaríamos. Estou a referir-me à Lista publicada pelo Guardian >>
Não vou sentir-me mal por ter lido apenas alguns livros em cada uma das categorias.
Se pensarmos que são apenas 1000, com certeza os melhores na sua categoria, ainda assim é quase impossível ler todos antes de morrer...
Há tantos livros e autores de que nunca ouvi falar, outros que não devem encontrar-se facilmente, outros ainda que nem devem estar traduzidos. Mas posso elaborar outra lista, a MINHA lista: Os 1000 Livros que li antes de morrer.
Fica o desafio!
Boas Leituras.
Não vou sentir-me mal por ter lido apenas alguns livros em cada uma das categorias.
Se pensarmos que são apenas 1000, com certeza os melhores na sua categoria, ainda assim é quase impossível ler todos antes de morrer...
Há tantos livros e autores de que nunca ouvi falar, outros que não devem encontrar-se facilmente, outros ainda que nem devem estar traduzidos. Mas posso elaborar outra lista, a MINHA lista: Os 1000 Livros que li antes de morrer.
Fica o desafio!
Boas Leituras.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Ler no Chiado
Amanhã, 2 de Abril, pelas 18h30 na Bertrand do Chiado, há mais um encontro Ler no Chiado, desta vez com o mote "este blogue dava um livro".
São três os convidados a debater o tema: Isabel Coutinho (jornalista), José Mário Silva (escritor) e Rui Tavares (escritor).
"Numa era em que a literatura está cada vez mais presente nos blogues, a tertúlia serve para reflectir e debater a presença de escritores na internet e a relação entre as novas tecnologias e a literatura".
(iniciativa referida no jornal OJE)
Não lhes ficava mal referirem este nosso cantinho das palavras impressas... :)
São três os convidados a debater o tema: Isabel Coutinho (jornalista), José Mário Silva (escritor) e Rui Tavares (escritor).
"Numa era em que a literatura está cada vez mais presente nos blogues, a tertúlia serve para reflectir e debater a presença de escritores na internet e a relação entre as novas tecnologias e a literatura".
(iniciativa referida no jornal OJE)
Não lhes ficava mal referirem este nosso cantinho das palavras impressas... :)
terça-feira, 31 de março de 2009
As velas ardem até ao fim
“As velas ardem até ao fim” é um daqueles livros feitos de emoções e memórias. E, como já disse uma vez, um livro cujo deslumbramento começa no título.É um romance intenso, em que, numa noite, dois homens já velhos conversam, passados 41 anos e 43 dias sobre um facto que lhes marcou a vida e o destino.
Henrik é o general, o anfitrião; Konrád é o visitante. Após o jantar em que se reencontram, passam em revista episódios das suas vidas. Sobretudo da perspectiva de Henrik, pois o outro limita-se a responder monossilabicamente. É uma conversa tensa, dura, surpreendente.
Enquanto falam, as velas que estiveram na sala em que se juntaram pela última vez, há 41 anos, vão sendo consumidas. Uma luz ténue, como o ambiente que paira entre ambos, ilumina o espaço. Uma penumbra. É a metáfora perfeita do episódio que lhes traça o destino.
Apenas um pequeno lampejo das suas juventudes, do tempo em que se conheceram e em que viveram juntos em Viena. Henrik era de uma família abastada, saía à noite, convivia, era quase boémio. Konrad, pelo contrário, era reservado, pobre, passava as noites metido nos seus estudos.
Passadas quatro décadas, há algo mais.
Esta noite, sentados frente a frente na penumbra de uma sala, com as velas a arderem até ao fim, tudo é revelado.
Há uma frase, dita por Henrik, que quanto a mim resume a história: “há demasiada tensão nos corações humanos, demasiada paixão, demasiada vingança”.
Sándor Márai faz, a partir de uma história simples e relativamente curta, uma obra incomparável.
