Se tivesse de resumir o livro a não mais do que algumas palavras, dira que é uma história de amor, erotismo e morte na Florença renascentista.
«Alessandra Cecchi tem quase quinze anos quando o pai, um próspero mercador de tecidos, contrata um jovem pintor para pintar um fresco na capela do palazzo da família. Alessandra é uma filha da Renascença, tem uma mente precoce e um temperamento artístico… e rapidamente fica inebriada pelo génio do pintor.
Muitos anos depois, a irmã Lucrezia morre no convento onde passou grande parte da sua vida. Perplexas, as outras freiras observam a estranha serpente tatuada no seu corpo.
É que, antes de entrar para o convento, a irmã Lucrezia era Alessandra. Jovem, bela e inteligente, ela viveu o esplendor e luxo da Florença renascentista, conviveu com os ricos e poderosos, criou, amou, transgrediu... Como foi ela parar àquele convento? O que significa a tatuagem na sua pele? Quais foram afinal as causas da sua morte?»
Um envolvente romance de mistério e paixão no século XV, a retratar em detalhe e minúcia a arte, riqueza e podridão de Florença.
É mais uma vez um romance de amor, mistério e arte com uma mulher que vive desafiando os costumes da época, em toda a sua irreverência. Toma-nos pela mão e convida-nos a entrar numa Florença renascentista, um dos mais formidáveis centros de cultura e arte da história da humanidade.
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Não posso deixar de concordar com as palavras do repórter do Daily Telegraph:
"Sarah Dunant retrata de uma forma viva e intensa a Florença Renascentista: a imoralidade, a brutalidade, a vitalidade, as maquinações políticas... magistral!! "
segunda-feira, 18 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Livro (em) Directo
Na Visão desta semana, há uma reportagem sobre Pedro Chagas Freitas, o "turbo-escritor".
No próximo fim-de-semana, entre as 9h30 de sábado e as 18h38 de domingo, ou seja, durante 2012 minutos, vai escrever ininterruptamente o Livro (em) Directo.
Para esta brincadeira contará com mais 21 pessoas no desenvolvimento dos capítulos.
Esta ideia peregrina, deste jovem de 32 anos, não é nada de estranho. Já em 2010 publicou dez obras de uma só vez.
É possível seguir a obra em Livro2012.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
O Terceiro Homem
“O Terceiro Homem não foi escrito para ser lido, mas sim para ser visto”, indica o prefácio em jeito de apresentação.
De facto, esta história foi escrita como argumento para um filme realizado e interpretado por Orson Welles, em 1949.
A acção decorre em Viena, no rescaldo da II Guerra Mundial, estando a cidade então dividida entre as quatro potências aliadas (Rússia, Inglaterra, França e Estados Unidos).
Holly Martins (que no meu livro é Rollo Martins…) chega à cidade para encontrar-se com o amigo Harry Lime, mas este tinha sido atropelado e falecera. Vai apenas ao seu funeral.
Martins, sendo um escritor medíocre, veste a pele de espião para desvendar o que realmente está por trás da morte de Lime. Assim, vai descobrindo que o seu amigo estava envolvido em situações pouco claras.
Apresentando-se sempre como muito amigo de Harry Lime, conhece várias personagens que lhe vão permitir perceber quem realmente era o amigo, e esclarecer o que se passou na noite do atropelamento. Esta investigação por conta própria, em clima de constante suspense, vai levá-lo a desvendar segredos do seu amigo, que afinal era um homem sem escrúpulos.
A reviravolta final acontece nos últimos capítulos, quando Martins vê alguém numa esquina…
E nada é o que parece.
Sem uma escrita fulgurante, Graham Greene pinta um mundo de espionagem na Europa de meados do séc. XX.
Ao longo das poucas páginas deste livro, sentimos a tensão de uma investigação feita nesse ambiente pós-guerra, em que ninguém é de confiança, e ninguém pode desconfiar da verdadeira intenção de Martins.
Um aspecto que me perturbou na leitura foi a quase indefinição de um narrador. Ora esse papel cabia a um polícia-espião que, de certa forma, acompanha Martins, ora não há esta terceira pessoa a contar a história de fora.
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quarta-feira, 23 de maio de 2012
O Sétimo Papiro
Tudo começa quando Duraid Al Simmu e Royan descobrem no túmulo da rainha Lostris uma série de papiros deixados por Taita, o seu escravo pessoal. Os papiros são o seu último tributo, o seu legado além-túmulo e parecem ser uma espécie de diário.
Ao decifrarem cada um deles, rapidamente descobrem que o sétimo papiro poderá conter a chave de um segredo com cerca de quatro mil anos. Nele, Taita, relata o funeral do faraó Mamose e regista a grandiosidade dos tesouros que o acompanham na sua viagem para o além. Duraid Al Simmu e Royan estão certos de que, decifrando os enigmas de Taita, ser-lhes-á revelada a localização exata do túmulo do Faraó Mamose.
Mas, ainda antes do papiro estar completamente decifrado, Duraid é brutalmente assassinado e os cadernos, todas as suas notas e o papiro desaparecem. Royan consegue escapar e sofre mais uma tentativa para acabarem com a sua vida. Parece haver alguém obstinado e disposto a tudo para localizar o tesouro.
Depois das cerimónias fúnebres, Royan resolve regressar a Inglaterra para cumprir a promessa que fizera a Duraid antes de ele morrer. Sem perder tempo, procura Nicholas Quenton-Harper, um aristocrata e eminente colecionador de antiguidades (não pode ser verdadeiramente chamado de arqueólogo) e desafia-o a partir rumo à Etiópia em busca do túmulo perdido do Faraó Mamose. Quenton-Harper não pensa duas vezes. Além de que esta poderá ser a oportunidade que esperava para sair do buraco financeiro em que se encontra, a ideia de poder vir a viver mais uma grande aventura é mais forte do que qualquer outra.
Nicholas prepara tudo como se fosse caçar para as terras altas da Etiópia e conduz-nos pelas estradas quentes, paisagens e margens do Nilo ao longo de vários quilómetros que é como quem diz páginas. As buscas começam e são vários os indícios de que Taita terá estado ali milhares de anos antes, procurando o lugar ideal para a construção da última morada do Faraó.
Visitam um mosteiro por altura das festas e descobrem que aquele poderá ser o túmulo de Tanus ou do próprio faraó Mamose, uma vez que Royan acredita que Taita trocou as múmias, prestando uma última homenagem ao seu querido amigo. Numa incursão noturna ao mosteiro, descobrem o testamento de Taita. Decifradas as charadas que contém, estarão mais próximos de descobrir o túmulo.
Decidem regressar a Londres e preparar-se para o começo das escavações antes do período das chuvas, mas os seus inimigos conspiram nas sombras e são impedidos de voltar à Etiópia como turistas. Este pequeno revés não os impede contudo de regressar. Estão demasiado perto de conseguir descobrir a última morada do Faraó Mamose e todos os seus tesouros...
---------------
Exímio contador de histórias, Wilbur Smith coloca-nos no centro de mais uma intriga, recheada de suspense, numa aventura passada no Antigo Egipto onde Taita é protagonista e é quem, mais uma vez, dita as regras.
Ao decifrarem cada um deles, rapidamente descobrem que o sétimo papiro poderá conter a chave de um segredo com cerca de quatro mil anos. Nele, Taita, relata o funeral do faraó Mamose e regista a grandiosidade dos tesouros que o acompanham na sua viagem para o além. Duraid Al Simmu e Royan estão certos de que, decifrando os enigmas de Taita, ser-lhes-á revelada a localização exata do túmulo do Faraó Mamose.
Mas, ainda antes do papiro estar completamente decifrado, Duraid é brutalmente assassinado e os cadernos, todas as suas notas e o papiro desaparecem. Royan consegue escapar e sofre mais uma tentativa para acabarem com a sua vida. Parece haver alguém obstinado e disposto a tudo para localizar o tesouro.
Depois das cerimónias fúnebres, Royan resolve regressar a Inglaterra para cumprir a promessa que fizera a Duraid antes de ele morrer. Sem perder tempo, procura Nicholas Quenton-Harper, um aristocrata e eminente colecionador de antiguidades (não pode ser verdadeiramente chamado de arqueólogo) e desafia-o a partir rumo à Etiópia em busca do túmulo perdido do Faraó Mamose. Quenton-Harper não pensa duas vezes. Além de que esta poderá ser a oportunidade que esperava para sair do buraco financeiro em que se encontra, a ideia de poder vir a viver mais uma grande aventura é mais forte do que qualquer outra.
Nicholas prepara tudo como se fosse caçar para as terras altas da Etiópia e conduz-nos pelas estradas quentes, paisagens e margens do Nilo ao longo de vários quilómetros que é como quem diz páginas. As buscas começam e são vários os indícios de que Taita terá estado ali milhares de anos antes, procurando o lugar ideal para a construção da última morada do Faraó.