A resenha deste fantástico livro:
“Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força invulgar…”
Henrik é o general, o anfitrião; Konrád é o visitante. Após o jantar em que se reencontram, passam em revista episódios das suas vidas. Sobretudo da perspectiva de Henrik, pois o outro limita-se a responder monossilabicamente. É uma conversa tensa, dura, surpreendente.
Enquanto falam, as velas que estiveram na sala em que se juntaram pela última vez, há 41 anos, vão sendo consumidas. Uma luz ténue, como o ambiente que paira entre ambos, ilumina o espaço. Uma penumbra. É a metáfora perfeita do episódio que lhes traça o destino.
Apenas um pequeno lampejo das suas juventudes, do tempo em que se conheceram e em que viveram juntos em Viena. Henrik era de uma família abastada, saía à noite, convivia, era quase boémio. Konrad, pelo contrário, era reservado, pobre, passava as noites metido nos seus estudos.
Passadas quatro décadas, há algo mais.
Esta noite, sentados frente a frente na penumbra de uma sala, com as velas a arderem até ao fim, tudo é revelado.
Há uma frase, dita por Henrik, que quanto a mim resume a história: “há demasiada tensão nos corações humanos, demasiada paixão, demasiada vingança”.
Sándor Márai faz, a partir de uma história simples e relativamente curta, uma obra incomparável.
A resenha deste fantástico livro:
“Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força invulgar…”
segunda-feira, 16 de março de 2009
O Terceiro Segredo
O terceiro segredo de Fátima, ordenado para ser lido e publicado em 1960, foi aberto por João XXIII. O Papa viria a declarar que a mensagem não se referia ao seu pontificado pelo que preferiu deixar a sua divulgação para os seus sucessores. O segredo ficou guardado numa caixa de madeira com a inscrição secretum sancti officio, Segredo do Santo Ofício e depositado na reserva – arquivo do Vaticano. A mensagem, que apenas podia ser consultada pelo Santo Padre, foi do conhecimento de todos os papas desde João XXIII, contudo nenhum a tornou pública. Até chegar o pontificado de João Paulo II.Quando em 1981 João Paulo II sofre um atentado em Fátima, resolve em sinal de agradecimento à Virgem de Fátima por ter sobrevivido, revelar o segredo que faltava. Estávamos no ano de 2000. As complexas metáforas da Virgem foram interpretadas e divulgadas. A revelação foi um misto de fascinação e de desilusão, uma vez que o segredo não encerrava uma verdade tão horrenda que não pudesse ter sido divulgada junto com os outros segredos. E é aqui que reside a dúvida. Terá sido o terceiro segredo de Fátima revelado na íntegra?
O assunto foi sendo esquecido. Não por todos, o protagonista do nosso livro não conseguia esquecer e vivia obcecado.
Este é o mote para o desenrolar da cruzada de Clemente XV e de Michener, o seu secretário, em descobrir a verdade sobre o segredo de Fátima.
Indícios de que o Terceiro Segredo não foi revelado na sua totalidade levam Michener até à Roménia, a pedido de Clemente XV para falar com o Padre Andrej Tibor, autor da tradução da mensagem portuguesa original, feita a pedido de João XXIII.
Esta viagem repentina de Michener aguça a curiosidade de Valendrea, Secretário de Estado do Vaticano que, através de escutas colocadas um pouco por todo o lado pelo seu assistente Ambrosi, fica a saber o motivo da viagem. Procura que a verdade seja preservada e não se inibe de utilizar todos os meios ao seu alcance para que assim seja. "Todos os movimentos religiosos têm os seus mártires. E nós acabámos de ver o último da Igreja Católica."
A notícia da morte de Tibor abala profundamente Clemente XV. A sua hora chega pouco depois e Valendrea vê finalmente a sua oportunidade de ser ordenado Papa.