Visitam um mosteiro por altura das festas e descobrem que aquele poderá ser o túmulo de Tanus ou do próprio faraó Mamose, uma vez que Royan acredita que Taita trocou as múmias, prestando uma última homenagem ao seu querido amigo. Numa incursão noturna ao mosteiro, descobrem o testamento de Taita. Decifradas as charadas que contém, estarão mais próximos de descobrir o túmulo.
Decidem regressar a Londres e preparar-se para o começo das escavações antes do período das chuvas, mas os seus inimigos conspiram nas sombras e são impedidos de voltar à Etiópia como turistas. Este pequeno revés não os impede contudo de regressar. Estão demasiado perto de conseguir descobrir a última morada do Faraó Mamose e todos os seus tesouros...
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Exímio contador de histórias, Wilbur Smith coloca-nos no centro de mais uma intriga, recheada de suspense, numa aventura passada no Antigo Egipto onde Taita é protagonista e é quem, mais uma vez, dita as regras.
domingo, 20 de maio de 2012
O Teu Rosto Será o Último
O primeiro romance de João
Ricardo Pedro é notável!
Começo a ler a pensar o que virá
aí...
Com frases curtas, objectivas, cruas, cadenciadas, sou apanhado por este romance vencedor do Prémio Leya de 2011, e primeiro livro do autor. Surpreendente!
Com frases curtas, objectivas, cruas, cadenciadas, sou apanhado por este romance vencedor do Prémio Leya de 2011, e primeiro livro do autor. Surpreendente!
Com capítulos aparentemente
autónomos, que constituem quase mini-contos, João Ricardo Pedro vai bordando a
história de uma família com origem numa terra com nome de animal no lado sul da
Gardunha.
De uma forma simples, crua, leve,
e impetuoso, com humor e comparações surpreendentes, o autor junta episódios,
conta histórias, diverge para algo aparentemente lateral...
A forma como enumera factos,
coisas, situações, semelhante ao que fazia Saramago, confere velocidade à
narrativa e dá-nos vontade de ler mais e mais.
E a surpresa que espreita a cada
frase, a cada parágrafo, lançando momentos surreais no meio da narrativa,
leva-nos a esboçar muitos sorrisos a cada página lida.
O centro do romance acabará por
ser Duarte, o jovem promissor de uma família com muito passado. E é à volta
dele que vão ficando impressas as outras personagens: o avô Augusto Mendes, a
avó Laura, o pai António, a mãe, o amigo pobre... tudo no Portugal dos nossos pais, avós e até um pouco de todos nós.
Tem capítulos que são uma
primorosa obra de arte, como por exemplo o da mãe de Duarte. Tem outros
capítulos que aparentemente não acrescentam nada à narrativa, mas que dão gozo ler imaginando o prazer que deram a escrever.
“O teu rosto será o último” é um
dos livros que mais gostei de ler nos últimos tempos.
Uma campanha de marketing muito
bem feita, a unanimidade dos críticos sobre a qualidade da obra, o destaque permanente
na feira do livro, e temos um sucesso literário escrito por um engenheiro
desempregado.
Na feira, ao pedir um autógrafo,
perguntei ao João Ricardo Pedro como tinha surgido a história: se já a tinha na
cabeça, ou se foi sendo feita à medida que escrevia. Disse que foi esta última,
e com tempo.
A teia ficou muito bem urdida.
Como ele dizia ao autografar o
livro, “espero que goste”.
Eu gostei muito!
Entrevista do autor aqui.
sábado, 12 de maio de 2012
Meu Pé de Laranja Lima
Este é o livro que consagrou José Mauro de Vasconcelos, autor brasileiro nascido em 1920.
Esta é a história de Zezé, um menino de 6 anos, “pobre, inteligente, sensível e carente. Com a falta de afecto que não encontra na família, o endiabrado rapaz vai pelas ruas fazendo mil travessuras.
Zezé aprende tudo sozinho, é o “descobridor das coisas”. Descobre a ternura e o carinho no amigo “Portuga”. Inventa para si um mundo de fantasias em que o grande confidente é Xururuca, o pé de Laranja Lima. Mas a vida ensina-lhe tudo demasiado cedo, e Zezé descobre o que é a dor e a saudade”.
É um mundo visto pelos olhos de uma criança de 6 anos, cheia de traquinices, que nos seduz e encanta a cada página (apesar de escrito em brasileiro baiano). Zezé é, simultaneamente, uma criança ternurenta e cheia de ideias traquinas: é ele que vai engraxar sapatos para oferecer um maço de cigarros ao pai desempregado; é ele que faz uma cobra a partir de uma meia para assustar pessoas; é ainda ele que rouba flores para dar à sua professora, a mais feia de todas; é também ele que jura matar o Portuga, de quem se vem a tornar amigo inseparável...
Este é um Principezinho em versão pobre e que enfrenta um mundo de dificuldades. Mas, por isso mesmo, um hino à sensibilidade, ao amor, e à própria infância.
Para quem aprecia histórias simples, com palavras simples, mas repletas de sentido e significado, este é um livro que recomendo sem meias palavras.
Para quem aprecia histórias simples, com palavras simples, mas repletas de sentido e significado, este é um livro que recomendo sem meias palavras.
(O facto deste livro estar escrito em brasileiro baiano inicialmente dificultou a leitura. Mas rapidamente entrei no registo, e mudei de língua em cada página lida. É apenas uma questão de estilo).
sexta-feira, 11 de maio de 2012
domingo, 29 de abril de 2012
O Livro de San Michele
Há uma década que este livro estava à espera!
Primeiro da Colecção Dois Mundos, dos Livros do Brasil, o autor diz que este é “o livro da vida”.
Centrado na vida do médico Axel Munthe, personagem central do livro e seu autor, acompanhamos ao longo de muitos anos a sua vida e as peripécias por que passou.
Ainda jovem médico em Paris, começa a ganhar notoriedade e torna-se o preferido da elite. Todos recorrem a ele, principalmente as mulheres, e todos aguardando um único diagnóstico: colite. Era a doença bem da altura. Quem fosse bem tinha de ter esta doença. Mesmo que não a tivesse. O médico, para alegria dos seus pacientes, diagnosticava-lhes a doença pretendida. Um pormenor delicioso desta parte do livro: ninguém, nem o próprio médico, diziam o que era esta misteriosa doença.
Outra peripécia foi quando teve de ser cangalheiro de um morto num comboio a atravessar meia Europa. Com um humor muito suave, os mal-entendidos vão-se sucedendo e será mesmo ele a ter de tratar dele até ao destino, em Estocolmo.
Há ainda a empregada do seu consultório, feia, indescritível, com cheiro a ratos, que não consegue despedir. Quando pede a amigos para o fazerem, repentinamente ficam doentes e também não conseguem. Sendo que começa a surgir um boato na elite parisiense: a dita senhora seria amante do Dr. Axel. Um delírio!
Um aspecto central da personagem Axel Munthe é a sua profunda atenção aos animais. Devota-lhes um cuidado raro, um respeito comovente. Será, na vida real, um dos precursores dos direitos dos animais.
Ao longo do livro, as viagens por várias cidades europeias vão-se sucedendo até regressar definitivamente a Anacapri, na ilha de Capri, no Mar Tirreno, ao largo de Nápoles.
Ali vai recuperar San Michelle,
uma propriedade semi-abandonada, sobre a qual um velho lhe tinha falado quando
Munthe era ainda jovem.
Em termos de apreciação do livro…
não é um livro que me tenha agarrado. A escrita não é sedutora e o conteúdo não
me apaixonou.
Fui lendo, página após página, levado pela resenha do próprio livro:
"O Livro de San Michele é, como diz o seu autor, "o livro da vida". Da vida que transforma o mundo, da vida que não descansa, que não se imobiliza nunca, mas que, se acaso apresenta a cada passo novos aspectos, fisionomia nova, nova aparência, é sempre e essencialmente a mesma.
Axel Munthe, que o não ignora, sabe também que só o amor da humanidade, que só o humaníssimo amor do próximo- gente ou bicho, adulto ou criança, pessoa ou animal- nos redimee salva dos inevitáveis egoismos. é um mestre da generosidade, um professor de ternura, uma energia ao sabor da mais límpida, da mais elevada, da mais devotada fraternidade humana. Ele quer os homens sãos e crentes, a infância pura e alegre, a adolescencia entusiástica e a velhice piedosa e serena.
Chamar a Axel Munthe só um grande escritor, idealista- é pouco porque ele é muito mais ainda: é um raro exemplar de Homem superior, de Homem completo, vencedor sempre das mesquinharias e dos egoísmos da existência.