Michener recebe uma comunicação póstuma de Clemente XV em que confessa finalmente tudo aquilo que o atormentava sobre a terceira mensagem de Fátima e faz-lhe um derradeiro pedido: colocar as coisas no seu lugar. E para isso era imperativo ir a Medjugorje e conhecer o décimo mistério que ainda não havia sido divulgado.
Com o conclave a decorrer para a eleição de um novo Papa, Michener parte para a Roménia, satisfazendo o último pedido de Clemente enquanto Valendrea conspira pelos corredores do Vaticano para ser eleito.
Para saborear em pleno a sua vitória terá de assegurar a não divulgação da cópia da tradução que Tibor enviou a Clemente - a parte do terceiro segredo que não foi revelada – a parte que ele retirara anos antes da reserva e que teria a todo o custo que recuperar.
O confronto final entre o bem e o mal coloca finalmente as coisas no seu devido lugar, sendo a verdade revelada (e que verdade, pena tratar-se de ficção, ou não...).
>>
O destino da Igreja Católica continua um mistério. Para o reformista João XXIII, e nas suas palavras proferidas no Concílio Vaticano II, haveria que trabalhar em consonância para que a cidade terrena possa ser construída à imagem e semelhança da cidade celestial, onde reina a verdade.
Mas a verdade de uns não tem necessariamente de ser a verdade de outros.
>>
Não é por acaso que os livros de Steve Berry se tornam best-sellers. Com uma linguagem ágil que conquista o leitor desde a primeira linha, que lhe aguça o apetite, que planta a ansiedade no desenrolar de cada episódio, este é conduzido com mestria embrenhando-se numa complexa mas bem estruturada trama a que fica completamente rendido.
Da forma como o livro nos é apresentado, quase esquecemos que estamos perante um tema polémico e uma instituição que gera ainda mais polémica.
Recomendo!
>>
O destino da Igreja Católica continua um mistério. Para o reformista João XXIII, e nas suas palavras proferidas no Concílio Vaticano II, haveria que trabalhar em consonância para que a cidade terrena possa ser construída à imagem e semelhança da cidade celestial, onde reina a verdade.
Mas a verdade de uns não tem necessariamente de ser a verdade de outros.
>>
Não é por acaso que os livros de Steve Berry se tornam best-sellers. Com uma linguagem ágil que conquista o leitor desde a primeira linha, que lhe aguça o apetite, que planta a ansiedade no desenrolar de cada episódio, este é conduzido com mestria embrenhando-se numa complexa mas bem estruturada trama a que fica completamente rendido.
Da forma como o livro nos é apresentado, quase esquecemos que estamos perante um tema polémico e uma instituição que gera ainda mais polémica.
Recomendo!
Para quem tiver curiosidade em conhecer o autor e outras publicações, site oficial aqui
sábado, 14 de março de 2009
O Pecado de Darwin
Bem... este romance passa-se em dois ou três tempos. No tempo de Darwin, fazendo uma espécie de biografia; nos dias de hoje, com uns jovens universitários que querem escrever algo nunca revelado sobre o cientista inglês; e com umas cartas/diários da filha de Darwin, Lizzie.Revelando o pecado de Darwin… é preciso ler 300 páginas para se chegar lá.
Embora premiado mundialmente, não considero que seja um livro fantástico. Escrita nada surpreendente, enredo não apaixonante (só mesmo a investigação e a ligação dos jovens Hugh e Beth provocaram a minha curiosidade)...
Se não fosse a capa convidativa, e o facto de se celebrar Darwin em cada esquina…
Se vale a pena? Hummm... dispensável.
Vamos então ao próximo...
O regresso a um pequeno romance lido há poucos anos e cujo nome é todo um poema: "As velas ardem até ao fim", de Sándor Márai.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Algum livro lhe mudou realmente a vida?
Acho que não, mas a vida mudou (a forma como reli) alguns livros.
Acho que não, mas a vida mudou (a forma como reli) alguns livros.