Lê-lo e meditá-lo é aprender e viver. Nenhum livro como este poderia abrir melhor a "Colecção Dois Mundos" porque em nenhum outro vibra tanto e se afirma tanto a simpatia de alma que aproxima e enleia indivíduos, pátrias, continentes e povos"
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segunda-feira, 23 de abril de 2012
Então aqui não se assinala do Dia Mundial do Livro?!
"O Dia Mundial do Livro é comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril. Trata-se de uma data simbólica para a literatura, já que, segundo os vários calendários, neste dia desapareceram importantes escritores como Cervantes e Shakespeare. A ideia da comemoração teve origem na Catalunha: a 23 de Abril, dia de São Jorge, uma rosa é oferecida a quem comprar um livro. Mais recentemente, a troca de uma rosa por um livro tornou-se uma tradição em vários países do mundo."
sexta-feira, 20 de abril de 2012
o mundo está cheio de ...
Ao aceitar o desafio deixado pela minha “página-metade” percebi que tenho perdido tempo, precioso e que não tenho, com livros que não mereceram definitivamente a oportunidade que lhes foi dada (muitos não viram a sua capa publicada aqui), enquanto outros, esquecidos, esperam pacientemente por um pouco de atenção enquanto não são retirados de uma qualquer prateleira.
Assim, consultei os meus botões e a solução passaria por fazer uma lista. Depois de passar os olhos por outras publicadas, compostas por vários autores e respetivas obras, consegui selecionar uma série de nomes, algumas estreias, verdadeiros desconhecidos, alguns desenterrados das brumas da memórias e muitos nomes familiares.
O próximo passo foi tentar perceber se estariam publicados neste nosso pequeno país onde a língua que falamos não é a mesma da do resto do mundo no que toca a livros.
Não foi por isso uma surpresa perceber que muitos estão esgotados ou não se encontram publicados/traduzidos e, aqueles, poucos, que têm a honra de o ser vão continuar no anonimato penalizados pelo preço a que são disponibilizados ao público em geral. Não há carteira portuguesa que resista à máfia literária instalada, quando vemos a versão original custar menos de um terço do valor da obra traduzida disponibilizada pelas nossas editoras (quer-me parecer que o grafismo da capa, o papel ou o tamanho da letra estão a ser excessivamente valorizados em relação ao conteúdo!).
Mas pensando bem, quem é que hoje em dia ainda lê os clássicos? Génios da literatura universal versus literatura de cordel/light e outra que não consigo sequer caracterizar como tal – a batalha está definitivamente perdida!
A solução vai passar por continuar a palmilhar as ditas Feiras do Livro e sítios virtuais equiparados onde por vezes se conseguem verdadeiras pechinchas, com alguma sorte à mistura a querer provar que é possível vender barato sem perder lucro.
Deixo-vos os primeiros que já moravam lá por casa e que já nem recordava ter: A Divina Comédia – Dante Alighieri; Os Contos de Cantuária – Geoffrey Chaucer; Evanhoe – Walter Scott; Moby Dick - Herman Melville; A Um Deus Desconhecido – John Steinbeck; Grandes Esperanças – Charles Dickens; O Americano Tranquilo – Graham Greene; Livro do Desassossego – Fernando Pessoa; Frankenstein – Mary Shelley e Orgulho e Preconceito – Jane Austen, entre outros. Irei publicar em breve as primeiras impressões de uma lista que promete ser longa...
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Desafio II
1 - Qual o último livro que leste?
"A Senhora do Rio" de Philippa Gregory, aqui publicado
2 - Qual o próximo livro que queres muito ler?
É difícil dizer, há tantos que quero MUITO ler
3 - Só lês um livro de cada vez ou mais que um?
A minha atenção vai para apenas um de cada vez
4 - Menciona um livro que te tenha surpreendido pela positiva.
“O Jogo do Anjo” de Carlos Ruiz Záfon. Depois de ler “A Sombra do Vento” que adorei, não pensei que fosse ler outro dele tão bom quanto o primeiro
5 - Menciona um livro que te tenha surpreendido pela negativa.
“ O Corpo Estranho” de Robin Cook, aqui publicado. Mas há muitos que ficaram pelo caminho e outros que levei até ao fim pensando que ainda podiam melhorar, o que não aconteceu
6 - Que filme te lembras de ter visto mais recentemente adaptado de um livro?
“As Serviçais” aqui publicado. Mas nem o livro nem o filme me encheram as medidas...
7 - Quantos livros já leste este ano?
Não tenho por hábito fazer contagens
8 - Quantos livros queres ler até ao fim do ano?