José Miguel Júdice, em entrevista à edição de Março da revista LER.
quarta-feira, 4 de março de 2009
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
"Alguns livros são imerecidamente esquecidos, nenhum é imerecidamente lembrado."
W. H. Auden
W. H. Auden
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
A Cortesã Francesa
E este é o meu quarto livro em 2009...
A sinopse é perfeita e convidativa:
"Uma história de amor entre um cobarde corajoso e uma cortesã francesa é a trama central do primeiro e comovente romance do actor Gene Wilder.
1918. Paul Peachy, um jovem e acanhado empregado ferroviário de Milwaukee, actor nas horas vagas, descobre que a esposa já não o ama. Alista-se no exército americano e embarca para lutar em França encontrando consolo temporário nas amizades surgidas entre os horrores da guerra.
Peachy acaba por ser capturado e a sua única hipótese de sobrevivência é fazer-se passar por um dos mais famosos espiões inimigos. Na pele do cortês e dotado espião Harry Stroller, Peachy é recebido como um herói pelas altas esferas alemãs e consegue acesso a uma vida sumptuosa que nunca antes imaginara. Mas, as suspeitas dos alemães obrigam Peachy a ser escandalosamente falso para encobrir o seu disfarce revelando uma coragem e um engenho que ele nem sonhava possuir.
Num perigoso mundo de enganos e desilusões Peachy apaixona-se por Annie, uma bela cortesã francesa que parece conseguir ver através do seu disfarce astucioso…"
Escrito pelo actor Gene Wilder - quem não se lembra dele em "A Mulher de Vermelho"? - é uma história que nos prende como um filme. Quase vemos as cenas a passar a cada linha, e ficamos com o "bichinho" de saber o que virá a seguir, ou como conseguirá Peachy ludibriar aqueles que parecem estar quase a desarmá-lo. Mas ele, à beira do precipício, vai conseguindo saltar e fugir ao seu destino...
Carregado de suspense, aventura e humor, lê-se de um fôlego.
Mais não posso dizer... Leiam!
A sinopse é perfeita e convidativa:"Uma história de amor entre um cobarde corajoso e uma cortesã francesa é a trama central do primeiro e comovente romance do actor Gene Wilder.
1918. Paul Peachy, um jovem e acanhado empregado ferroviário de Milwaukee, actor nas horas vagas, descobre que a esposa já não o ama. Alista-se no exército americano e embarca para lutar em França encontrando consolo temporário nas amizades surgidas entre os horrores da guerra.
Peachy acaba por ser capturado e a sua única hipótese de sobrevivência é fazer-se passar por um dos mais famosos espiões inimigos. Na pele do cortês e dotado espião Harry Stroller, Peachy é recebido como um herói pelas altas esferas alemãs e consegue acesso a uma vida sumptuosa que nunca antes imaginara. Mas, as suspeitas dos alemães obrigam Peachy a ser escandalosamente falso para encobrir o seu disfarce revelando uma coragem e um engenho que ele nem sonhava possuir.
Num perigoso mundo de enganos e desilusões Peachy apaixona-se por Annie, uma bela cortesã francesa que parece conseguir ver através do seu disfarce astucioso…"
Escrito pelo actor Gene Wilder - quem não se lembra dele em "A Mulher de Vermelho"? - é uma história que nos prende como um filme. Quase vemos as cenas a passar a cada linha, e ficamos com o "bichinho" de saber o que virá a seguir, ou como conseguirá Peachy ludibriar aqueles que parecem estar quase a desarmá-lo. Mas ele, à beira do precipício, vai conseguindo saltar e fugir ao seu destino...
Carregado de suspense, aventura e humor, lê-se de um fôlego.
Mais não posso dizer... Leiam!
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
As muitas e curiosas capas de “O Estranho Caso de Benjamin Button”
Quantos já escolheram um livro pela capa?
Quantos já compraram um livro depois de ficarem absolutamente fascinados pelo filme?
Quantos já leram um livro com medo de ficarem desiludidos com o filme?