Todos os que conseguir
9 - Qual o 1º livro que te lembras de ter lido?
“Os Cinco na Ilha do Tesouro” em francês. Coincidência ou não, acabei de adquirir o mesmo exemplar em português (o nº 1 da coleção) para recordar o entusiasmo que senti ao ler a história (e inevitavelmente perceber o que se perde nas traduções)
10 -Qual o género de livros que gostas mais de ler?
Gosto de ler de tudo um pouco, mas acho que a minha preferência vai para o romance histórico. Essencialmente aquele em que existe uma pesquisa cuidada e em que apenas os fatos omissos são romanceados.
11 - Acham este tipo de desafio muito chato?
HOJE não...
"A Senhora do Rio" de Philippa Gregory, aqui publicado
2 - Qual o próximo livro que queres muito ler?
É difícil dizer, há tantos que quero MUITO ler
3 - Só lês um livro de cada vez ou mais que um?
A minha atenção vai para apenas um de cada vez
4 - Menciona um livro que te tenha surpreendido pela positiva.
“O Jogo do Anjo” de Carlos Ruiz Záfon. Depois de ler “A Sombra do Vento” que adorei, não pensei que fosse ler outro dele tão bom quanto o primeiro
5 - Menciona um livro que te tenha surpreendido pela negativa.
“ O Corpo Estranho” de Robin Cook, aqui publicado. Mas há muitos que ficaram pelo caminho e outros que levei até ao fim pensando que ainda podiam melhorar, o que não aconteceu
6 - Que filme te lembras de ter visto mais recentemente adaptado de um livro?
“As Serviçais” aqui publicado. Mas nem o livro nem o filme me encheram as medidas...
7 - Quantos livros já leste este ano?
Não tenho por hábito fazer contagens
8 - Quantos livros queres ler até ao fim do ano?
Todos os que conseguir
9 - Qual o 1º livro que te lembras de ter lido?
“Os Cinco na Ilha do Tesouro” em francês. Coincidência ou não, acabei de adquirir o mesmo exemplar em português (o nº 1 da coleção) para recordar o entusiasmo que senti ao ler a história (e inevitavelmente perceber o que se perde nas traduções)
10 -Qual o género de livros que gostas mais de ler?
Gosto de ler de tudo um pouco, mas acho que a minha preferência vai para o romance histórico. Essencialmente aquele em que existe uma pesquisa cuidada e em que apenas os fatos omissos são romanceados.
11 - Acham este tipo de desafio muito chato?
HOJE não...
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Escritor despedido
Para se transformar em escritor bastou ser despedido.
É João Ricardo Pedro, vencedor do Prémio Leya 2011, com o livro de estreia "O teu rosto será o último".
Inspirador.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Desafio...
Por hábito os desafios não se imprimem nestas páginas... mas vamos lá fazer este do Pereira's Book:
1 - Qual o ultimo livro que leste?
"Um Homem: Klaus Klump", do Gonçalo M. Tavares
2 - Qual o próximo livro que queres muito ler?
Não sei por que, mas tenho me lembrado de "Arco do Triunfo", do Erich Maria Remarque. Coisas da adolescência.
Mas tenho vários que ganharam o Prémio Leya que me estão a tentar...
3 - Só lês um livro de cada vez ou mais que um?
Um de cada vez. Tenho muita dificuldade em ler vários em simultâneo.
4 - Menciona um livro que te tenha surpreendido pela positiva.
Hummm... não sei bem. Mas vou apostar em "Teoria da Viagem - uma poética da geografia", de Michel Onfray. Só para ser diferente. E já foi em 2009.
5 - Menciona um livro que te tenha surpreendido pela negativa.
Vamos lá ver... Já tive muitos que comecei e deixei pelo caminho...
6 - Que filme te lembras de ter visto mais recentemente adaptado de um livro?
Só me consigo lembrar do fantástico "O estranho caso de Benjamim Button". Adorei o filme! E ainda não li o livro com receio de perder a magia do filme...
7 - Quantos livros já leste este ano?
Poucos... Completos ou em tentativas?
8 - Quantos livros queres ler até ao fim do ano?
Não tenho objectivos de livros por ano.
9 - Qual o 1º livro que te lembras de ter lido?
Por estranho que possa parecer, "Os Maias", que li antes da obrigatoriedade escolar e adorei.
10 -Qual o género de livros que gostas mais de ler?
Não haverá um género. Depende do que apetecer no momento. Ora é romance simples, ora é histórico, ora é um ensaio (como o da resposta 4)... Cada livro é um vida.
11 - Acham este tipo de desafio muito chato?
Depende do estado de espírito :)
Não lanço o desafio a nenhum outro blogue livreiro, mas deixo o desafio à minha página-metade destas Palavras Impressas.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Desapareceu um mago das palavras
domingo, 25 de março de 2012
Livros em acordês
A mim já aconteceu resistir ao impulso de comprar um livro pelo simples facto de o mesmo estar escrito em português do acordo ortográfico.
Já alguém teve a mesma reacção?
Quando estamos numa livraria, é possível exigir que o livro que queremos seja escrito em português decente?
quarta-feira, 14 de março de 2012
A Senhora dos Rios

Nas primeiras páginas somos apresentados a Jacquetta - a nossa protagonista - que nos situa cronologicamente na História. Estamos em 1430. Jacquetta priva com Joana d’Arc no Castelo de Beaurevoir, onde permanece enquanto o duque de Luxemburgo tenta negociar a sua entrega aos ingleses. Joana é posteriormente transferida para Rouen onde acaba julgada e condenada por crimes contra a igreja. Jacquetta assiste ao desfecho da donzela de Orléans, pensando com tristeza nos bons momentos que passaram juntas e no significado da carta lançada a Joana: a Roda da Fortuna que pode lançar uma mulher tão alto no mundo como fazê-la descer até uma morte atroz e sem honra.
Enquanto se encontra em Rouen, conhece o Duque de Bedford, regente inglês da França, aquele que viria a ser o seu futuro marido e que lhe dará a conhecer um mundo misterioso de conhecimento e de alquimia. Iniciada pela avó que lhe deixa os seus livros e segredos, Jacquetta vai poder aprofundar o seu dom.
Conhece também o escudeiro do duque, Ricardo Woodville, que vela pela sua segurança e que permanece ao seu lado quando a morte do duque faz dela uma viúva jovem e rica. Os dois tornam-se amantes e casam em segredo. Decidem contudo regressar à Inglaterra para pedir o perdão do Rei e colocar-se ao serviço da corte do jovem monarca Henrique VI.
Depressa os Woodville conquistam uma posição de importância na corte de Lencastre, apesar de Jacquetta pressentir a crescente ameaça vinda do povo da Inglaterra e o perigo dos rivais pretendentes ao trono. Do povo da Inglaterra por não verem com bons olhos o casamento de Henrique com Margarida de Anjou, uma mulher caprichosa e ambiciosa que depressa se torna na verdadeira mão a tomar decisões, enquanto Henrique se revela um Rei inseguro, influenciável e mais interessado em assuntos de religião do que em assuntos de estado.
Mas nem a coragem e a lealdade dos Woodville bastam para manter no trono a Casa de Lencastre. Os tempos são de dificuldade. Henrique VI é considerado incapaz de governar, sendo nomeado regente o duque Ricardo de Iorque. O Rei melhora e retira-lhe o cargo, o que gera mais um confronto entre as forças de Iorque e os partidários do rei. Este acontecimento marca o início da conhecida Guerra das Rosas.
Jacquetta luta pelo seu rei e pela sua rainha com todas as suas forças, mas o destino de ambos há muito que estava traçado. Recorda a visão que teve de uma batalha e dos campos manchados de sangue e mais uma vez vê aquilo que previu tornar-se realidade. Ambos são definitivamente derrotados, abandonando a ilha enquanto Eduardo IV, o primeiro rei da Inglaterra originário de Iorque, sobe ao poder.
Os Woodville regressam à sua casa de campo, afastados da corte e Jacquetta dedica-se aos filhos, nomeadamente à sua filha Isabel, para quem prevê um futuro extraordinário e surpreendente: uma mudança de destino, o trono da Inglaterra e a rosa branca de Iorque.
Tenho a confessar que este não é dos livros mais empolgantes de Philippa Gregory. Deixo-vos as palavras sábias de Jacquetta que resumem a história do livro: «Dizemos que somos os governantes deste país, mas não agimos de acordo com a lei. Dizemos que lideramos estas pessoas, mas não as conduzimos à paz e prosperidade. Nós, os seus senhores, brigamos uns com os outros, trazendo a morte até às suas portas como se as nossas opiniões, pensamentos e sonhos valessem muito mais do que a segurança deles, a sua saúde e os seus filhos.»