Com a produção de um filme, reedita-se a obra a partir da qual este foi adaptado, o autor da mesma passa a ser conhecido, se até então não o era, e deixamos de ter dificuldade em encontrar o livro. Percorremos as estantes das livrarias com o olhar, até encontrar aquele que tem o cartaz do filme impresso na capa. Fácil.
Não podemos contudo avaliar a qualidade do conteúdo do livro apenas pelo grafismo da capa, mas é curioso observar como a apresentação da mesma pode influenciar o todo.
Vejamos o caso da obra de Scott Fitzgerald “O Estranho Caso de Benjamin Button”.
O conto é a história de um homem que começa ao contrário, nasce velho e vai rejuvenescendo. O livro é uma farsa humorística e irónica, o filme um drama romântico.
Um pouco por todo o lado foram publicadas várias edições da obra, umas mais atractivas que outras, todas tentando traduzir a expressão do livro.
Vejamos alguns exemplos que o site The Book Design Review fez questão de reunir:

Eu tinha ou não tinha razão?
Quantos já compraram um livro depois de ficarem absolutamente fascinados pelo filme?
Quantos já leram um livro com medo de ficarem desiludidos com o filme?
Com a produção de um filme, reedita-se a obra a partir da qual este foi adaptado, o autor da mesma passa a ser conhecido, se até então não o era, e deixamos de ter dificuldade em encontrar o livro. Percorremos as estantes das livrarias com o olhar, até encontrar aquele que tem o cartaz do filme impresso na capa. Fácil.
Não podemos contudo avaliar a qualidade do conteúdo do livro apenas pelo grafismo da capa, mas é curioso observar como a apresentação da mesma pode influenciar o todo.
Vejamos o caso da obra de Scott Fitzgerald “O Estranho Caso de Benjamin Button”.
O conto é a história de um homem que começa ao contrário, nasce velho e vai rejuvenescendo. O livro é uma farsa humorística e irónica, o filme um drama romântico.
Um pouco por todo o lado foram publicadas várias edições da obra, umas mais atractivas que outras, todas tentando traduzir a expressão do livro.
Vejamos alguns exemplos que o site The Book Design Review fez questão de reunir:

E nós por cá:

Eu tinha ou não tinha razão?
Se fosse um livro, qual seria?
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
O gato que encontrou Deus
Não se evita o sorriso ao ler o título deste livro de Robert Fisher e Beth Kelly.Bem-humorado, este livro vai-nos relatando a mudança espiritual – melhor, procura – de Ellen, a dona de Marmelade, o gato da cauda às riscas laranja. Nessa procura, Ellen impõe uma série de mudanças nas rotinas da sua vida, a começar pela alimentação: passa a vegetariana, e o seu simpático gato tem também de sujeitar-se às mudanças da sua dona.
Marmelade tem uma vizinha gata – a Fluffy – com a qual desabafa as loucuras de Ellen “aos olhos dos gatos, todos os seres humanos são um pouco ridículos”, e onde vai roubar comida, para escapar à dieta vegetariana.
Pequeno aparte: é absolutamente delicioso ir acompanhando os pensamentos de Marmelade sobre as atitudes de Ellen. Ainda mais se tivermos em conta que esta consegue saber o que ele está a pensar.
Voltando à história…
Ellen entende que para a mudança ser real tem de mudar tudo na sua vida. Vai daí, muda também o seu nome para Ambika, que significa Mãe Divina. Desta maneira, ela julga mudar características de que queria desfazer-se tais como ser “crítica, gordinha… um pouco gordinha, e também um pouco ciumenta, mandona e, às vezes dominante”. Assim, passa a pensar em si mesma “como carinhosa, amável, maternal, leal e paciente”.
No capítulo seguinte, chega-nos esta novidade:
– "E foi assim que me transformei em Ramsés II – anunciou Marmelade a Fluffy”
A gargalhada sai espontânea.
Na sua quotidiana procura espiritual, Ellen decide deixar de usar relógios… E acaba sendo despedida.
Para fazer face às despesas, ainda tenta alugar um quarto a alguém. A pessoa encontrada mal pousa as malas. Não houve compatibilidade entre as mascotes…
Ellen decide então viajar e ir à procura de Deus. Para isso, Marmelade ficaria com os donos de Fluffy. Mas estes também vão viajar e não podem ficar com os gatos. Estes, aventureiros, decidem então pôr mãos à obra e ir à procura de Deus. Vão parar à Índia…
Pormenor: Marmelade, entretanto, converte-se também à procura espiritual da dona…
Em Bombaim, são aconselhados a visitar um sábio gato himalaio que vivia num mosteiro. Este gato era... o Grande ELE.
A conversa de Marmelade e Fluffy com o Grande ELE é, simultaneamente, descontraída e profunda. Às tantas, o Grande ELE diz-lhes:
- "Lembrem-se, Deus dá-nos coragem, e a coragem dá-nos Deus”
No regresso são sugados por um OVNI. E encontram o Ser, um gato de três metros de altura. Este, surpreendentemente, pede-lhes ajuda para “ensinar às pessoas da Terra a amarem-se umas às outras”…. E são devolvidos às suas donas.
As peripécias no regresso sucedem-se e acabam sendo convidados para um programa televisivo especializado em histórias insólitas e impossíveis. Nesse programa, o Ser entra em directo para todo o mundo a anunciar a sua mensagem:
- “(…) que em cada dia ameis outro ser humano como amais o vosso gato”.
No fim, a inquietante procura leva a uma certeza:
Marmelade tem uma vizinha gata – a Fluffy – com a qual desabafa as loucuras de Ellen “aos olhos dos gatos, todos os seres humanos são um pouco ridículos”, e onde vai roubar comida, para escapar à dieta vegetariana.
Pequeno aparte: é absolutamente delicioso ir acompanhando os pensamentos de Marmelade sobre as atitudes de Ellen. Ainda mais se tivermos em conta que esta consegue saber o que ele está a pensar.
Voltando à história…
Ellen entende que para a mudança ser real tem de mudar tudo na sua vida. Vai daí, muda também o seu nome para Ambika, que significa Mãe Divina. Desta maneira, ela julga mudar características de que queria desfazer-se tais como ser “crítica, gordinha… um pouco gordinha, e também um pouco ciumenta, mandona e, às vezes dominante”. Assim, passa a pensar em si mesma “como carinhosa, amável, maternal, leal e paciente”.
No capítulo seguinte, chega-nos esta novidade:
– "E foi assim que me transformei em Ramsés II – anunciou Marmelade a Fluffy”
A gargalhada sai espontânea.
Na sua quotidiana procura espiritual, Ellen decide deixar de usar relógios… E acaba sendo despedida.
Para fazer face às despesas, ainda tenta alugar um quarto a alguém. A pessoa encontrada mal pousa as malas. Não houve compatibilidade entre as mascotes…
Ellen decide então viajar e ir à procura de Deus. Para isso, Marmelade ficaria com os donos de Fluffy. Mas estes também vão viajar e não podem ficar com os gatos. Estes, aventureiros, decidem então pôr mãos à obra e ir à procura de Deus. Vão parar à Índia…
Pormenor: Marmelade, entretanto, converte-se também à procura espiritual da dona…
Em Bombaim, são aconselhados a visitar um sábio gato himalaio que vivia num mosteiro. Este gato era... o Grande ELE.
A conversa de Marmelade e Fluffy com o Grande ELE é, simultaneamente, descontraída e profunda. Às tantas, o Grande ELE diz-lhes:
- "Lembrem-se, Deus dá-nos coragem, e a coragem dá-nos Deus”
No regresso são sugados por um OVNI. E encontram o Ser, um gato de três metros de altura. Este, surpreendentemente, pede-lhes ajuda para “ensinar às pessoas da Terra a amarem-se umas às outras”…. E são devolvidos às suas donas.