Enquanto se encontra em Rouen, conhece o Duque de Bedford, regente inglês da França, aquele que viria a ser o seu futuro marido e que lhe dará a conhecer um mundo misterioso de conhecimento e de alquimia. Iniciada pela avó que lhe deixa os seus livros e segredos, Jacquetta vai poder aprofundar o seu dom.
Conhece também o escudeiro do duque, Ricardo Woodville, que vela pela sua segurança e que permanece ao seu lado quando a morte do duque faz dela uma viúva jovem e rica. Os dois tornam-se amantes e casam em segredo. Decidem contudo regressar à Inglaterra para pedir o perdão do Rei e colocar-se ao serviço da corte do jovem monarca Henrique VI.
Depressa os Woodville conquistam uma posição de importância na corte de Lencastre, apesar de Jacquetta pressentir a crescente ameaça vinda do povo da Inglaterra e o perigo dos rivais pretendentes ao trono. Do povo da Inglaterra por não verem com bons olhos o casamento de Henrique com Margarida de Anjou, uma mulher caprichosa e ambiciosa que depressa se torna na verdadeira mão a tomar decisões, enquanto Henrique se revela um Rei inseguro, influenciável e mais interessado em assuntos de religião do que em assuntos de estado.
Mas nem a coragem e a lealdade dos Woodville bastam para manter no trono a Casa de Lencastre. Os tempos são de dificuldade. Henrique VI é considerado incapaz de governar, sendo nomeado regente o duque Ricardo de Iorque. O Rei melhora e retira-lhe o cargo, o que gera mais um confronto entre as forças de Iorque e os partidários do rei. Este acontecimento marca o início da conhecida Guerra das Rosas.
Jacquetta luta pelo seu rei e pela sua rainha com todas as suas forças, mas o destino de ambos há muito que estava traçado. Recorda a visão que teve de uma batalha e dos campos manchados de sangue e mais uma vez vê aquilo que previu tornar-se realidade. Ambos são definitivamente derrotados, abandonando a ilha enquanto Eduardo IV, o primeiro rei da Inglaterra originário de Iorque, sobe ao poder.
Os Woodville regressam à sua casa de campo, afastados da corte e Jacquetta dedica-se aos filhos, nomeadamente à sua filha Isabel, para quem prevê um futuro extraordinário e surpreendente: uma mudança de destino, o trono da Inglaterra e a rosa branca de Iorque.
Tenho a confessar que este não é dos livros mais empolgantes de Philippa Gregory. Deixo-vos as palavras sábias de Jacquetta que resumem a história do livro: «Dizemos que somos os governantes deste país, mas não agimos de acordo com a lei. Dizemos que lideramos estas pessoas, mas não as conduzimos à paz e prosperidade. Nós, os seus senhores, brigamos uns com os outros, trazendo a morte até às suas portas como se as nossas opiniões, pensamentos e sonhos valessem muito mais do que a segurança deles, a sua saúde e os seus filhos.»
terça-feira, 13 de março de 2012
82ª feira do livro de Lisboa
Para quem gosta da feira, já há datas: de 24 de Abril a 13 de Maio, no Parque Eduardo VII.
Está a chegar... comecem a fazer a lista.
Está a chegar... comecem a fazer a lista.
domingo, 11 de março de 2012
Pessoa - plural como o universo
Na Fundação Calouste Gulbenkian está patente uma exposição sobre a obra de Fernando Pessoa e seus heterónimos: Fernando Pessoa - plural como o universo.
De forma esteticamente atraente e simples, são dados a conhecer vários textos deste múltiplo poeta.
Vale bem a pena visitar!
E depois... dar um passeio pelos magníficos jardins da fundação.
domingo, 4 de março de 2012
Um Homem: Klaus Klump
Foi este o primeiro livro de Gonçalo M. Tavares. Foi o primeiro escrito por ele e é também o primeiro que li dele.
Tem uma escrita estranha, ideográfica. Perdemo-nos no fio da história e das personagens, nos diálogos e/ou pensamentos.
Sabemos que se trata de um país qualquer em guerra, com muitas crueldades e sofrimento. Com personagens disfuncionais, algumas com pensamentos de um humor negro e cínico simultaneamente.
Há um cavalo a apodrecer longamente nas ruas de uma cidade, há a prisão de Klaus Klump, há a amante deste e a sua mãe louca, há o homem rico da cidade...
Não sei que mais dizer. Talvez por ser o meu primeiro contacto com o autor, talvez por ser a sua iniciação na escrita, o resultado não me agradou particularmente.
Concluí a leitura mais por ser um livro estranho do que por me estar a agradar.
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