As peripécias no regresso sucedem-se e acabam sendo convidados para um programa televisivo especializado em histórias insólitas e impossíveis. Nesse programa, o Ser entra em directo para todo o mundo a anunciar a sua mensagem:
- “(…) que em cada dia ameis outro ser humano como amais o vosso gato”.
No fim, a inquietante procura leva a uma certeza:
“Deus é um gato”
sábado, 24 de janeiro de 2009
O Velho e o Mar
Um velho pescador não pescava nada há 84 dias.Assim começa “O Velho e o Mar”, a saga de um homem e de um peixe imenso. Uma luta entre o homem e a natureza, uma luta igual na medida em que é individual. Mas uma luta desigual na medida em que o velho possui as suas armas, enquanto o peixe é indefeso.
Neste pequeno romance, feito de solidão, há uma linha que o atravessa: um profundo respeito entre os seres. Cada um faz o que deve – um teste de sobrevivência – envolto numa prova mútua de persistência e resistência. Ao longo de três intermináveis dias, homem e peixe jogam um com o outro, tentando vencer-se mutuamente. Às tantas, o velho pensa no que será a vida do peixe, nas semelhanças entre ele e o peixe que tem na ponta da linha, preso à isca.
Depois de apanhar o peixe, maior que a sua pequena embarcação, o velho, desgastado pelo longo esforço da pesca, vê o seu trabalho perdido. Enquanto arrasta o peixe para o porto de Havana, este vai sendo devorado por tubarões, com os quais ainda se bate. Este episódio é uma notável alegoria para situações que a vida nos apresenta. Tal como todo o romance pode ser lido a essa luz.
“O Velho e o Mar” é um romance despido das tramas habituais. É antes de mais um hino à simplicidade, à luta entre iguais, com todas as forças e todas as fragilidades naturais.
Algumas frases:
- “Um homem pode ser destruído, mas não derrotado”.
- “A sorte é uma coisa que vem de muitas formas. Quem sabe reconhecê-la?”
Neste pequeno romance, feito de solidão, há uma linha que o atravessa: um profundo respeito entre os seres. Cada um faz o que deve – um teste de sobrevivência – envolto numa prova mútua de persistência e resistência. Ao longo de três intermináveis dias, homem e peixe jogam um com o outro, tentando vencer-se mutuamente. Às tantas, o velho pensa no que será a vida do peixe, nas semelhanças entre ele e o peixe que tem na ponta da linha, preso à isca.
Depois de apanhar o peixe, maior que a sua pequena embarcação, o velho, desgastado pelo longo esforço da pesca, vê o seu trabalho perdido. Enquanto arrasta o peixe para o porto de Havana, este vai sendo devorado por tubarões, com os quais ainda se bate. Este episódio é uma notável alegoria para situações que a vida nos apresenta. Tal como todo o romance pode ser lido a essa luz.
“O Velho e o Mar” é um romance despido das tramas habituais. É antes de mais um hino à simplicidade, à luta entre iguais, com todas as forças e todas as fragilidades naturais.
Algumas frases:
- “Um homem pode ser destruído, mas não derrotado”.
- “A sorte é uma coisa que vem de muitas formas. Quem sabe reconhecê-la?”
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
O Cego de Sevilha

... o meu primeiro livro de bolso.
Depois de uma tentativa falhada de conhecer o génio de Wilson através do " Último Acto em Lisboa" (talvez agora lhe dê outra oportunidade), eis que surge “O Cego de Sevilha”, sem dúvida um dos mais evocativos, absorventes e inteligentes thrillers psicológicos de sempre.
Celebra-se a cidade e o povo. É semana santa em Sevilha. Um empresário de renome é encontrado atado, amordaçado e morto em frente da sua televisão. As feridas auto-infligidas deixam perceber a luta que travou para evitar o horror das imagens que foi forçado a ver. Quando confrontado com esta macabra cena, o habitualmente desapaixonado detective de homicídios Javier Falcón sente um medo inexplicável. O que é que podia ser tão terrível?
A investigação arrasta o protagonista através da sua própria vida, fá-lo perder-se num turbilhão de emoções que estão à flor da pele e que este não controla acabando por consumir-se nelas.
O seu passado assoma a cada avanço da investigação. A intriga, o mistério e a crueldade atingem o leitor como um soco no estômago, mal Javier Falcón começa a ler os diários secretos do seu falecido pai.
A tensão avoluma-se a umas quantas páginas do fim num regresso forçado a traumas antigos enraizados em recordações dolorosas, que antecedem um desfecho que já não consegue perturbar-nos depois de tudo a que assistimos.
Javier Falcón abandona desta forma a meia existência em que vinha vivendo ao ser confrontado com a última “Lição de ver”.
Depois de uma tentativa falhada de conhecer o génio de Wilson através do " Último Acto em Lisboa" (talvez agora lhe dê outra oportunidade), eis que surge “O Cego de Sevilha”, sem dúvida um dos mais evocativos, absorventes e inteligentes thrillers psicológicos de sempre.
Celebra-se a cidade e o povo. É semana santa em Sevilha. Um empresário de renome é encontrado atado, amordaçado e morto em frente da sua televisão. As feridas auto-infligidas deixam perceber a luta que travou para evitar o horror das imagens que foi forçado a ver. Quando confrontado com esta macabra cena, o habitualmente desapaixonado detective de homicídios Javier Falcón sente um medo inexplicável. O que é que podia ser tão terrível?
A investigação arrasta o protagonista através da sua própria vida, fá-lo perder-se num turbilhão de emoções que estão à flor da pele e que este não controla acabando por consumir-se nelas.
O seu passado assoma a cada avanço da investigação. A intriga, o mistério e a crueldade atingem o leitor como um soco no estômago, mal Javier Falcón começa a ler os diários secretos do seu falecido pai.
A tensão avoluma-se a umas quantas páginas do fim num regresso forçado a traumas antigos enraizados em recordações dolorosas, que antecedem um desfecho que já não consegue perturbar-nos depois de tudo a que assistimos.
Javier Falcón abandona desta forma a meia existência em que vinha vivendo ao ser confrontado com a última “Lição de ver”.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Biblioteca SÁBADO
Mais uma vez, a revista SÁBADO vai lançar uma série de livros pelo simbólico valor de 1,00€.
- Mar Morto, de Jorge Amado
- 22 Janeiro
- Samarcanda, de Amin Maalouf
- 29 Janeiro
- Os Filhos da Meia Noite, de Salman Rushdie
- 5 Fevereiro
- As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino
- 12 Fevereiro
- Lolita, de Vladimir Nabokov
- 19 Fevereiro
- Vasto Mar de Sargaços, de Jean Rhys
- 26 Fevereito
- O Quarto Protocolo, de Frederick Forsyth
- 5 Março
Boas leituras.
- Mar Morto, de Jorge Amado
- 22 Janeiro
- Samarcanda, de Amin Maalouf
- 29 Janeiro
- Os Filhos da Meia Noite, de Salman Rushdie
- 5 Fevereiro
- As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino
- 12 Fevereiro
- Lolita, de Vladimir Nabokov
- 19 Fevereiro
- Vasto Mar de Sargaços, de Jean Rhys
- 26 Fevereito
- O Quarto Protocolo, de Frederick Forsyth
- 5 Março
Boas leituras.
domingo, 11 de janeiro de 2009
O velho do mar
"Tudo nele e dele era velho, menos os olhos, que eram da cor do mar e alegres e não-vencidos"
Ernest Hemingway, in "O Velho e o Mar"
Subscrever:
Mensagens (Atom)
